Fé e futebol | Ederlane diz que o Vitória da Conquista conta com o poder de Deus para subir, e que já teria desistido se não fosse teimoso
No dia 12 fevereiro de 2016, o Esporte Clube Primeiro Passo era o vice-campeão baiano e já tinha feito dois jogos na competição daquele ano, com dois empates, um em Guanambi, contra o Flamengo local, e outro em Salvador, contra o Vitória. Os sinais não eram bons, menos de um ano depois que o time conseguiu chegar à final contra o Bahia.
Naquele dia de 2016, o BLOG entrevistou o presidente do Vitória da Conquista, Ederlane Amorim e ele, apesar do começo ruim, estava otimista com o clube. Mantinha o entusiasmo do ano passado. Quando o BLOG perguntou aonde imaginava que chegaria o clube que ele fundara em janeiro de 2005, Ederlane respondeu: “E onde a gente vai chegar? Não sei se vai ser este ano, mas antes era Tóquio, onde a final do Campeonato Mundial de Clubes acontecia, agora é Dubai. O nosso objetivo é chegar o mais distante possível, ainda que possa parecer loucura, utopia, mas estamos com esse foco e esse objetivo.”
Claro que ele falou de chegar ao Mundial de Clubes como simbolismo, para dar ideia da grandeza do seu sonho. É legítimo e bom sonha, ter planos. O problema é quando o futuro vem mostrar que mesmo simbólico, um sonho pode ser desmontado pela realidade. E em 2022, veio a fatalidade, o time conquistense caiu para a série B, a segunda divisão do Baianão.
Este é o terceiro ano que o ECPP Vitória da Conquista tenta voltar para a divisão principal. No ano passado, ficou em sexto lugar e longe de voltar para a série A. Naquele campeonato, começou pior do que este ano: empatou a primeira contra o Grapiúna, fora, e perdeu para o Colo Colo em casa. Vitória só nas rodadas 7 e 8, contra Leônico e Feirense.
Este ano, o time começou com um empate em casa, com o Ypiranga, e uma derrota para o Fluminense, em Feira de Santana. Domingo (11) enfrentará o Itabuna, no Estádio Antônio Carneiro, em Alagoinhas. O Itabuna é o primeiro colocado na competição, venceu as duas primeiras partidas. Vencer – ou pelo menos não perder – pode significar que se não tem mais como sonhar com o Mundial de Clubes, o Vitória da Conquista, que está em 8º, em uma competição 10 clubes, pode sonhar com o acesso à Série A, no mínimo, fica longe de ser rebaixado.

Esta semana, voltamos a falar com Ederlane e percebemos que o pensamento dele não mudou muito sobre as possibilidades do Vitória da Conquista. Se a anos-luz do Mundial de Clubes, contudo, ele ainda acredita que o time voltará à elite do futebol baiano e a aparecer no cenário nacional, apesar das dificuldades financeiras (e ainda o baque da perda de Zé Roberto, um baluarte e apoio sólido que o dirigente tinha).
Ao ser perguntado se a meta este ano é buscar não cair, ele respondeu: “Não tem rebaixamento nesta competição, subir é o foco. Vamos atrás”. Mas, na avaliação dele, essa possibilidade não está nas condições do time, no poder dos jogadores ou dos dirigentes – depende da misericórdia divina.
Sobre o time, Ederlane Amorim explica que foi montado com a maioria de jogadores de Vitória da Conquista e do Sub-20, com apenas oito atletas de fora. Ele vê três times como favoritos e diz que o ECPP é franco-atirador. “Fizemos um time muito modesto para a disputa dessa competição, mas mesmo que não sejamos favoritos, como é Fluminense de feira, Bahia de Feira, Itabuna, times de maiores investimentos para competição, queremos subir.
“Fizemos uma pré-temporada razoável, considerando as dificuldades; apresentamos o treinador faltando três dias para o início da competição, então, somos franco atiradores. Mas, acreditando, principalmente, no poder de Deus. É só só nele mesmo. Pela força do homem, aqui, não talvez não teríamos as condições nem de estar disputando essa competição”.

Ederlane reclama das dificuldades de todos os anos. “Não está sendo fácil. Estamos jogando duas competições, o Sub-20 e o profissional, e é muita dificuldade. Se eu fosse menos teimoso, não estaria nem participando mais dessas competições. Já era para eu ter parado, desde quando nós rebaixamos”, diz o criador do ECPP.
As contas não fecham, afirma, prevendo que terminará o campeonato devendo. “Vou trabalhar com um déficit grande. Quando acabar o campeonato, tudo que eu tenho para receber e tudo que eu tenho para pagar, dará um déficit de quase R$ 200 mil reais, por baixo. Porque não tive o apoio necessário e que eu esperava ter quando eu fiz a inscrição para a competição. Porque você tem que fazer dois meses antes e eu fiz ainda sem orçamento. A Prefeitura ajudou, mas diminuiu o valor em relação a 2023. Ajudou com R$ 50 mil, menos o ISS, ou seja R$ 47 mil. Pelo menos dessa vez já pagaram, já quitou e é o que está fazendo a gente caminhar”, conta.
Apesar de tudo, ele ressalta que não desiste de fazer o possível para tentar resgatar a história e a trajetória do clube, que, diz, começou a despencar a partir do rebaixamento, em 2022. “Mas, vamos fazer nossa parte. Estamos trabalhando, treinando, cumprindo o nosso papel de instituição, respeitando o campeonato, as entidades que administram a competição e buscando performar dentro dos jogos. É o que é o que nos resta, não ficar lamentando, nem comemorando, apenas seguir com o trabalho, respeitando a roda gigante, uma hora você está em cima, outra hora você está embaixo.
Para ele, “assim é o futebol, assim é a vida. Então, vamos seguir com a nossa filosofia, implantada há mais de 20 anos. E o resultado a Deus pertence. Os nossos planos não são os do Senhor”, concluiu Ederlane.
DETALHE
O primeiro jogo do Vitória da Conquista, no dia 30 de abril, quando empatou com o Ypiranga (0 x 0), no Lomanto Júnior, apenas 335 pessoas pagaram ingresso, gerando renda de R$ 4.520,00. Depois das despesas descontadas (arbitragem – incluindo transporte e hospedagem -, auxiliares, delegados, fiscais, entre outras), o ECPP Vitória da Conquista ficou com uma conta a pagar de R$ 5.672,99.


