Pré-campanha modorrenta de Conquista se agita com polêmica entre PSD e Grupo Independente

Em entrevista ao programa Agito Geral, comandado por Pedro Massinha na Melodia FM, ontem, o prefeito Guilherme Menezes tratou de mais do mesmo: que o PT inteiro vai apoiar José Raimundo e as portas ainda estão abertas para PSB e PCdoB, que saíram do governo municipal e já lançaram seus pré-candidatos a prefeito, respectivamente Alexandre Pereira e Fabrício Falcão. O mais do mesmo vem sendo a marca dessa pré-campanha sem novidades desde o dia 23 de março, quando Guilherme veio a público dar conhecimento de que tomara uma atitude estadista, aceitou os sinais dados pelas sondagens eleitorais e pela reação popular e decidiu retirar o nome de Odir Freire, propiciando o consenso pelo apoio a José Raimundo.

2016-03-08 22.34.59
Guilherme e Zé se entenderam e marcharão juntos

Tudo o que o Partido dos Trabalhadores está fazendo agora são conversas separadas, quase sigilosas, com representantes de outros partidos, levando o discurso da importância de continuar o projeto que vem sendo desenvolvido nesses 20 anos e a perspectiva de um lugar de vice na chapa. Por enquanto, quem o PT realmente quer na vice disse não ou pediu tempo e quem sinalizou que quer o PT pediu para esperar, na ideia de que a vice deve ser cedida a partido ou nome que agregue, segundo as palavras do prefeito Guilherme na entrevista a Massinha, ou, em palavras mais claras, leve voto que o PT teria dificuldade de buscar sozinho.

OS MOVIMENTOS DA OPOSIÇÃO

Da parte do PMDB, considerando que Herzem Gusmão é de todos os pré-candidatos o que tem um palanque eletrônico diário para exposição do seu nome e divulgação do seu trabalho, seria compreensível que ele só fizesse isso. Fez mais um pouco. Reagindo à propagação de que ele não dialogava, não ouvia os parceiros, o pré-candidato peemedebista reuniu alguns nomes proeminentes das diversas áreas produtivas e pediu que o ajudassem a conversar com setores e pessoas que demonstravam alguma resistência a sua candidatura. Ao mesmo tempo esse grupo tem buscado a colaboração de profissionais respeitados e influentes da cidade no sentido de formatar um plano de ação para ser apresentado ao eleitor na campanha. Médicos, advogados, empresários, muitos já foram procurados e se dispuseram a ajudar.

Nesse ritmo, Herzem, que dispõe da tribuna da Assembleia Legislativa para se manifestar sobre questões locais e estaduais, gerando notícias para a imprensa; que tem o microfone da Rádio Clube à disposição e conseguiu montar um núcleo de apoio político que está fazendo conversas e defesa do projeto em nome dele, vai conseguindo manter a dianteira nas pesquisas de intenção de voto que tem desde que começaram as discussões sobre a eleição de prefeito. Mesmo assim, ainda que ele disponha da rádio como palanque, pouca novidade tem apresentado e toda a movimentação dos seus apoiadores e as articulações em defesa de seu nome como candidato único da oposição não geram novidade para o público, que sabe hoje o mesmo que sabia quando o ano começou.

PhotoGrid_1459200270345[1]
Arlindo (em cima), Marcelo e Herzem (foto maior): dos três pode ficar só um.
Arlindo Rebouças (PSDB) e Marcelo Melo (DEM) estão confiantes, mas sabem que a chamada ‘estratégia 2018’ pode atropelá-los. O BLOG ouviu de pelo menos duas pessoas que têm grande afinidade com a política local que Arlindo já avisou que será candidato de qualquer jeito, nem que para isso tenha que entrar na justiça. Mas uma das coisas consideradas mais certas de acontecer é o apoio do PSDB a Herzem Gusmão. O mesmo ocorreria com o Democratas, de Marcelo Melo, que seria o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo PMDB. Eu não ouvi Arlindo sobre o comentário de que já há um plano para afastá-lo da disputa, nem sobre sua intenção de pleitear o direito de ser candidato na justiça. De Marcelo ouvi que ele “ainda” é pré-candidato, admitindo, mesmo que implicitamente, a possibilidade de uma mudança que quase todo mundo prevê.

COMPASSO DE ESPERA

PhotoGrid_1460179749597
Fabrício e Alexandre: em compasso de espera, mas confirmados

O PSB e o PCdoB declaram, por todos os porta-vozes possíveis, que manterão seus candidatos no páreo, recusando admitir a possibilidade de um retorno à Frente Conquista Popular ainda no primeiro turno. Tendo os nomes de Alexandre Pereira (PSB) e de Fabrício Falcão (PCdoB) colocados no tabuleiro, os dois partidos preferem a coerência, ainda que exponham os antigos parceiros a uma derrota ainda no dia 2 de outubro. O PCdoB saiu da administração municipal, onde tinham dois secretários e outros cargos, em julho do ano passado. O PSB se afastou no fim do mês de março, deixando uma secretaria e várias coordenações.

Uma volta atrás arranharia significativamente a imagem dos dois partidos e de suas principais lideranças, por isso, eles cruzam os dedos, pedem ajuda aos santos para que ocorra o segundo turno, mas afirmam que vão manter a coerência e ficarão longe do PT no primeiro turno, considerando a posteridade. Assim, os dois partidos mantêm-se discretos, sem grandes movimentações e, exceto a saída de Gildelson e Cia. do governo, nada de novo apresentam. Uma razão para essa significativa parada nas ações é a votação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma, marcado para o dia 17, na Câmara. Até lá as discussões ficam em compasso de espera. O resultado do processo é capaz de mudar tudo na política brasileira, com reflexos importante em Conquista.

Há outros pré-candidatos, como Armênio Santos (PPS), que é um dos que mais andam, se reapresentando à sociedade e ao eleitor, depois de anos fora da política local, mas não há notícia de atos, eventos, manifestação, discurso ou articulação que gere algum impacto. Outro que se disse pré-candidato a prefeito foi o ex-deputado Clóvis Ferraz (PSD), que transferiu seu domicílio eleitoral de Tremedal para Vitória da Conquista, realimentando um sonho antigo de ser candidato a prefeito neste município. Considerando que Clóvis é amigo e assessor do senador Otto Alencar, que é quem manda no PSD na Bahia, pode até ser que o senador libere uma candidatura própria a prefeito em Conquista, mas o próprio Clóvis disse ao Blog do Anderson que ele quer mesmo é ser vice de José Raimundo. Falou isso se queixando porque Zé deu entrevista dizendo que ainda procura apoio do PSB e do PCdoB e não falou o nome do partido dele.

O DISSE ME DISSE NO GI

Foi a deixa para que entrasse em cena a figura que, de vez em quando, balança o coreto da política conquistense nestes tempos de discussão sobre a sucessão do prefeito Guilherme Menezes: Romilson de Souza Filho, líder do Grupo Independente (GI), um condomínio de partidos que acredita poder lançar um candidato a prefeito forte o suficiente para quebrar a polarização PT x PMDB. Romilson, que recentemente assumiu a comissão provisória do PDT, passando à frente do deputado Fabrício Falcão, a quem Félix Mendonça, deputado federal e presidente estadual, havia sinalizado que entregaria o partido, reclamou que ao procurar José Raimundo e oferecer apoio Clóvis Ferraz (que Herzem chamava de Chun Chan Chin, em referência à ligeira semelhança do ex-deputado com um chinês lutador de Kung Fu) traiu um acordo que haviam feito, de que o PSD se incorporaria ao GI e apoiaria o candidato que saísse do grupo.

images (4)
Romilson Filho

Romilson, que tem a impetuosidade na mesma medida da capacidade de articulação, subiu o tom em reuniões e divulgou uma nota em que desautoriza Clóvis Ferraz a falar em nome dos partidos que compõem o GI, especialmente o PDT (o que, na verdade, Clóvis não fez, falando apenas de si e do seu PSD). Segundo Romilson, se o PSD e o PP, partidos que estão andando juntos (o primeiro tem o presidente da Câmara de Vereadores Gilzete Moreira como presidente e o segundo tem o filho dele, Rodrigo, à frente) quiserem fazer parte do Grupo Independente devem seguir uma regra pétrea: apoiar candidatura originada do grupo, “preferencialmente capitaneada pelo PDT”.

O BLOG destaca dois trechos da nota de Romilson, aquele que vem fazendo subir o calor de uma pré-campanha modorrenta.

– As legendas do PSD e do PP cogitaram fazer parte do Grupo Independente, todavia, devemos deixar claro que se o fizerem, terão de, democraticamente, participar da discussão dos nomes defendidos pela frente partidária para enfrentar as próximas eleições em Conquista, cuja pretensão, outra não é, senão a de ter candidatura própria, preferencialmente capitaneada pelo PDT;

– Com todo respeito que merece o ex-deputado, Clóvis Ferraz não foi autorizado e nem fala em nome do PDT, muito menos para sinalizar aliança, apoio ou a integração na chapa liderada pelo PT (qualquer que seja o nome da referida agremiação posto para as eleições), porque esta posição é diametralmente oposta ao que defendem os integrantes do Grupo Independente.

 

Deixe uma resposta

Você não pode copiar conteúdo desta página

Descubra mais sobre BLOG DE GIORLANDO LIMA

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading