Coluna de Ronnie Peterson: Desejos de mudança de uma nova geração


Ronnie Peterson é advogado, se assume como quase historiador e quase filósofo e ativista por uma política verdadeiramente democrática.
Estudos antropológicos e sociológicos mais antigos já costumavam categorizar as gerações, segundo a ordem de nascimento dos seres humanos. Todavia, somente no século XX é que essa maneira de enxergar as pessoas nascidas em determinado período foi popularizado. Foram as ideias do sociólogo húngaro Karl Mannheim que levaram a categorização das gerações ao conhecimento público, com a chamada geração dos Baby Boomers, nascidos no pós 2ª Guerra, entre 1946 e 1964.
Neste momento, parece que a Geração Z (nascidos entre 1995 e 2009), querem assumir um maior protagonismo social. Acostumados às redes sociais e à tecnologia, os jovens, que sempre foram protagonistas de grandes transformações sociais, seja aqui no Brasil, mas também em outras partes do mundo, andavam “esquecidos” pelos políticos e, muitas vezes, pela própria sociedade.
Há duas semanas, protestos violentos no Nepal, organizados nas redes sociais e conduzidos pela Geração Z daquele país, provocaram grande convulsão social e levaram a mudanças, tanto no governo como na própria legislação. Esta sede por mudanças, agora, chegou ao Peru.
O estopim para os protestos peruanos foi a mudança no sistema de aposentaria, mas a insatisfação levou-os a adotar outras reivindicações (contra o sistema político e a crise econômica, por exemplo) e os protestos seguem em grande escalada em Lima e outras cidades peruanas. Entre as bandeiras levantadas nas passeatas, tanto no Peru, quanto no Nepal, está a marca de quem conduz as manifestações, a Geração Z.
Por aqui, apesar das manifestações contrárias à PEC da Blindagem, também chamada de PEC da Bandidagem, que levou milhares de pessoas às ruas, teve um caráter muito mais ligado à política partidária. Entretanto, temos sérios problemas que carecem de maior atenção de nossos políticos. Despertar uma juventude sedenta por mudanças, conectada com o que acontece pelo mundo, pode ser por demais arriscado.
Por aqui, tanto a Prefeitura quanto a Câmara Municipal, “se arriscam” em pautas impopulares. O Município enviou para a casa legislativa projetos que podem elevar o custo de impostos como a COSIP (Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública). Já a Câmara, apresenta proposta para adicionar às parcas vantagens recebidas pelos vereadores um vale-alimentação no valor de R$ 1.800,00. Ao que parece, nossos políticos locais querem cutucar a onça com vara curta, desprezando o momento em estado de ebulição que vivemos.
Acredito que nossa Geração Z talvez ainda procure uma motivação que uma, para além dos espectros políticos tradicionais, a juventude em torno de bandeiras que lhes façam ir às ruas. Em 2013 foram 20 centavos, e hoje, será que chegará nossa vez?
Texto revisto pelo autor.
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