Com apoio do poder público municipal tradição dos Ternos de Reis permanece viva e se renova em Vitória da Conquista
Uma tradição que data dos anos 1920, quando chegou a Vitória da Conquista, a folia dos Ternos de Reis ganhou no início dos anos 2000 o apoio do poder público municipal, que passou a incluir os grupos na apresentação do Natal da Cidade, e a dar ajuda na sua organização e manutenção. Desde então, a Prefeitura inclui os Ternos de Reis na grade de atrações do Natal Conquista de Luz, mesmo que em quantidade menor que no começo do resgate desse folguedo no município.
As apresentações dos grupos de Reis se tornaram uma tradição dentro da tradição. A tradição cultural, que remonta a cerca de 100 anos, e a tradição de uma festa que, mesmo mudando de nome entre a gestão do PT e a de Herzem Gusmão, se consolidou no calendário turístico-cultural da cidade e estimula a renovação nos grupos e até a criação de novos.
Na programação de ontem (14) do Natal Conquista de Luz, na Praça Tancredo Neves, o jornalista Edgard Neto e o fotógrafo Ney Ferraz, da Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), identificaram um exemplo dessa renovação que pode ser colocada na conta do apoio da Prefeitura, que acontece há mais de 24 anos.
A matéria publicada no site da Prefeitura fala de encontro de gerações e apresenta Pedro Antônio Paiva, de 18 anos, mestre do Terno de Reis Memórias Resgatadas, do distrito de Pradoso. Pedro contou que a admiração pelo folguedo vem desde que ele era pequeno, por isso há três anos decidiu formar o grupo.
“Fomos atrás de material e instrumentos que hoje em dia são difíceis de encontrar, convidando outros a participarem. Muita gente não acreditou no início, mas já estamos no segundo ano apresentando aqui na Praça Tancredo Neves”, relatou Pedro, que tinha apenas 16 anos quando começou a liderar o Terno de Reis que criou com amigos.
Um desses amigos, Ramon Silva, tem a mesma idade de Pedro e diz que o trabalho de pesquisa para formar o Terno de Reis Memórias Resgatadas foi realizado sobre os paramentos (vestes) e a cultura do reisado. “Como o nome do grupo já diz, são memórias resgatadas. Conversamos com os mais velhos da comunidade, que nos passaram instruções sobre como eram os ternos”, explicou Ramon.
Para os dois, é diversão e é compromisso “É uma tradição bonita que não podemos deixar morrer. Devemos lembrar das tradições mais antigas enquanto vivemos o hoje”, destacou Pedro, o mestre.



No mesmo espaço e com o mesmo entusiasmo dos dois jovens, vestido de camisa dourada, com uma fita azul e chapéu enfeitado com fios de prata, Sinvaldo Gomes Ribeiro, 77 anos, mestre do Terno de Reis Santa Bakhita, do Assentamento Cedro. Ele começou no Terno de Reis praticamente com a mesma idade de Pedro e Ramon e já são mais de 60 anos de folia, um do pai e do avô.
Há anos ele e seu grupo se apresentam na festa de Natal da Cidade e fala com gratidão dessa oportunidade. “O povo e a Prefeitura nos abraçam, e estamos bem, graças a Deus! Procuramos incentivar as próximas gerações a manter esta tradição”, declarou Sinvaldo.
A magia dos Ternos de Reis estará presente na praça Tancredo Neves também neste domingo (15), a partir das 19h00, e na próxima quarta-feira (18), estendendo as apresentações até o dia 22 de dezembro. No dia 6 de janeiro, os Ternos de Reis participarão de um grande encontro na mesma praça, em celebração aos Santos Reis Magos.



FONTE E FOTOS: SECOM/PMVC

