Quinho de Belo Campo antecipa discussão sobre 2028 e diz que quer ser prefeito de Vitória da Conquista. Mas, será que dá?
No dia 13 de fevereiro acontecerá a eleição para a nova diretoria da União dos Municípios da Bahia (UPB) e será o fim do mandato do presidente José Henrique Silva Tigre, conhecido como Quinho, ex-prefeito de Belo Campo, que realizou uma gestão marcada pelo arrojo e pela busca de inserção nacional e holofotes estaduais.
Antes de encerrar seu mandato à frente da UPB, Quinho realizou a oitava edição do Encontro de Prefeitos e Prefeitas da Bahia, um evento grandioso, com mais de 380 prefeitos, que ocorreu ontem (30) e anteontem em Salvador. Pode-se dizer que ele fechou com chave de ouro a sua passagem pela presidência da entidade.
Agora, ele vai tentar colher os louros eleitorais, pois é pré-candidato a deputado estadual, desafio que não será vencido apenas pelo fato de ter sido duas vezes prefeito de Belo Campo. O município governado durante oito anos por Quinho tem 15.670 eleitores. Mesmo que todos decidam votar nela em 2026, ainda faltaria muito. A última deputada eleita pelo PSD, partido dele, em 2022, Claudia Oliveira, teve 49.944 votos. Aplique aí uma estimativa, por baixo, de 10% a mais para 2026.
Por isso, a UPB foi importante para Quinho. Certamente ajudou a lhe dar capilaridade no estado. Mas, ele tem um desejo especial: ser bem votado em Vitória da Conquista. E está otimista de que pode conseguir. Usa o exemplo da mulher para alimentar a esperança. Léia de Quinho, como se apresentou ao eleitor Dirleia Santos Meira, teve 4.272 votos. Isso chega perto da votação do marido na eleição de 2020 em Belo Campo: 5.570 votos.
A campanha dela está sendo investigada pela Polícia Federal por suspeitas que vão desde transferência fraudulenta de eleitores de Belo Campo para Vitória da Conquista, compra de votos e desvio de recursos de financiamento eleitoral com utilização de candidatas laranja. Esse é o primeiro obstáculo a ser vencido pelo casal para que Quinho mantenha o sonho da boa votação em Vitória da Conquista.
Na sua corrida, ele conta com a amizade do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que foi generoso com Quinho durante a maior parte do seu mandato, dos senadores do PSD, Otto Alencar e Ângelo Coronel, e de uma lista grande de personalidades da chamada base governista baiana.
Em Vitória da Conquista, os espaços vão se abrindo aos poucos. Quinho tem uma enorme facilidade de assumir pautas já existentes, para amplificar e dar um toque pessoal. Um exemplo é a ideia da criação da Região Metropolitana do Sudoeste da Bahia, apresentada pelo vereador Ivan Cordeiro (PL). No lançamento da proposta, em novembro do ano passado, ele estava lá, ao lado da prefeita Sheila Lemos, com dupla representação: prefeito de Belo Campo e presidente da UPB. Agora, ele não para de falar na RMSB.
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Região metropolitana, duplicação da BR-116, Léia vereadora, Quinho se oferecendo para ser ponte entre o legislativo municipal e estadual, falar em desenvolvimento de Conquista, se candidatar a deputado estadual, tudo isso tem uma meta: ser prefeito da capital regional, cidade mais de 20 vezes maior em população e pelo menos 50 vezes mais forte economicamente do que a aprazível e hospitaleira Belo Campo.
O desejo de José Henrique Silva Tigre de dar um salto biográfico excepcional é legítimo. Para ser candidato, legalmente, ele só precisa transferir o título de eleitor e o domicílio eleitoral (sem pressa, o prazo é de seis meses antes da eleição), comprovar seu vínculo com o município e estar com situação regular perante a lei.
Para ser prefeito, no entanto, tem muito mais detalhe no caminho do que todos os quilômetros que ele já percorreu vindo de Belo Campo para apreciar um churrasco do Los Pampas ou um risoto do Le Petit Bistrô, em Conquista. Terá que paparicar mais do que ser paparicado, como foi recentemente por Ivan Cordeiro e Luís Carlos Dudé (cuja chance de fazerem tudo para impedir a realização do sonho de dele é perto de 99,5%).

E, claro, superar o processo judicial e a ação da Polícia Federal e assegurar o mandato de Léia na Câmara de Vereadores.
Quinho sabe que o mandato da mulher poderá lhe dar relevância. Ele já deu mostras de que vai colar nela, para ajudar no desempenho do mandato e ganhar com os reflexos nele. “Estrategicamente pensado, minha esposa é a vereadora mais votada de Vitória da Conquista. Nós tivemos votação expressiva nos diversos municípios da região, nos articulando já para que tenhamos a força de chegar à Assembleia Legislativa em 2026 e, em 2028, disputar robustamente uma eleição para prefeito de Vitória da Conquista”, afirmou em recente entrevista a um site da capital.
José Henrique disse: “Eu me preparei ao longo desses oito anos, primeiro na condição de prefeito de Belo Campo, fazendo um trabalho que pudesse aparecer em Vitória da Conquista”. E disse confiante. “E é claro que eu tenho interesse em chegar lá. Vou para a Assembleia Legislativa e, a posteriori, quero disputar as eleições de Conquista”.
Mas precisa combinar com os russos. Mesmo com o resultado da eleição de outubro ruim, Waldenor não disse que saiu do páreo, e ainda tem Xandó, Viviane, Fernando Jacaré, só para citar os parceiros petistas.


