Cuidado com a notícia | Estudante da Ufba que esteve em Wuhan não tem o coronavírus

Cuidado com a notícia | Estudante da Ufba que esteve em Wuhan não tem o coronavírus


O Correio 24 Horas publicou uma matéria sobre um estudante da Ufba, em Salvador, que teria contraído coronavírus após uma viagem à cidade de Wuhan, na China, mas que teria se curado, ainda em dezembro. O título da matéria do Correio já deixa claro que a pessoa não está mais doente: “‘Pulei uma fogueira’, diz aluno da Ufba que visitou cidade assolada pelo coronavírus”. O reforço vem no subtítulo: “Ele se curou de doença ‘suspeita’ após viagem a Wuhan, em dezembro; entenda”. O texto completa informando que, apesar de ter estado na China e de ter sentido sintomas como os do vírus, ele não está doente. Teria se curado.

Horas depois, um blog da capital replica a matéria e muda o título para: “Aluno da Ufba pode ter contraído o coronavírus em Wuhan: ‘Pulei uma fogueira'”. Claramente, há um aproveitamento da repercussão do assunto, do pavor da população, ao destacar que ele pode ter contraído o vírus, e só depois usar a expressão que indica que o jovem está livre da doença.

Mas, eis que a escala de reprodução prossegue e outros blogs, seguindo a linha do site de Salvador, buscam dar destaque à parte que mais chama a atenção, com títulos focados na contração do vírus, a opção pelo impacto, pelo susto, pela manchete oportunista. E considerando que a maior parte dos internautas só leem o título e já espalha a notícia ou “debate” o assunto a partir dele o impacto do simplismo da manchete, acrescida de um “urgente”, que assusta bem mais, deixa nítido o objetivo do apelo.

A exploração do assunto, dando-lhe contornos sensacionalistas, no título, em especial, leva a crer que exista alguém na Bahia com o coronavírus. E não é isso o que dizem a matéria do Correio e o estudante. O caso é um aviso do cuidado que se deve ter com o jeito de informar. É ter cuidado com o vírus, mas, também, com a notícia. É importante ler até o fim.

A HISTÓRIA

Tarcício Rodrigues, 22 anos, estudante da Universidade Federal da Bahia (Ufba) esteve em Wuhan, na China, entre os dias 2 e 12 de dezembro, com outras 14 pessoas (11 alunos e três professores), para participar de um congresso universitário. Naquele mesmo mês, Tarcício apresentou sintomas semelhantes aos do coronavírus, mas, teria ficado curado alguns dias depois.

De acordo com o Correio, depois de sair de Wuhan, o estudante começou a apresentar dores de cabeça, febre e coriza, sintomas que podem ser tanto do coronavírus quanto de um resfriado comum. Ele só tomou conhecimento do surto quando desembarcou no Brasil, por isso procurou um infectologista que afirmou existir a possibilidade de ele ter contraído o coronavírus, apesar de não ser possível obter alguma comprovação facilmente, já que pelo tempo, o vírus poderia ter deixado o corpo dele.

Atenção para o que teria dito o infectologista, não identificado na reportagem: existiria a possibilidade de Tarcício ter contraído o vírus e se livrado, sem tratamento algum.

Ao jornal, o estudante da Ufba disse: “Pulei uma fogueira! Eu fiquei um pouco preocupado no início, mas para falar a verdade agora eu estou até aliviado e torcendo para que eu tenha pego o vírus, pois a infectologista me disse que caso eu tenha contraído o coronavírus, eu me tornei imune, provavelmente. Então, caso ele chegue ao Brasil, eu estou seguro”, comemora.

 

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