No mesmo voo | Se quiserem, Waldenor e Sheila poderão fazer Conquista ir cada vez mais longe – e eles também

No mesmo voo | Se quiserem, Waldenor e Sheila poderão fazer Conquista ir cada vez mais longe – e eles também

O voo 4330 da Azul que pousou nesta terça-feira (20), pouco antes das 13h30, no Aeroporto Glauber Rocha, vindo de Salvador, trouxe a prefeita Sheila Lemos (União) e seu adversário na eleição de outubro, o deputado federal Waldenor Pereira (PT). Eles não se falaram quando se viram no avião, nem na viagem e nem ao desembarcar.

Mas, o BLOG, meio supersticioso e profético, arrisca que a coincidência de os dois retornarem a Conquista no mesmo avião no dia seguinte à decisão do ministro André Tavares, do TSE, que confirmou a eleição de uma e adiou o sonho do outro, pode ser um sinal de que a política conquistense poderá ter voos mais tranquilos a partir de 2025, não com céu de brigadeiro, mas sem as turbulências assustadoras que nós, cidadãos-passageiros, atravessamos nos últimos dois anos.

Afinal, Sheila foi cobrada por Waldenor de que poderia ter feito muito mais do que fez em seu primeiro mandato, e o deputado foi cobrado pela prefeita de que poderia ter contribuído mais, com emendas direcionadas a obras e serviços municipais.

Quem acompanhou a gestão de Sheila Lemos, um desafio que lhe coube pela lamentável perda do ex-prefeito Herzem Gusmão, sabe que teve um começo cambaleante, como não poderia ser para uma gestão que não foi pensada, com a prefeita tratando os primeiros três meses com extrema delicadeza – porque ainda se tratava do governo de Herzem -, para, aos poucos, ir fazendo os ajustes, entendendo a máquina administrativa e vencendo dúvidas, caprichos e preconceitos.

Porém, mais à frente, lançando mão do mesmo instrumento que J. Pedral, Guilherme Menezes e Herzem Gusmão, o financiamento bancário, ela reagiu a tempo, compensou erros de sua equipe que quase a jogaram no limbo, e acrescentou a uma governança de serviços básicos e atenção social razoável, obras de que ajudam a modificar setores da cidade que sofriam com a ausência de urbanismo, ações que ajudaram a dar a Vitória da Conquista o título de melhor cidade da Bahia para se viver e uma das mais organizadas do país.

E quem acompanha os 22 anos de mandato parlamentar de Waldenor, dois de deputado estadual e quatro de deputado federal, sabe que ele tem sido atuante, a despeito de sua estratégia regional inicial ter dado, por muitos anos, a municípios muito menores que Conquista, como Maetinga, Jacaraci e Riacho de Santana, o mesmo peso e importância política de sua base principal, onde ele obteve 70% (24.304) dos 33.338 votos da primeira eleição à Assembleia Legislativa.

O próprio Waldenor insistiu em sua propaganda eleitoral como candidato a prefeito que conseguiu com emendas e ação parlamentar trazer para Vitória da Conquista mais de R$ 80 milhões em quatro anos. E isso em uma relação de embate quase pleno com os administradores municipais. Pensemos em como seria se ele e a gestora que assumirá em janeiro de 2025 olharem com o mesmo interesse as demandas que a cidade e a zona rural ainda acumulam. Waldenor é um nome do PT nacional, com respeito da bancada e trânsito nos andares principais do Palácio do Planalto e, pode, sem qualquer dúvida, ter ainda mais presença como deputado para o município.

Evidente que não se espera de Waldenor e Sheila um relacionamento político de abraços e elogios públicos, mas um entendimento focado no interesse coletivo, no desenvolvimento da cidade e na melhoria da vida das pessoas é possível sim. Mais: é necessário. E o que ganharia cada um deles? Embora não devesse ser esse o objetivo primordial do trabalho de políticos com mandato, é certo que suas ações também têm o papel de lhes ajudar eleitoralmente.

Sheila, que só pode ter esse mandato como prefeita – a não ser que tente voltar em 2032 -, ganharia com a possibilidade de assegurar a realização das obras que estão em seu planejamento e assim fortalecer a sua imagem de gestora eficiente, para ladear o fato histórico de ser a primeira prefeita eleita de Vitória da Conquista.

E Waldenor, que viu Vitória da Conquista lhe cobrar um contato mais amiúde, mais presença, mais pertencimento, poderá agregar ao seu currículo o mérito de melhor deputado federal da cidade (título que ainda é de Coriolano Sales) e então poder se apresentar de novo, com lastro e o olhar limpo de quem cumpriu a palavra.

O muito, muito, muito que falta a Vitória da Conquista terá respostas mais rápidas com os dois no mesmo voo, cada um em sua fileira ideológica e poltrona política.

E não me venham com etarismo, sexismo e que tais. Vitória da Conquista é maior.

Como dizia o pré-candidato Maycon Santos, “uma nova Conquista é possível”

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