Artigo de Ronnie Peterson: “O mundo é um livro, e quem fica sentado em casa lê somente uma página” (Santo Agostinho)


Ronnie Peterson é advogado, se assume como quase historiador e quase filósofo e ativista por uma política verdadeiramente democrática.
Desde que a sistematização da Filosofia abriu caminho para que o conhecimento científico, tal qual o conhecemos hoje, com problematização e métodos definidos, o conhecer se tornou essencial para a vida humana.
A alegoria da caverna, exemplificada por Platão, no longínquo século IV antes da Era Cristã, para refletir sobre as diferenças de percepção do mundo sensível ao mundo inteligível, onde, resumidamente, pessoas que vivessem em uma caverna só teriam uma percepção da realidade baseada nas sombras projetadas pela luz que vem de fora, o conhecimento, neste caso seria apenas uma mera ilusão elaborada pelo sensorial, enquanto o mundo real seria bem diferente.
Hoje em dia, temos o termo “bolha” que possui um significado semelhante, já que aqueles que se recusam a rompê-la vivem e conhecem a partir de perspectivas definidas por aquele pequeno grupo ou espaço. Parece ser uma grande tendência contemporânea a aceitação e a comodidade de viver de acordo com suas bolhas. Essa zona de conforto, que desvaloriza o esforço necessário para a elaboração do pensamento próprio, como tendência maximizada pelas redes sociais, parece ser um grande desafio para o futuro das novas gerações.
Coachs e influencers costumam reduzir a importância do conhecimento sistematizado. Em podcasts e vídeos do YouTube é comum encontrarmos afirmativas no sentido de reduzir o pensamento filosófico a inutilidades. Filosofia, História e Sociologia, cada vez mais perdem espaço nos currículos e no próprio interesse da maioria das pessoas que, sem uma base de discernimento, viram “presas fáceis” para teorias cada vez mais irracionais.
Deixar a caverna, furar a bolha, torna-se cada vez mais um ato revolucionário, de não se prender à comodidade de entregar suas ideias ao pensamento alheio, todavia de procurar o diálogo com o objeto que se deseja conhecer. Isto é, pesquisar, ler, questionar, ouvir opiniões diversas para, no fim, ter minimamente um vislumbre daquilo que se queria conhecer.
A frase título deste artigo é atribuída a Santo Agostinho, todavia, não faz parte de nenhum de seus escritos. Mas a afirmativa segue parafraseando na direção dos conceitos de bolha e do mito da caverna. A metodologia cientifica, sem a qual nada do que temos hoje, inclusive a tecnologia, seria possível, foi concebida após a sistematização do conhecimento filosófico e, hoje, temos o desafio de chamarmos aqueles que vivem na caverna para conhecer a realidade, ajudarmos a furar a bolha. A realidade é que não é o caminho fácil das pesquisas de Google ou de Inteligências Artificiais, mas uma proposta nada cômoda, que sempre se inicia por uma boa leitura e caminhar em direção à luz do conhecimento real.
Texto revisado pelo autor.
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