Crise e mau exemplo em eleição para escolha de delegados do PT na Bahia

Crise e mau exemplo em eleição para escolha de delegados do PT na Bahia

Não saiu na imprensa, pelo menos não como aconteceu, mas o Partido dos Trabalhadores na Bahia passou (e ainda passa) por dias de intensa crise, com incidentes que poderiam fazer parte de um roteiro de pastelão. Foram horas em que o PT tomou as feições de um partido antigo, daqueles cujos dirigentes sumiam com as fichas de filiação para que o adversário não pudesse saber quem poderia ou não participar da votação do diretório. Uma história muito parecida com aquelas em que o coronel dava sumiço nos votos de uma eleição de prefeito. Coisas que o PT abomina(va). Mas, foi assim.

No último dia 9, um domingo, como em todo o Brasil, o PT baiano realizou eleições para seus diretórios municipais e para escolha dos 310 delegados ao congresso estadual, que está marcado para o período de 5 a 7 de maio. Na Bahia, segundo o Diretório Nacional, que é a instância eleitoral superior, responsável pela criação e manutenção das regras, foram válidos 7.631 votos, de 129 municípios, isso representa pouco mais de 10% do total de filiados regulares ao partido na Bahia. Os números ainda eram os mesmos ao meio-dia desta segunda-feira (17).

A apuração começou no mesmo dia da eleição, mas, diante da dificuldade de chegada dos votos do interior do estado, já que a computação se dava em Salvador, às 22 horas, segundo fontes internas, o secretário estadual de Organização do PT, Élio Santana, propôs que a apuração fosse suspensa e retomada na segunda-feira (10), às 8 horas, o que foi aceito pelos representantes de cada chapa. Naquele momento haviam sido computados pouco mais de 5.700 votos.

No dia seguinte, no entanto, a apuração não prosseguiu porque, simplesmente, segundo as fontes do BLOG, sumiram o secretário de Organização e o presidente estadual, Everaldo Anunciação. E sumidos permaneceram por 48 horas, levantando a maia natural das suspeições. Os dois só foram reaparecer na quarta-feira, 12, último dia para apuração oficial, pelo calendário traçado pelo diretório nacional, que só computaria os votos recebidos até as 14 horas. Foi quando a crise tomou corpo. Com o sumiço dos dois dirigentes a apuração estadual atrasou e, de acordo com petistas ouvidos pelo BLOG, dos mais de 20 mil votos dados às diversas chapas em todo o estado, pouco mais de sete mil foram computados até as 14 horas daquela quarta-feira.

Diante daquela realidade, que não foi considerada boa para nenhum dos lados, a comissão eleitoral estadual, responsável pela apuração na Bahia, consultou o diretório nacional sobre a possibilidade de continuar a apuração, já que quase dois terços dos votantes não tiveram os votos considerados dentro do prazo. Até o início da manhã desta segunda-feira, 17, uma semana depois do pedido, não houve resposta do diretório nacional ao pedido dos baianos.

Apesar disso, uma apuração acabou sendo feita, à revelia da comissão eleitoral, segundo consta, pela tendência EPS, liderada na Bahia pelo deputado federal Valmir Assunção. Apuração feita, o site do PT publicou na sexta-feira (14) o que seria o resultado da eleição, tendo à frente a chapa Muda PT (número 450), cujo candidato a presidente estadual é o deputado federal Waldenor Pereira, com 41%; O Partido que mudou a Bahia (400), encabeçada pelo atual presidente estadual, Everaldo Anunciação, com 28,8% dos votos, seguida pela Optei (430), liderada pelo deputado Valmir Assunção, com 26,8% dos votos; chapa Unidade pela Reconstrução do PT (410), com 2,44% e a Articulação de Esquerda (420), com 0,86%.

PhotoGrid_1492454995789[1]
Waldenor (Reencantar) da chapa “Muda PT” e Valmir Assunção (Esquerda Popular Socialista) da  “Optei” querem a presidência que tem Everaldo (CNB), da Partido que Mudou a Bahia, à frente. Mas, na eleição do imblóglio, Valmir e Everaldo querem barrar Waldenor.
O texto publicado no site com os números acima foi assinado pelo jornalista Marival Guedes, assessor de imprensa do PT, que distribuiu o release à imprensa, mas foi contestado pelo secretário de comunicação do partido Osmar Galdino. Galdino mandou apagar a matéria de Marival do site oficial e lá postou uma nota em que diz o site foi utilizado para divulgar resultado não oficial e pede desculpas aos “filiados/as e a sociedade petista pela prática condenável de aparelhamento que esta secretaria foi vítima a sua revelia”. O secretário de comunicação do PT estadual acusa duas tendências pela prática, mas não diz quais são essas tendências. Há, pelo menos dez tendências dentro do PT e estão na disputa cinco chapas.

O material enviado à imprensa pelo assessor Marival Guedes destaca que o deputado Valmir Assunção teria sido o grande vencedor da eleição. Nenhum dirigente ou candidato se manifestou oficialmente, mas petistas ouvidos consideraram o episódio “lamentável e vergonhoso”. Para uma liderança do partido com cargo importante no governo, a intenção da direção do PT na Bahia foi criar uma guerra psicológica, já que a apuração não poderia prosseguir sem a anuência da direção nacional e seriam desconhecidos os métodos para a computação dos votos anunciados pela assessoria de imprensa do diretório.

Pela apuração considerada oficial pelo Diretório Nacional e pela comissão eleitoral estadual, em nota oficial divulgada no fim de semana e que ainda valia até esta segunda-feira pela manhã, a chapa vencedora era a Muda PT, com 4.990 de um total de 7.631 votantes, em 129 municípios, 44% dos diretórios do partido no estado. Os demais números: Articulação de Esquerda 105 votos; O Partido que Mudou a Bahia 1.118 votos; Optei 850 votos; Unidade pela Reconstrução do PT 200 votos. Os representantes das chapas na COE (Comissão Organizadora Estadual) também emitiram nota contestando a atitude do secretário de Organização da Bahia (leia aqui).

PhotoGrid_1492455193393[1]
No site do PT da Bahia uma profusão de notas. Pouco esclarecimento
Atingido pela Lava Jato, alvo de reportagens e artigos na mídia que questionam a sua credibilidade e a moral histórica do partido, que passou de convicção ética nacional para uma dúvida quanto à sua semelhança com as demais agremiações, tão criticadas por ele mesmo, o PT da Bahia dá um exemplo muito triste de que não anda bem das pernas, em termos de sinceridade e correção, nem dentro de suas próprias paredes. A esses incidentes, imbróglios, brigas e crises, o PT chama de democracia interna, pois ao fim e ao cabo todos se entendem. Mas, se é para fazer uma avaliação honesta, o papel do partido no PED baiano foi muito feio. Um mau exemplo que só ajuda a aumentar a dúvida sobre o futuro do partido, se tem capacidade de fazer um mea culpa histórico e mudar, como anunciam algumas de suas lideranças mais importantes.

Um comentário em “Crise e mau exemplo em eleição para escolha de delegados do PT na Bahia

Deixe uma resposta

Você não pode copiar conteúdo desta página

Descubra mais sobre BLOG DE GIORLANDO LIMA

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading