TV Sudoeste 35 anos, houve um começo e eu estava lá. Parabéns à emissora, pela história e pela contribuição à região

TV Sudoeste 35 anos, houve um começo e eu estava lá. Parabéns à emissora, pela história e pela contribuição à região

Esta semana, a TV Sudoeste completa 35 anos no ar, um tempo de importante contribuição à informação e ao desenvolvimento de Vitória da Conquista e da região Sudoeste.

O Facebook me trouxe a lembrança de uma publicação que fiz em 2018 com fotos da primeira equipe de jornalismo da emissora. Eu estava lá, como chefe de reportagem.

Hoje, revirando minhas coisas ao limpar gavetas, achei um caderno com anotações das reuniões de formação do jornalismo da emissora, com as orientações do enviado da Rede Globo, Raul Bastos, e de Carlos Ribas, encarregado da Rede Bahia na etapa de implantação, não apenas da TV Sudoeste, mas da TV Oeste e da TV Norte (atual São Francisco), que também tiveram a minha participação e a mais que notável e fundamental parceria de Zé Raimundo, ex-global e sempre Vitória.

Os ensinamentos repassados por Raul Bastos, que dirigia o Projeto de Desenvolvimento do Telejornalismo das Afiliadas (Prodetafi) da Globo, ainda têm grande valor, são dicas que podem ajudar qualquer profissional de TV a melhorar, se quiser. A liderança de Ribas, que ficou quando Raul foi embora, e depois foi responsável pela implantação do jornalismo da TV Oeste e da TV Norte, deu à turma que começou todos os caminhos para o excelente trabalho que Vitória da Conquista testemunhou há três décadas e meia.

Na fotos dos primórdios, Luiz Quadros (in memoriam), Rubens Sampaio (atrás de Luiz), Ribas, Sílvia Gabionetta, Ailton Andrade, Paulo Ludovico (in memoriam), e eu. Na cena, fitas U-Matic, um mapa de parede e máquina de datilografar para quem nunca viu
Rossane Nascimento, Edmar Mendes, Ribas, o professor, Ailton, de novo, Jorge e Bolivar

Eu trabalhei na TV Sudoeste em dois períodos. Comecei meses antes de o sinal entrar no ar, o que aconteceu no dia 1º de abril de 1990. Lembro de o então governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, passar por mim no corredor da emissora, tocar no meu ombro e dizer: “Façam um bom trabalho”. Depois de ter saído, em 1992, por absoluta indisciplina, retornei como Chefe de Redação em 1995 e fiquei até 1997 (sou dessas brevidades, não sei se para o bem ou para o mal, embora nem seja sempre eu que decida a hora).

Trabalhar em TV era muito bom e, para nós, que fazíamos tudo com precariedade de equipamentos e uma equipe que aprendia no realizar, foi mais que um desafio, uma escola maravilhosa. Muita gente começou e aprendeu lá o ofício que exerce até hoje.

Acho que é um caso extraordinário o treinamento que Ribas criou antes de a TV ter sequer uma câmera. A equipe recebia pauta, ia para a rua, cinegrafista filmava, operador de VT cuidava de som e fita, repórter entrevistava, fazia passagem e entregava matéria ao editor, que editava sem imagem, sem som, só a imaginação e o interesse de aprender e fazer. Incrível. Tem gente que, hoje, mesmo contando com os melhores equipamentos à mão, internet rápida, tudo no Google, Inteligência Artificial, ensinamentos da faculdade, não entrega o melhor.

Lembro dos verdadeiros sacrifícios para produzir matéria para um bloco do BATV, enviar material para a TV Bahia, com apenas um equipamento e ainda ter que subir a Serra do Periperi até a antiga Embratel para fazer a geração. Por isso, um dia tive que dizer algo forte ao Chefe de Redação da TV Bahia, um imperial Zenildo Bezerra (se não erro o nome). Mesmo assim, ainda encaixávamos matéria estadual e nacional. Com louvores.

No meu tempo de Chefe de Redação já podíamos ousar mais. O diretor da TV, à época, administrador e radialista Marcos Ferreira, entendia a linguagem e permitia nosso crescimento. Assim é que, por conta nossa, criamos um boletim (flash) para o longo da programação, inspirados no que se fazia na GloboNews, que era estreante na TV a cabo. Claro que a TV Bahia proibiu o boletim; hoje todo mundo faz. Fizemos bloco a mais de BATV e entramos no ar no Bahia Meio Dia antes da hora, entre outros

Um episódio me marcou muito. Vitória da Conquista copiara uma ideia da TV Santa Cruz – que foi a primeira TV do grupo no interior da Bahia -, que fazia muito sucesso: o programa Somos Nós. Uma aposta de Marcos Ferreira, Paulo Ludovico e Marcelo Santiago. Quando cheguei para minha segunda etapa na Sudoeste, em 1995, o programa era gravado. Um dia, chamei Marcelo e propus fazermos ao vivo. Ele pensou e respondeu com aquele jeito de falar com a língua colando nos dentes: “Eu topo”. Claro que ele ouviu o chefe. E lá fomos nós.

O tema: internet, a novidade que chegava a Conquista nas costas de uma tartaruga. Fizemos um entendimento com um provedor local da época e fomos à empreitada. Luciana Nery na apresentação e o repórter Plauto em uma praça da cidade para entradas da rua. Deu certo, mais ou menos.

A equipe técnica nota 10, a equipe de jornalismo nota 10, a internet nota 3. Luciana lia notícias do UOL, chamava Plauto ou alguma matéria gravada, comercial etc. e avisava que voltaria com novas notícias tiradas direto da internet. Na volta, nada de atualização da página. Colocávamos o endereço de e-mail na tela e pedíamos para as pessoas enviarem mensagem a Luciana, mas se algum e-mail abriu eu não lembro.

Mas marcou, e a experiência nos fez andar mais e melhor, porque o ‘ao vivo’ a gente já dominava desde a primeira micareta. Quem viu, sabe que foi show. E se estivesse lá dentro do switch iria achar mais show ainda ver o pessoal da direção de TV orientando câmeras, repórteres, luz, tudo pelo microfone, para um local quase dois quilômetros distante.

Tem mais histórias, algumas muito especiais, mas vou parar aqui, pois acho que ninguém – a exemplo da própria emissora – tem o mesmo entusiasmo que eu com elas.

É isso. Parabéns à TV Sudoeste e ao grupo cujo trabalho a mantém importante para Vitória da Conquista.

P.S.: Tem um Jornal da Mala, produzido em 1990, com momentos dos bastidores, que é simplesmente sensacional.

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