Uma creche para Babão! Crônica-apelo a um vereador popular pelo respeito ao decoro e ao direito de apreciar sem constrangimento as sessões da Câmara

Uma creche para Babão! Crônica-apelo a um vereador popular pelo respeito ao decoro e ao direito de apreciar sem constrangimento as sessões da Câmara

Foram 2.471 votos em 2012, quando se elegeu pela primeira vez. Perdeu a disputa em 2016, ao receber menos 132 votos – 2.339. Voltou à Câmara de Vereadores em 2020, com a confiança de 2.308 eleitores de Vitória da Conquista. No ano passado, ele teve 2.902 votos e está no terceiro mandato.

Dito isso, ninguém há de negar que Antonio Ricardo Pereira dos Santos, nascido em Medeiros Neto há 53 anos mas hoje inquestionavelmente conquistense, é figura popular, com serviços prestados, atencioso com as pessoas das comunidades em que transita. Suas votações dizem mais ou menos isso: tem muita gente que o acompanha de eleição a eleição e isso deve ser porque ele dá atenção ao eleitorado.

Babão, como é conhecido desde a adolescência no bairro Ibirapuera, zona Oeste da cidade, é presença constante nos babas, nas festas populares, faz comemoração do dia da crianças e no Natal, distribui presentes para as crianças, beijos na bochechas de senhorinhas, abraços nos homens e mulheres. Faz direitinho o riscado assistencialista – como de resto todos os demais vereadores -, mas não se restringe a isso.

Ele vai aos bairros e povoados ver o que precisa, faz indicação e requerimentos de obras e serviços, briga por vê-los realizados e quando são entregues, novamente vai lá, beija bochechas, aperta mãos, dá abraços e elogia a prefeita Sheila Lemos, quase de joelhos, e ou o governador Jerônimo Rodrigues, igualmente genuflexo. Essa parte do roteiro ele repete por onde vai, principalmente na Câmara de Vereadores. Muitas vezes aos berros e de qualquer parte do recinto: tribuna, mesa, cadeira, plateia…

E aí é que Babão vira bebê. Mas, um bebê sem perdão. Não é pecado se sentir incomodado quando um bebê chora de dengo em um ambiente público, mas as pessoas ouvem perdoando, entendem que o bebê não sabe o que faz (ou sabe, fica a dúvida). A gente “deixa pra lá”.

Mas, na Câmara de Vereadores, ambiente em que esperamos comportamentos adequados ao nível dos salários e das missões que os vereadores e vereadoras assumiram, toda zoada é pecado, piadas infames e sem graça, gracejos, ironias, palavras de ordem de sabujice não têm perdão. O que se espera é decoro. Dos 23, incluindo Ricardo Bebê, corrigindo, Babão. Não tem perdão. E também parece não ter botão de mute ou onde abaixar o volume.

Ninguém consegue reduzir o ímpeto dele, que deve se sentir impressionado consigo mesmo, fã de seu aparente transtorno histriônico, no que, convenhamos, ele não é único a parecer assim ali. Mas, certamente, ele é o mais sem estilo (jeito que as pessoas da minha velha Jacobina usavam para não dizer mal educado).

E é preciso dizer isso a ele: Ricardo, você é um dos que impedem as sessões de serem atrativas, embora não seja o único, há momentos tão ou mais constrangedores que os seus, mas os seus são constantes, em altos decibéis, você quebra o decoro, quebra o ritmo, quebra a admiração.

Talvez seja o caso de voltar para a creche da política, dos bons modos, Ricardo Bebê – corrigindo Babão. Porque valor como cidadão, político e prestador de serviço à sociedade você tem, mas é muito sem estilo, baby, como diria o seu perfeito oposto Diogo Azevedo.

Você está autorizado a se zangar com o BLOG e seu editor. Compreenderemos. Porque nós estamos zangados com você, por agir como age durante as sessões da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, que levamos a sério. E estamos abertos a sua manifestação, pode ser porque aqui mesmo. Talvez da tribuna Vossa Excelência perca o estribo.

Um comentário em “Uma creche para Babão! Crônica-apelo a um vereador popular pelo respeito ao decoro e ao direito de apreciar sem constrangimento as sessões da Câmara

  1. Parabéns pelo texto, você foi muito feliz em abordar esse assunto porque além de babão, bajulador e puxa-saco, esse vereador desonra o Legislativo, transformando a Casa do Povo num palco circense da pior qualidade, onde ele se apresenta com um palhaço muito chifrin!

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