Natan da Carroceria e o caminhão de mágoa do Avante, ou: A incrível história de um partido contra si mesmo
O Avante, que passou a ter esse nome em 2017, começou como Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), após rompimento com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que veio a se tornar Partido da Renovação Democrática (PRD), após fusão com o Patriotas. Em Vitória da Conquista nunca foi nada, nem como PTdoB. Surgiu quando o ex-deputado Ronaldo Carletto assumiu o partido na Bahia e atraiu ex-correligionários do PP e políticos do PSD ligados a ele, como o atual presidente da agremiação, Gilzete Moreira, ex-vice-prefeito do município e ex-vereador por três vezes.
No ano passado, o Avante aceitou a filiação e a candidatura do advogado Marcos Adriano. Mas, parece ter sido desamor à segunda vista. O candidato a prefeito ficou só, não teve ajuda financeira do partido, formou a chapa de vereadores sozinho e depois, como dizia Carlos Massaranduba, do Casseta e Planeta (que a nova geração não viu): porrada!
O Avante elegeu um vereador, Natan da Carroceria. Mas, ao invés de festa, como fizeram União, PT, PCdoB, PSDB, PSD, PL, Republicanos, MDB, PDT, PP e PSB, que elegeram os demais 22, o partido passou a subsidiar a Federação formada por PT, PCdoB e PV, que entrou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) alegando fraude de cota feminina do Avante, baseada na votação de uma das candidatas a vereadora, que só teve um voto e, comprovadamente, não foi dela.
Vitória da Conquista foi o único dos cinco maiores municípios da Bahia onde o Avante elegeu vereador (Salvador, Feira de Santana, Camaçari e Juazeiro, zero). Mas, o partido abriu mão. Nem uma linha ou gesto no sentido de garantir o mandato obtido.
E dá sinais claros de que não é por causa da lei, mas, dizem os que conhecem de perto a refrega, se trata de mágoa com quem conduziu a campanha. Mais mágoa do que cabe em uma carroceria de caminhão.
Representantes do Avante (oficiosamente, ao que se saiba) passam material sigiloso da ação para blogs e fazem todo tipo de torcida para que a Federação vença a ação, como ocorreu na instância local (39ª Zona Eleitoral) e pode se repetir no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em julgamento que deve acontecer em abril. Neste caso, todos os votos dados ao Avante para vereadores serão anulados e a recontagem conduzirá a candidata da Federação, Delegada Gabriela Garrido (PV), à cadeira que hoje é ocupada por Natan da Carroceria.

