Sheila Lemos espera chuvas normais na semana, mas diz que usará parte dos R$ 160 milhões se houver grandes estragos
Surpreendida em 2021 com as chuvas mais intensas no município em quase 40 anos, a Prefeitura de Vitória da Conquista teve dificuldade para dar respostas rápidas e, principalmente, consertar os estragos na infraestrutura. O período chuvoso naquela época foi da véspera de Natal a meados de janeiro e mobilizou até ministros e o Exército, que se juntaram às equipes da gestão municipal, Polícia Militar, Bombeiros, empresas e voluntários, que ajudaram no resgate de pessoas, na entrega de medicamentos e alimentos e com contribuições em forma de cestas básicas, água, roupas, calçados, itens de higiene, entre outros produtos.
Nas fotos abaixo, registros feitos nas chuvas de 2021/2022.




Nem bem havia se recuperado dos impactos da chuva anterior, em especial pela falta de recursos e da burocracia federal na liberação da ajuda financeira emergencial, a administração municipal voltou a sofrer com temporais em novembro e dezembro de 2022, também se estendendo até janeiro. E como se não bastasse, abril trouxe mais temporais, agravando a situação de pontos atingidos pelas chuvas anteriores, a exemplo de canais de drenagem e a pavimentação de ruas. Em todos os momentos, segundo a gestão municipal, o alto custo dos reparos na infraestrutura impediu ações mais rápidas. Porque não era só consertar rua, era atender pessoas, deixar as estradas trafegáveis, garantir que os espaços públicos pudessem ser usados normalmente.
Nesta segunda-feira (22), após vistoriar as áreas que mais sentiram os efeitos do temporal de ontem e madrugada de hoje, a prefeita Sheila Lemos lembra do que aconteceu e diz que desta vez a Prefeitura está mais preparada. “Naquelas chuvas os prejuízos foram muito maiores, porque foi muito mais água. No caso da infraestrutura, aquelas chuvas causaram comprometimento em parte da infraestrutura na cidade e na zona rural, com destaque para a rede de drenagem pluvial, deixando os canais precisando de reformas”, conta a gestora.


Na época, a Defesa Civil do Município encaminhou à Secretaria Nacional de Defesa Civil e para o Ministério da Integração os relatórios e os orçamentos para fazer os reparos da drenagem. “Nós recebemos uma parte do que foi solicitado em novembro do ano passado e começamos a refazer os canais do Conveima, do Vila América e da Vítor Brito. Os recursos que vieram do governo federal não são suficientes para as três obras, mas o Município vai arcar com recursos próprios para terminar todas elas”, explica. De acordo com Sheila, ainda há varias outras demandas por obras relacionadas às chuvas “que foram lançadas lá no ministério e que ainda não veio o recurso”.
Mas, agora, se as chuvas se intensificarem e causarem prejuízos à infraestrutura como das outras vezes, Sheila Lemos afirma que a Prefeitura não vai esperar para fazer os consertos, podendo usar parte dos R$ 160 milhões do empréstimo da Caixa. “Caso aconteçam estragos maiores, como nos outros anos, a Prefeitura pode sim, através do Acelera Conquista, separar algum recurso para recuperação desses locais. Quando nós fizemos o contrato de financiamento com a Caixa Econômica já deixamos uma parte que pode ser utilizada em drenagem. Pode, sim, haver essa, mudança de planos, se for necessário”, assegura a prefeita.
Ela, no entanto, tem esperança de que não ocorreram situações como as de 2021, 2022 e 2023. “A previsão que tínhamos para esta semana era de 115mm e somente ontem choveu 90mm, isso chama atenção, mas se as próximas chuvas ficarem na faixa de 25mm a 30mm de precipitação não trarão estragos grandes”. Ela ressalta que o município está preparado porque a Prefeitura fez um trabalho prévio, desde novembro do ano passado, quando começou a realizar ações preventivas como limpeza de canais e de bueiros.
“Se for uma chuva dentro da normalidade, estamos preparados, mas se ocorrer alguma anormalidade e a chuva vier a cair toda de uma vez é que nós poderemos maiores problemas no município”, acredita a prefeita de Vitória da Conquista, reiterando que, “se não for assim, podemos, sim, usar o dinheiro do empréstimo para dar respostas mais rápidas à população”.


