Hospital Esaú Matos agoniza, falta de viadutos provoca fatalidades, enxurradas inundam ruas. Não é só a duplicação da BR

Hospital Esaú Matos agoniza, falta de viadutos provoca fatalidades, enxurradas inundam ruas. Não é só a duplicação da BR

Enquanto empresários e a maior parte dos políticos de Vitória da Conquista reclamam porque a duplicação da BR-116 deverá começar do ponto onde parou, no povoado de Paraguaçu, e chegar ao trecho da rodovia que atravessa a cidade somente em 2033, e priorizam esse debate como se fosse o mais importante para a comunidade, outras demandas, que atingem diretamente a população, carecem de apoio, de articulação política e força coletiva.

Um exemplo é o que acontece quando chove na cidade. Áreas do centro são tomadas pela água que desce da Serra do Periperi ou pelo acúmulo em pontos onde a drenagem não comporta o volume das chuvas, alagando ruas, causando prejuízos e transtornos para donos de veículos, comerciantes e moradores, também na periferia, onde a infraestrutura ainda é comprometida. A cada chuva, percebe-se que o problema se amplia, atingindo mais vias. A solução custa mais de centena de milhões de reais. É uma questão que demanda articulação política e social.

Outro é a segurança no anel viário e outros pontos da BR-116 dentro da cidade, onde os acidentes, muitos com vítimas fatais, são uma constante. A travessia de pedestres ou o simples uso da rodovia por ciclistas e motociclistas são um risco frequente, a indicar que viadutos e travessias elevadas (passarelas) são mais que necessários. Estão previstos na concessão que será leiloada nos próximos meses, mas podem ser feitos pelo governo federal, como já ocorre em outros municípios.

Já o Hospital Municipal Esaú Matos, que já foi considerado um dos melhores do Nordeste do Brasil em atendimento de saúde materno-infantil, especializado em partos pré-maturos e o único da Bahia com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal (foto), agoniza, sufocado por problemas financeiros.

A unidade atende milhares de mãe de Vitória da Conquista e de 76 municípios pactuados da região Sudoeste, além de 27 do estado de Minas Gerais E tudo isso praticamente apenas com dinheiro do Município que, por sua vez, demonstra que não tem o hospital como sua principal prioridade.

O Esaú Matos é gerido pela Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista (FPSVC), supervisionada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), sendo que a sua receita, de acordo com a lei 1.785/2011, que criou a entidade, se constituem de:

I- recursos provenientes do contrato de gestão entre a Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista e a Secretaria Municipal de Saúde;
II – recursos oriundos de convênios, acordos, contratos e instrumentos congêneres celebrados com os entes da Administração Pública direta ou indireta, e entidades públicas ou privadas, nacionais ou internacionais, respeitada a disposição do parágrafo 2° deste artigo;
III- doações, legados e outros recursos que lhe forem destinados por pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado.

Os viadutos, a macrodrenagem e o Esaú Matos são demandas às quais a articulação coletiva e a genuína demonstração de interesse de pessoas, políticos e entidades podem dar respostas. Em relação ao hospital municipal, cuja situação emergencial não pode ser vista com simplificação, é possível que um pouco mais de esforço da gestão da Fundação e de solidariedade das grandes empresas da cidade, já dariam um alívio.

Emendas parlamentares de qualquer valor (não apenas de deputados); a inserção no programa Sua Nota é um Show de Solidariedade, por onde pessoas físicas podem ajudar; campanhas municipais de associação; maior aporte da Prefeitura; solidariedade. São caminhos para dar uma resposta à crise do Esaú Matos.

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