Eleições 2020 | Por que é bom prestar atenção na eleição interna do PT?

Eleições 2020 | Por que é bom prestar atenção na eleição interna do PT?

No dia 8 de setembro, os filiados do PT em todo o país vão escolher os novos dirigentes municipais. Em Vitória da Conquista, o Processo de Eleição Direta (PED), criado em 2001, tem três chapas concorrendo, sendo duas que incluem candidatos a presidente e uma apenas para os demais cargos da direção executiva. Será uma eleição interna em que podem votar os membros em dia com o partido. De acordo com lista fornecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta segunda-feira (19) o Partido dos Trabalhadores em Vitória da Conquista conta com 2.850 filiados. Consultado, o presidente do diretório municipal, Rudival Maturano, disse que ainda não pode informar a quantidade dos que estão aptos a votar

Os dois candidatos a presidente defendem a unidade partidária, mas representam dois grupos que vêm há anos se confrontando internamente com efeitos também fora do partido. Noeci Salgado, um dos militantes mais antigos do PT em Vitória da Conquista e na Bahia, aos 69 anos de idade e 38 de filiação (desde 17/07/1981), representa o grupo do prefeito Guilherme Menezes (que nega ter grupo), com apoio do MST, e Isaac Bonfim, 32 anos e sete de partido (filiado em 30/10/2012), representa o grupo dos deputados Waldenor Pereira e José Raimundo Fontes. Os dois candidatos têm outros apoios importantes, como dois vereadores para cada lado, mas os três mencionados são mais simbólicos, sob o ponto de vista da política municipal, para além do campo petista.

Embora existam negativas, o PT deve decidir entre os três qual será o candidato para enfrentar o prefeito Herzem Gusmão e tentar retornar à prefeitura, que teve o domínio de 20 anos do partido, interrompido em 2016. Pesquisas de intenção de voto feitas este ano mostram que os dois ex-prefeitos, Guilherme e José Raimundo, têm índices de preferência praticamente iguais entre os que dizem que votarão em um candidato a prefeito do PT. Nas redes sociais, o primeiro é mais mencionado, mas nos setores médios da sociedade, o nome do deputado desponta.

Publicamente, Guilherme diz que não deseja ser candidato e só seria se for convocado pelo partido, mas, consta que a mais próximos diz que está pronto para mais uma eleição. José Raimundo não é categórico sobre o assunto em público, porém nega mais que confirma. Em conversas mais reservadas, no entanto afirma que não quer ser candidato. O grupo dele teria como alternativa o nome do deputado Waldenor Pereira. Do lado de Guilherme fala-se – muito – na vereadora Márcia Viviane, que está realizando um excelente mandato. Mas, ela não confirma nem a candidatura à reeleição. Viviane, aliás, chegou a ser citada pelo próprio José Raimundo como um dos nomes viáveis.

O resultado da eleição interna do dia 8 de setembro servirá como uma sinalização de qual será o grupo com maior potencial político para indicar o candidato a prefeito.  Nesta campanha os instrumentos usuais de uma eleição não são muito utilizados. Os dois candidatos e seus grupos estão em busca dos votos, nas conversas de pé de ouvido, no contato mais próximo. E negociações por dentro. O atual presidente Rudival Maturano não apoia, oficialmente, Isaac ou Noeci e lançou uma terceira chapa, sem candidato a presidente, apenas para concorrer aos cargos demais cargos. Acredita que pode equilibrar o pleito. Seu apoio, no entanto, não modifica a perspectiva quanto à eleição de 2020.

VISIBILIDADE E RENOVAÇÃO

A candidatura de Noeci Salgado está sendo chamada de raiz, pela sua participação histórica na formação do PT. Em entrevistas a blogs da cidade ele disse que é necessário unir o partido, com a discussão de um programa de governo para ser aplicado na campanha de prefeito. E diz que o caminho é o partido retornar ao que nasceu, voltar a origens, das quais o PT se distanciou em razão do exercício do poder, exercido entre 1997 e 2016. Para Noeci, não dá para ser o mesmo PT de 1980, porque a conjuntura hoje é outra, mas dá para fazer muita coisa, mostrar o partido. Ele contou ao Blog do Anderson que uma militante disse que o PT se tornou uma fruta cara, que a gente sabe que tem, mas não pode comprar. “É o PT hoje. A gente sabe que existe, mas a gente não vê, ele não está aqui com a gente”.

Isaac Bonfim diz que a motivação da candidatura não é pessoal, individual, mas a representação de um grupo político. “Nosso grupo político acredita que pode contribuir mais em Conquista, com uma renovação no PT”, propõe. Também ao Blog do Anderson ele explicou que seu nome tem a sustentação dos deputados Waldenor e José Raimundo, mas lista ainda os vereadores Fernando Jacaré e Coriolano Moraes. Os outros dois, Waldemir Dias e Márcia Viviane estão com Noeci. Isaac faz parte da direção estadual do PT, como vice-presidente, eleito no PED de 2017. O objetivo é fortalecer o partido. “Nosso nome representa uma opção de renovação no partido, mas, ao mesmo tempo, de resgate dos nossos princípios e dos nossos valores, que são fundamentais e muito caros para todo petista”.

Tanto Isaac Bonfim quanto Noeci dizem que a eleição interna para escolha da direção não tem o papel de definir o candidato a prefeito, no entanto, por suas ligações com cada um dos grupos que têm nomes mencionados na mídia e dentro do próprio partido, não há como negar que o resultado do PED vai servir como um peso a mais na balança decisória, levando em conta, principalmente, os sinais dados pelas pesquisas, de que, sendo José Raimundo ou seja Guilherme – ou mesmo Waldenor – o candidato, qualquer um teria a mesma acolhida entre os eleitores petistas.

 

 

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