Opinião | Por que será bom para Vitória da Conquista se a prefeita Sheila Lemos se somar a Waldenor Pereira na Câmara dos Deputados

Opinião | Por que será bom para Vitória da Conquista se a prefeita Sheila Lemos se somar a Waldenor Pereira na Câmara dos Deputados

Estimulada pela propaganda oficial, a autoestima do conquistense dá para a cidade diversos títulos e apelidos, a exemplo de ‘melhor cidade da Bahia para se viver’, ‘a mais segura’ ou mesmo ‘Suíça Baiana’. Mas, se essa é a sensação corrente, vale para o futuro? Teremos motivos para festa? A que velocidade o trem do nosso desenvolvimento está indo em direção ao amanhã?

Em dez ou 20 anos, o que a cidade será e terá, além de ruas asfaltadas como quase todo mundo pede e que parece ser a prioridade absoluta do governo municipal?

O BLOG propõe um exercício: quais obras e realizações públicas a cidade ganhou nos últimos 35 anos que vieram modificar os cenários econômico e social, com impacto efetivo na qualidade de vida das pessoas?

Vamos começar: 
O Hospital Regional (1992)
O anel viário (2002/2004)
O campus da Ufba (2006)
O Aeroporto Glauber Rocha (2020)

Neste mesmo tempo, houve, em 1999, a ampliação do sistema de abastecimento de água, com a barragem de Água Fria II, hoje obsoleta, enquanto um novo reservatório tem sua construção se arrastando há seis anos. A cidade recebeu um campus da Universidade Federal da Bahia, com cursos apenas na área de saúde, enquanto projeto da universidade federal regional já tramitou e caiu diversas vezes na Câmara dos Deputados.

Na lista do que falta, entram a ampliação do distrito industrial ou definição de um novo; um teatro e uma nova estação rodoviária. Ausências que podem ser debitadas à mesma falta de força da qual a população se ressente com relação às obras de melhoria de fluxo e segurança viária na BR-116 (viadutos etc.)

A Vitória da Conquista falta força até para ter de volta o que já foi seu e que hoje não tem qualquer uso dos antigos inquilinos (governos estadual e federal), que é o antigo aeroporto Pedro Otacílio de Figueiredo, desativado em julho de 2019 e alvo do lero-lero e da falta de entendimento sobre sua destinação(que deveria ser obrigatoriedade ineludível, neste caso) entre os governos estadual e municipal.

Uma cidade que se estrebucha para realizar uma exposição agropecuária, manter um festival de inverno, limpar uma lagoa, garantir o funcionamento de uma maternidade pública, resolver problemas de macrodrenagem, que há anos maltratavam o centro e hoje provocam riachos até na Juracy Magalhães, entre outros pontos da cidade; uma cidade que esquarteja um projeto maravilhoso como o do parque da cidade, criado (a um preço alto) por um dos mais renomados escritórios de arquitetura do mundo, o de Jaime Lerner; uma cidade que tem déficit até de semáforos e ciclofaixas, é uma cidade que precisa de (muito) dinheiro e (significativa) representação.

Nenhum dos municípios brasileiros listados entre os que mais se desenvolveram conseguiu chegar à condição atual somente a partir do esforço de uma pessoa ou como resultado do trabalho de apenas um político, ainda que muito poderoso. Sempre houve a necessidade de algum tipo de parceria. Ou competição.

Deputados federais e senadores, de partidos diversos, adversários, que sejam, mas interessados em ver Vitória da Conquista mais que vaidosa, forte. Não adianta vestir roupa de couro no festival de inverno ou desfilar de bota longa na exposição e não ter capacidade de realizar a manutenção da principal obra de arte da Bahia, que é o Cristo da Serra do Periperi, esculpido pelo genial Mário Cravo Neto.

Já repararam que onde é o Mineirão Atacarejo, na Avenida Rosa Cruz, era o Superlar, há 40 anos? Isso é um sinal muito sério de que, fora os edifícios e os loteamentos residenciais de luxo, a cidade mudou pouco.

Outro sinal de que andamos menos do que deveríamos? O PIB do município era o 5⁰ da Bahia em 2020, mas foi ultrapassado em 2021 por Luís Eduardo Magalhães. E tem muita gente preocupada se Lauro de Feitas não nos passará no PIB que será divulgado em outubro.

Não precisa de uma análise profunda, mas objetiva e desligada de ideologia política, para ver que Vitória da Conquista precisa de mais deputados federais – já que indicar um senador é praticamente impossível.

Temos Waldenor Pereira, do PT, e um sem número de parlamentares com ligação com a cidade, mas que não a têm como a sua base principal e sua prioridade primeira. Então, só temos um. Por melhor que seja, é pouco.

Em 2024, foram destinados para Vitória da Conquista R$ 78 milhões oriundos de emenda ao Orçamento da União. Não é pouco dinheiro, mas foi tão diluído que não rendeu envergadura, ou não teve visibilidade pois muito pouco foi para asfaltar ruas, esse desejo coletivo.

Diante dessa realidade, o que fez a prefeita Sheila Lemos? Tomou um empréstimo de R$ 160 milhões, sobre o qual pagaremos mais R$ 173 milhões, somando R$ 330 milhões. E ela já disse que só terá como continuar a obras, como a macrodrenagem do centro, investir em programas sociais e equipamentos públicos e fazer a drenagem e pavimentação nos bairros que ainda não têm se pegar, pelo menos, mais um financiamento.

Desde 2018, já foram quatro, totalizando quase R$ 500 milhões em dívida.

Também já disse mais de uma vez a prefeita, que a arrecadação municipal não permite aumentar os investimentos em saúde e educação, pagar subsídio do transporte coletivo, a coleta e o tratamento dos resíduos sólidos e ainda levar asfalto para os bairros e zona rural. Ou tem emenda do orçamento ou dinheiro emprestado ou não terá obra.

Antes ser candidata a vice-prefeita em 2020, Sheila Lemos foi candidata a deputada federal em 2018. Foi sua estreia na política, saindo dos bastidores das campanhas da mãe, vereadora três vezes, para uma disputa de mandato. Naquele tempo, ela sabia muita coisa, mas, com certeza, não sabia, como sabe hoje, que um deputado federal é tão importante para um município.

Quase sete anos depois e um mandato de prefeita a misturar alegrias e angústias, ela sabe que, seja de que lado for, um congressista a mais pode impulsionar uma cidade em direção ao desenvolvimento, com ganhos estruturais, econômicos e sociais.

Então, chegamos ao ponto: a realidade é categórica, não há nenhum nome da política conquistense, no mesmo campo da prefeita, que tenha a mínima chance de eleição como deputado federal, a não ser ela mesma.

Considerando que mesmo tendo perdido a eleição para prefeito, Waldenor, por sua articulação regional e pela representação petista que incorpora, tem amplas chances de uma boa reeleição, Vitória da Conquista tem em Sheila Lemos a possibilidade de dobrar a sua força em Brasília.

Com respeito aos possíveis argumentos de que já temos vários deputados ligados a Vitória da Conquista e que podem ajudar muito, até mesmo aumentar os valores que destinam à cidade – peço desculpa a Arthur Maia, Jorge Solla, Elmar Nascimento, Antônio Brito e Raimundo Costa, os mais presentes quanto a emendas – mas não chegariam nem perto do que podem fazer um deputado e uma deputada que vivem aqui e que teriam o compromisso maior com sua base política, seus melhores amigos, sua família e seus conterrâneos.

Durante quase todo o mandato, a prefeita conquistense dizia a quem a procurava em busca de obras e melhorias para suas comunidades que não havia dinheiro suficiente e que só conseguiria fazer o que se pedia se chegasse recurso de emenda parlamentar.

Ela, mais que todo mundo, sabe que Vitória da Conquista necessita de mais parlamentares federais. O presente sinaliza enfaticamente que o município precisa – e pode – ter essa força. O futuro da cidade depende muito disso. Mais do que da duplicação da BR-116 ou do atalho para o aeroporto ou de possibilidades limitadas, como transformar as esquinas em farmácias ou postos de gasolina ou preencher os terrenos com prédios residenciais, galpões de aluguel ou atacadões.

Sheila já disse que está na política para transformar Vitória da Conquista na melhor cidade do Brasil para se viver. E ela não caiu nessa de paraquedas, nem foi sorte nem azar. A perda lamentável de Herzem a colocou com o leme do barco na mão, mas quando Herzem a escolheu, ele sabia que ela poderia ser o aquilo que o povo de Conquista entendeu que ela está sendo, por isso a elegeu com uma inédita vitória no primeiro turno. Mas, agora, ela não tem muito mais a fazer do que o que já está em andamento – e mesmo assim com dificuldade.

O mandato e a eleição deram a Sheila Lemos tamanho político e um vice preparado e de confiança, com projetos que, assim como foi com ela e Herzem, podem prosseguir se ela estiver em Brasília. E ainda com uma possibilidade, que ela não teve: contar com uma deputada federal ciente de que Vitória da Conquista só será melhor do que já é, aliás, que não vai retroceder, se tomarmos consciência de que a força necessária é política.

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