Eleição não é bet, seu voto não é aposta; vote como desejar, seu candidato ou candidata pode ganhar ou perder de qualquer jeito
Amanhã, na hora que o eleitor estiver na cabina de votação, em frente à urna eletrônica, caberá a ele e a só a ele, decidir em quem ou como votar. O presidente Lula não poderá fazer nada, o ex-presidente Bolsonaro tampouco. Nem ACM Neto, muito menos o governador Jerônimo Rodrigues, que lavou as mãos na eleição conquistense. Nenhum desembargador, ministro de tribunal, jurista, marqueteiro, jornalista, cabo eleitoral ou candidato, somente o eleitor, a autoridade suprema daquele espaço, dono de sua consciência, tem o direito à decisão e ao voto. Para perder ou para ganhar.
Caberá ao eleitor ou eleitora votar em que já tiver decidido votar, mesmo que nas pesquisas (algumas com erros ou mesmo falsas) o seu candidato tenha aparecido com menos intenção de voto do que era seu desejo; mesmo que um nome de fora, um medalhão qualquer, tenha dito que seu candidato pode perder.
Pode perder, sim, claro. São quatro candidatos, duas mulheres e dois homens. Se a vitória for de primeiro turno só ganhará um ou uma; se a eleição for para o segundo turno, só dois irão. É assim. Com ação judicial ou sem ação judicial, com embargo ou sem embargo, com recurso ou sem recurso. Afinal, se nada disso houvesse, seu candidato poderia ganhar ou perder do mesmo jeito.
A pergunta é: por que você escolheu votar em determinada pessoa? Foi sua consciência? Foi porque gosta do candidato ou candidata, acredita em suas propostas e competência e acha que é o melhor ou a melhor? Isso é o que vale. Quem quer votar em Marcos Adriano, por exemplo, por ter visto o seu bom desempenho nos debates, vai desistir disso agora, por que alguém mostrou uma pesquisa em que ele é o quarto lugar? Voto útil é um golpe oportunista.
A eleição não entrou na moda das bets, essa lástima que vem dilapidando a renda de milhões de brasileiras. O seu voto não é uma aposta de boteco ou instrumento para especulações de quem quer seja. Seu voto é uma propriedade sua que deve ser sustentada com fé e coragem. Qualquer que seja o resultado judicial dessa eleição, o seu voto vai valer, porque é seu voto, da sua vontade, não da propaganda, do blog, da rádio, do YouTube, do juiz, do advogado.
Seja em Waldenor, em Lúcia, em Marcos Adriano ou em Sheila. Não vai haver uma incineração do seu voto dado em quem você quiser. E esse seu voto será válido em qualquer hipótese, porque não é um volante de loteria, é sua manifestação de vontade. Valorize isso.
Seu voto só será nulo se você votar nulo, que é, saiba, o voto mais difícil de dar. Você tem que digitar dois algarismos quaisquer, que não formem o número de nenhum dos partidos existentes e apertar a tecla “Confirma”. Para constar: os números dos candidatos à Prefeitura de Vitória da Conquista, pela ordem, são 13, 15, 44 e 70.
NO MEU VOTO MANDO EU, NO SEU MANDA VOCÊ
Na eleição de 2000, em Itabuna, o governador da Bahia na época, César Borges, apoiador do candidato Fernando Gomes, discursou dizendo que Itabuna não deveria votar em Geraldo Simões para prefeito porque o voto afastaria Itabuna do grupo político ao qual ele pertencia, comandado pelo então senador Antônio Carlos Magalhães. Segundo Borges, o grupo que mandava na Bahia e o PT eram como água e óleo, não se misturavam.
A clara ameaça feita ao eleitorado itabunense levou a uma reação da campanha de adversária, que lançou a mensagem “No meu voto mando eu”, logo adotada como justa reação por eleitores indecisos e por muitos dos que estavam com Fernando e não aceitaram a imposição. Geraldo Simões venceu.
E isso vale para qualquer eleição, inclusive esta nossa. No meu voto mando eu, nenhum advogado, nenhuma ameaça, nenhum adjetivo, por mais impactante que pareça ser.


