Julgamento no TSE | Uma nova eleição em Conquista é possível, mesmo contra a vontade da maioria

Julgamento no TSE | Uma nova eleição em Conquista é possível, mesmo contra a vontade da maioria

Não esperem do jornalismo outra coisa: se há um fato, ele pode ser mencionado; se há possibilidade de acontecer algo que afete a sociedade, ela não deve ficar oculta. Cabe ao jornalista que observa partilhar o que vê e sabe, sem inventar, sem aumentar, sem tirar nada.

Antes, e a propósito, uma citação atribuída mais comumente ao jornalista e editor americano William Randolph Hearst (1863-1951), diz que “jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”.

Nessa toada, o BLOG tira o véu que cobre um assunto delicado neste momento da política conquistense: pode ser que os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidam que Vitória da Conquista deve realizar nova eleição para prefeito.

Antes de prosseguir, ressaltamos que, a despeito de poder ser colocada na conta da legislação e da interpretação dela pelos magistrados superiores, uma decisão do TSE no sentido de tornar anulada a eleição, será como espancar a vontade popular manifestada pela maioria nas urnas.

A história que fica da eleição de domingo está nos números: 50.955 pessoas da 39ª Zona Eleitoral, 17.293 da 40ª e 48.240 da 41ª votaram pela reeleição da prefeita Sheila Lemos (União Brasil). Total: 116.488 votos, 58,83% do total de válidos, 120% a mais do que teve o segundo colocado, Waldenor Pereira (PT), que chegou a 26,74%.

Entretanto, o fato é que a eleição para a Prefeitura de Vitória da Conquista está em suspenso, enquanto aguarda o julgamento dos ministros do TSE. As duas possibilidades de definição são:

1. O TSE dar provimento ao recurso da prefeita contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) de indeferir sua candidatura por 4 votos a 3, o que originou a anulação dos seus votos, e considerá-la eleita no primeiro turno, apta a ser diplomada e empossada;

2. O TSE negar o recurso, mantendo o julgamento do TRE-BA, e convocar nova eleição, em um prazo de 20 a 40 dias.

Decerto que o corpo jurídico responsável por cuidar desse assunto para a prefeita Sheila Lemos a tranquiliza em relação ao que será decidido. A confiança de que os ministros do TSE acolherão os argumentos já apresentados pela defesa é geral no grupo sheilista.

Pelo lado da oposição, representada especialmente pelo candidato do PT, Waldenor Pereira, que já voltou a Brasília para retomar as atividades de deputado federal e, ao mesmo tempo, iniciar articulações de olho no Tribunal Superior Eleitoral, há quem ainda acredite em proclamação da vitória do segundo lugar na eleição, como, equivocadamente tem se expressado alguns jornalistas.

Afastada a remotíssima hipótese acima, não sendo Sheila Lemos proclamada vencedora, uma nova eleição – e não um segundo turno -, será marcada para que os conquistenses decidam quem querem na Prefeitura a partir de janeiro de 2025.

O que muda em uma nova eleição? Pode mudar tudo, porém o mais certo é que a prefeita não poderá participar, pela mesma razão que deu causa à ação pela sua inelegibilidade. Neste caso, uma nova chapa deve ser apresentada aos eleitores.

Na hipótese de isso precisar acontecer, não apenas o União Brasil, partido de Sheila, mas qualquer outro que tenha feito parte da coligação poderá ter candidato a prefeito.

O mesmo vale para o lado dos adversários da prefeita. As coligações que existiram até 6 de outubro podem se repetir, como podem se formar outras. No caso do Avante, por exemplo, o partido, que saiu sozinho, pode manter Marcos Adriano, assim como pode migrar para qualquer lado.

A incerteza sobre o resultado do julgamento é gigantesca na parte mais prejudicada nesse impasse, a sociedade, mas, ganha quem apostar que a possibilidade de uma nova eleição ocupa as mentes dos políticos envolvidos.

No grupo sheilista todo mundo espera a posse dela e bate na madeira para qualquer alternativa que não seja essa. Mas, repito, ganha a aposta quem disser que uma nova eleição traz salpicos de preocupação e gotas oceânicas de especulação.

Quem pode ser candidato? Sheila escolherá? Se essa infeliz opção de nova disputa acontecer, Doutor Alan galga a posição principal? Daí começa outra fila de pré-candidatos a vice? Haverá outro ungido? Outros partidos se sentirão com direito de lançar nomes?

A Federação Brasil da Esperança, diante do desastre do primeiro turno, arriscaria de novo com Waldenor? Manteria a vice? Apelaria para o consagrado Guilherme Menezes? Não haveria chance de insurreição de partidos coligados?

E Lúcia Rocha, tem fôlego para voltar à luta? A falta de apoio político e o desgaste com candidatos a vereador teriam sido prejuízos grandes o suficiente para tirar o MDB do páreo?

Enfim… A maioria dos eleitores, simbolizando a maioria dos conquistenses, afirmou claramente querer Sheila Lemos eleita, diplomada e empossada em 1⁰ de janeiro de 2025. Garantir isso seria respeitar a vontade de uma população que elegeu, pela primeira vez, uma mulher prefeita.

Mas, não se pode negar que uma nova eleição pode acontecer. E é certeza que os políticos estão pensando nela. A população, está pronta?

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