Político conquistense a chegar mais longe como parlamentar, Coriolano Sales tem história rejeitada

Político conquistense a chegar mais longe como parlamentar, Coriolano Sales tem história rejeitada

O ex-deputado Coriolano Sousa Sales, falecido no dia 21 de maio de 2018, não nasceu em Vitória da Conquista. Sua terra natal é Santa Teresinha, a 320 quilômetros de Conquista e a 65 de Amargosa, onde ele viveu até mudar-se em meados dos anos 1970 para a cidade em que cresceu, tornando-se conquistense por adoção da comunidade.

Apesar de sua intensa atuação em favor do município, Coriolano Sales não recebeu o título de Cidadão Conquistense, uma falha irreparável da Câmara de Vereadores, envergonhada, desde que ele renunciou mandato de deputado federal, acusado de envolvimento em um esquema de fraude envolvendo compras de ambulâncias com emendas parlamentares.

Em Vitória da Conquista ele se destacou como advogado da Pastoral da Terra e primeiro presidente da subsecção regional da OAB, tendo sido reeleito para a função. Também foi advogado do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), onde entrou em 1973, e do Banco do Estado da Bahia (Baneb), a partir de 1975 até 1982.

Cori, como ficou conhecido em todo o estado, nasceu no dia 1º de agosto de 1943, filho de Rosalvo Sales Rodrigues e de Eufrásia Amaral de Sousa Rodrigues. Formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) em 1970.

Em 1981, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), pelo qual candidatou-se pela primeira vez, sendo eleito em novembro do ano seguinte. Já no primeiro mandato, foi escolhido vice-líder, presidente da comissão especial sobre conflitos de terra, relator-geral da Comissão de Divisão Territorial, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o condomínio Barro Preto e titular das comissões de Justiça, de Redação Final e de Finanças e Orçamento e das CPIs do Baneb, do endividamento do estado e das sementes.

Em 1985, tornou-se tesoureiro-geral do PMDB da Bahia e em novembro de 1986 foi reeleito deputado estadual, quando chegou a presidente da Assembleia Legislativa e da Assembleia Estadual Constituinte, posições que, por si só, o tornam um dos mais notáveis entre os políticos representantes de Vitória da Conquista. Além dele, chegaram a altas posições estaduais Edvaldo Flores, que foi vice-governador de março de 1983 a março de1987, e Régis Pacheco, eleito governador em outubro de 1950 para mandato que se encerrou em janeiro de 1955.

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Coriolano, de paletó preto, como presidente da Assembleia Legislativa da Bahia. Na foto com João Leão e Gerbaldo Avena

A terceira eleição foi pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi líder do partido. Ainda em 1991, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), pelo qual exerceu o restante do mandato, novamente na condição de líder do partido. Em 1993, tornou-se presidente estadual da agremiação.

Em outubro de 1994, Cori foi eleito deputado federal, com significativa votação em Vitória da Conquista. Já neste primeiro mandato foi titular da Comissão de Constituição e Justiça.

O primeiro destaque da atuação de Coriolano Sales na Câmara dos Deputados, foi a admissibilidade de projeto de emenda constitucional de sua autoria que instituía mandato-tampão para os prefeitos e vereadores eleitos em outubro/novembro de 1996, com o objetivo da realização de eleições gerais, de presidente a vereador, com possibilidade de reeleição para prefeito, em outubro de 1998.

Nas votações das emendas constitucionais propostas pelo governo Fernando Henrique Cardoso ainda em 1995, votou de acordo com as teses defendidas pela oposição, manifestando-se contrariamente à abertura da navegação de cabotagem às embarcações estrangeiras; à revisão do conceito de empresa nacional; à quebra do monopólio estatal nas telecomunicações, na exploração do petróleo e na distribuição de gás canalizado pelos governos estaduais; e à prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), substituto do Fundo Social de Emergência (FSE), criado na legislatura anterior com o objetivo de financiar o plano de estabilização econômica do Executivo (Plano Real).

Em julho de 1996, declarou-se favorável à instituição da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que sucedeu ao Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), criado para aumentar a arrecadação do Ministério da Saúde.

Em fevereiro de 1997, manifestou-se contrariamente à emenda que instituiu a possibilidade de reeleição para prefeitos, governadores e presidente da República e, em novembro seguinte, foi também contrário ao destaque ao projeto de reforma administrativa do Executivo que aprovou o fim da estabilidade no serviço público em caso de mau desempenho do servidor ou toda vez que os gastos com pessoal fossem superiores a 60% da arrecadação do estado.

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Em 1999, em ato do PMDB na Câmara de Vereadores

Reeleito em 1998, destacou-se em defesa do cooperativismo e de investimentos prioritários em educação. É deste mandato a apresentação do projeto e a articulação para a construção do anel viário em Vitória da Conquista. Nas eleições de 2000, foi candidato a prefeito pela primeira vez, obtendo 34.001 votos, perdendo para Guilherme Menezes, do Partido dos Trabalhadores (PT), que teve 67.903 votos.

Nas eleições de 2002, Cori obteve o seu terceiro mandato como deputado federal, desta vez pela legenda do PMDB. No ano seguinte, migrou para o Partido da Frente Liberal (PFL).

Foi novamente candidato a prefeito em 2004, tendo começado favorito, mas perdeu para José Raimundo Fontes (PT). Cori recebeu o voto de 56.732 eleitores conquistenses e o candidato petista de 70.759.

Em 2006, durante o escândalo da “máfia dos sanguessugas”, que envolveu mais de 70 prefeitos e de 30 deputados num esquema de compra superfaturada de ambulâncias para municípios, com verbas do orçamento da União, Coriolano Sales teve seu nome incluído no relatório final da CPI que investigou o caso.  No dia 15 de agosto de 2006, foi o primeiro deputado a renunciar para evitar uma possível cassação e inelegibilidade em função daquele caso.

No mesmo ano da renúncia por causa do episódio das ambulâncias, Coriolano chegou a se candidata a deputado federal, mas acabou desistindo. Quatro anos depois, fez outra tentativa de obter um mandato e chegou a 4.945 em todo o estado e 3.483 em Vitória da Conquista.

Ultimamente, Cori havia optado pelo isolamento político, embora recebesse visitas de interessados em sua opinião sobre política, um tema que ele sempre dominou a partir de muita leitura, estudos e experiência empírica.

Eu acompanhei a trajetória de Coriolano Sales de perto, como acompanho todos os principais personagens da história política de Vitória da Conquista. Nenhum político conquistense alcançou o que Coriolano alcançou em termos de atuação parlamentar. Élquisson Soares e Raul Ferraz, cada um a seu tempo, foram excelentes deputados, mas só Coriolano chegou a três mandatos de deputado estadual e três de federal; dirigiu a Assembleia Legislativa e presidiu diretórios estaduais de partidos. Destacou-se em comissões parlamentares nacionais e só não chegou a prefeito de Conquista porque se atrapalhou na estratégia.

Cori foi, durante anos, uma das principais autoridades em cooperativismo, tendo sido o responsável cerebral pelo Banco do Povo de Vitória da Conquista e pelas unidades do Sicoob do município e da região. Lutou pela ampliação da oferta de cursos superiores na cidade, incluindo o fortalecimento da Uesb e a chegada de faculdades privadas, como a Unhyahna, mais tarde transformada em FTC.

Uma das mais importantes obras da história conquistense, junto com a Rio-Bahia e a Uesb, o anel viário, resultado de emenda de bancada articulada por ele, permitiu redesenhar as áreas urbanizadas da cidade e possibilitou a Avenida da Integração, que já estava prevista no projeto original e foi concretizada pelo governo petista – que teve a oportunidade de usar a obra para ganhar uma eleição justamente contra ele.

Fonte consultada: CPDOC da Fundação Getúlio Vargas.

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