José Ronaldo culpa governo do estado pela violência e promete construir barragem do Rio Pardo. E a do Catolé?

Em discurso durante o ato de lançamento de sua pré-candidatura a governador na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, o ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM), reagiu aos dados que denunciam a violência no estado da Bahia e culpou o governador Rui Costa pelo crescimento da criminalidade. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), no Atlas da Violência no Brasil 2018, divulgado na semana passada, a Bahia tem cinco dos 10 municípios mais violentos do país, com base em 2016.
Segundo o pré-candidato demista, o estado não deu resposta convincente diante dos números apresentados e do aumento da violência e teria se limitado a repetir que os homicídios são resultado do tráfico e da guerra da droga, e afirmou que a política de segurança do governo estadual acabou por abandonar os jovens pobres da periferia para o tráfico. José Ronaldo se queixou de que não há ações efetivas e prioritárias para impedir a escalada da violência e lembrou que Vitória da Conquista é uma das cidades mais atingidas. O pré-candidato a governador mencionou informações de que o município já passa de 100 mortes neste semestre e lamentou o assassinato de dois estudantes na porta de uma escola, onde foram baleados outros dois jovens.
Além de demonstrar preocupação com a violência crescente, José Ronaldo chamou a atenção também para as filas consideradas intermináveis na regulação da saúde e disse que uma solução tem que ser encontrada. “Chegando ao governo, eu imediatamente daria um fim a essa fila direcionando pacientes e fazendo parcerias com hospitais particulares. O povo não pode ser tratado dessa forma. Tem gente morrendo nas filas enquanto aguarda vaga para atendimento”.

Depois de afirmar que sempre evitou seguir os conselhos dos marqueteiros para fazer promessas em suas campanhas, o ex-prefeito de Feira encerrou o discurso em Conquista prometendo resolver o problema de água no município, com a construção da barragem do Rio Pardo, no distrito de Inhobim. José Ronaldo, com a promessa, sinaliza que não levará adiante o projeto de construção da barragem do Rio Catolé. Isso se não for iniciada a obra, já licitada e prometida para este ano pelo seu principal adversário na eleição, o governador Rui Costa.
DUAS BARRAGENS POR MAIS DE MEIO BILHÃO DE REAIS
O projeto da barragem no Rio Catolé, cuja licitação foi vencida pela OAS, está orçado em R$ 204 milhões, sem levar em conta indenizações e obras e serviços complementares. Para a barragem de Inhobim (Rio Pardo) o orçamento atualizado é de R$ 364.432.519,87, sendo R$ 308.216.158,16 para a construção do equipamento, em si, e outros R$ 56.216.361,71 para as demais obras de viabilização do projeto. É praticamente impossível que, no horizonte de, pelo menos, 20 anos, qualquer governo (estadual ou federal) tenha condição de disponibilizar a soma destes valores: aproximadamente R$ 568 milhões.
Segundo o governo do estado, a barragem do Catolé, prevista para funcionar no final do ano 2021, garantirá água por 30 anos para Vitória da Conquista, Barra do Choça e Belo Campo. Segundo o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), a barragem de Inhobim “poderá resolver em definitivo as necessidades de abastecimento d’água da cidade de Vitória da Conquista”, beneficiando ainda, Cândido Sales, Belo Campo, Encruzilhada, Ribeirão do Largo e Barra do Choça.
Como se vê, se a barragem no Rio Catolé não começar este ano, se Vitória da Conquista ganhará uma ou outra barragem vai depender de quem vencer a eleição.


