A eleição de 2024 será diferente? | Fenômeno da tripolarização diz ‘olá’ na pré-campanha eleitoral de Vitória da Conquista
Um pouco sumida do vocabulário político, a tripolarização ocorreu mais de uma vez nas eleições de Vitória da Conquista, entre 1966 e 1982, quando vigorou a sublegenda, que era a possibilidade de um partido lançar mais de um candidato a prefeito. Mas, com o tempo, polarização passou a ser entendida como a disputa apenas entre dois polos, dois nomes ou partidos fortes, dificultando o surgimento de alternativas, apelidadas de segunda via. Atualmente, é um fenômeno que se registra com cada vez mais frequência.
Para quem ainda não tinha ouvido falar, recente episódio de tripolarização aconteceu no primeiro turno da eleição francesa do ano passado. No polo do centro estava o presidente Emmanuel Macron, que buscava a reeleição, conseguida no segundo turno; em outro polo, pela extrema direita sobressaiu-se Marine Le Pen, que enfrentou Macron no segundo turno; e no terceiro polo, o da esquerda radical, Jean Luc Melenchon. Outros casos podem ser encontrados no Google.



Em Vitória da Conquista, este ano, a pré-campanha faz surgir, mais uma vez, uma possível tripolarização, com a prefeita Sheila Lemos (União) tendo como competidores nos outros dois polos, a vereadora Lúcia Rocha (MDB) e o deputado federal Waldenor Pereira (PT). Isso, a despeito de o terceiro polo, justamente o mais destacado nas pesquisas de intenção de voto, ser alvo da desconsideração dos demais, que seriam, a priori, as principais forças, considerando a sua representação de poder.
A prefeita Sheila Lemos está no primeiro polo, por ser a incumbente, candidata natural à sua primeira eleição de prefeita. A recuperação da sua avaliação popular é perceptível, após período de baixa, o que a coloca como uma das favoritas na corrida, considerando o carisma e a perspectiva de realização de um grande pacote de obras – na cidade, especialmente na zona Oeste, e na zona rural.
No segundo polo, podendo também ser considerado natural, está o deputado federal Waldenor Pereira, dono de seis mandatos parlamentares, sendo dois de deputado estadual e quatro de federal. Entra na disputa com um histórico de votações significativas e o que chama de representação nacional do PT, o apoio do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, já de corpo e alma na campanha.
E o terceiro polo, quer a estrutura tradicional da política conquistense dê repercussão ou não, é a pré-candidatura de Lúcia Rocha (MDB), com seus oito mandatos de vereadora, 31 anos de política, decana da Câmara Municipal, da qual já foi presidente; quatro grandes votações em Vitória da Conquista como candidata a deputada estadual, sendo 25.161 votos no passado e 23.090 em 2018.
Tentativa de romper
Para tentar romper com os favoritismos, surge o grupo Reage Conquista, com a meta de apresentar uma chapa que supere essa tripolarização. São cinco pré-candidatos fazendo sua própria movimentação com a previsão de que nos primeiros meses de 2024 dois deles sejam escolhidos candidatos a prefeito e a vice-prefeito, para a eleição de 6 de outubro.
Os cinco nomes do Reage Conquista são, por ordem alfabética: David Salomão, advogado, ex-vereador e ex-candidato a deputado federal no ano passado, pelo Podemos; Edilson Gusmão, irmão do ex-prefeito Herzem, falecido em março de 2021; Marcos Adriano, advogado, especialista em gestão municipal, filiado ao PDT; Romilson Filho, presidente do PP municipal, empresário e ex-candidato a prefeito em 2020; e Washington Rodrigues, também advogado, radialista e apresentado pelo PL como pré-candidato.



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