OPINIÃO | Se tem caminho para Zé Raimundo, Fabrício, Xandó e Viviane, tem para Wagner e Lara; se organizar direito todo mundo tem chance



Em 2022, os candidatos a deputado estadual locais da esquerda (aqui identificados pelos partidos no contexto da política municipal) tiveram 50.338 votos, e os de fora com mais de mil votos chegaram a 3.475 votos, total de 53.813.
Os candidatos locais da direita obtiveram 50.527 votos e os de fora com mais de mil votos totalizaram 32.436, a soma dá 82.963 votos, 54,17% a mais que o total dado à esquerda (candidatos locais + candidatos de fora com mais de mil votos).
Vamos ao cerne da comparação: com poucos votos a mais (341), a esquerda elegeu dois deputados entre os candidatos locais, enquanto a direita (no contexto da política municipal), fez apenas a suplência de Lúcia Rocha. As razões para isso podem ter sido muitas, entre elas a profusão de nomes.
Na direita, o PL lançou três candidatos, para 8.329 votos em Vitória da Conquista, e o PP saiu com cinco, que somaram 5.039 votos. Esses oito candidatos alcançaram 19.625 votos no estado e os demais locais do mesmo campo 18.757, perfazendo 38.382, bem mais do que os 28.971 que faltaram para a eleição de Lúcia.
Evidente que os votos dos outros candidatos não iriam automaticamente para Lúcia Rocha, mas a concentração de apoio ou uma lista de opções mais curta evitaria a grande dispersão de votos. Não houve soma, mas desperdício de energia eleitoral, uma estratégia que interessa aos que já têm mandato ou dispõem de estrutura maior e mais capilaridade e acabam se beneficiando no somatório dos votos para efeito de quociente eleitoral – os de poucos votos servem de escada.
Seria contraditório em relação às chances de Wagner Alves (União) e Lara Fernandes (Republicanos)? Não. O momento é diferente. Em 2022, a prefeita Sheila Lemos cumpriu a obrigação partidária de apoiar Tiago Correia e uma obrigação de gratidão de apoiar Elmar Nascimento, que colocou várias emendas parlamentares para ajudar os cofres da Prefeitura.
Em 2026, hipoteticamente, ela só terá que se preocupar com a candidatura do marido. Surfando em popularidade, se as pesquisas estiverem certas, a prefeita tem potencial de transferir tantos votos quanto Guilherme Menezes passou para Waldenor em 2002. A diferença é que Guilherme era candidato na dobradinha. Mas, como Sheila, era prefeito – o melhor avaliado da história – no mesmo ano da eleição até se desincompatibilizar.
Para Lara não seria fácil, é a avaliação imediata. Mas, goste-se dela ou não, há que se admitir que a vereadora tem valentia para seguir com a candidatura. Com riscos de provocar algumas conversas mais tensas entre o marido, vice-prefeito, e a prefeita, sim, mas dos dois – ela e Wagner – Lara é quem passou pelas urnas e tem chamado a atenção do seu nicho ideológico por seus discursos e projetos na Câmara de Vereadores.
Já Wagner tem experiência de bastidores, ainda que com discrição (ou timidez) e uma avalista com muito crédito eleitoral na praça. Até agora não se sabe quem será ou quem serão as dobradinhas de dele, mas surgirão. E Lara compõe com o deputado federal Márcio Marinho, que, provavelmente, tem bases a quem apresentar a sua candidata a deputada estadual. Se não tiver, diluem-se as perspectivas e ficam frágeis as expectativas, o que vale também para Wagner, que não sairá eleito de Conquista, porque ter votos – e não poucos – em vários lugares é um dos pontos fundamentais para ampliação da oportunidade a que os dois acreditam ter direito.
Se o grupo da direita conseguir restringir as candidaturas locais (lembrando da lambança dos oito candidatos de PP e PL em 2022) e se não houver tensões internas com efeito externo, o caminho para cada um deles é praticar a única coisa em campanha que nem apoio importante, nem rede social e nem propaganda na TV superam: correr trecho, gastar chinelo, saliva e simpatia, quando não carisma, e mais uns tantos reais.
Isso é o que vale também para os vereadores petistas Alexandre Xandó e Viviane Sampaio, que querem uma cadeira na Assembleia Legislativa para se juntarem a Zé Raimundo (PT) e a Fabricio Falcão (PCdoB).
E se há caminhos possíveis para os nomes da esquerda, com organização a direita também pode almejar ter um deputado e uma deputada estaduais e aumentar a bancada conquistense. Não é fácil, porém, para nenhum dos que almejam estrear como deputado ou deputada estadual, sejam de que lado forem. Nem para os casados nem para os solteiros.
| SOMA DOS VOTOS DE CANDIDATURAS DA DIREITA COM MAIS DE MIL VOTOS EM CONQUISTA | SOMA COM LOCAIS | SOMA DOS VOTOS DE CANDIDATURAS DA ESQUERDA COM MAIS DE MIL VOTOS EM CONQUISTA | SOMA COM LOCAIS |
| 32.436 | 82.133 | 3.475 | 53.813 |
| CANDIDATURAS LOCAIS DA DIREITA | VOTAÇÃO EM CONQUISTA | CANDIDATURAS LOCAIS DA ESQUERDA | VOTAÇÃO EM CONQUISTA |
| Lúcia Rocha – DEM | 25.161 | Zé Raimundo – PT | 32.009 |
| Falcão – PSC | 6.656 | Fabrício Falcão – PCdoB | 11.315 |
| Edilson Gusmão – PL | 4.575 | Viviane Sampaio – PT | 7.014 |
| Tayná Fogos – PL | 3.351 | 50.338 | |
| Chico Estrella – Agir | 2.022 | ||
| Vonca Gonçalves – PP | 1.488 | ||
| Capitão Vasconcelos – PSC | 1.419 | ||
| Romilson – PP | 1.070 | ||
| Herling – PP | 982 | ||
| Bettu Buzina – PP | 801 | ||
| Anderson Rocha – PDT | 760 | ||
| Célio Souza – PP | 698 | ||
| Doutor Ladeia – PDT | 638 | ||
| Ariana Mota – PTB | 533 | ||
| Paulo Brito – PL | 403 | ||
| 50.527 |


