Em resposta a Rui Costa, Sheila agradece oferta de ajuda para construir um novo hospital municipal e diz que a saúde precisa de ajuda como um todo


Em entrevista à rádio 93 FM, de Jequié, na última sexta-feira (24), o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), disse que ofereceu ajuda à prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União Brasil), para a construção de um novo hospital municipal. “A prefeita esteve lá [em Brasília], eu disse, prefeita, você não quer construir um hospital municipal, não?”, contou o ministro e, segundo ele, “a prefeita por enquanto não decidiu.”
Para Rui, um hospital municipal teria o papel de realizar procedimentos mais simples, “o dedo quebrado, o parto, tirar uma hérnia”, e que caberiam ao Hospital de Base os atendimentos de grande complexidade, “hemodinâmica, cirurgia cardíaca, neurocirurgia, transplante”. Por isso, disse o ministro da Casa Civil, ele ofereceu a ajuda do governo federal. “Conquista não tem [hospital municipal], não tem previsão de ter porque a prefeita por enquanto não decidiu, mas nós oferecemos”.
O BLOG procurou a prefeita Sheila Lemos (União) para saber qual sua resposta ao ministro Rui Costa. Ela agradeceu a oferta, mas disse que Vitória da Conquista já conta com um hospital municipal, o Esaú Matos, e que uma nova unidade significaria um aporte de recursos que fariam falta ao funcionamento da Atenção Básica. A necessidade, agora, afirmou Sheila, é de recursos para a rede de saúde como um todo.
“Manifesto meu agradecimento ao ministro Rui Costa pela oferta de apoio para a construção de um hospital municipal e reafirmo meu compromisso com o diálogo permanente entre os entes federativos. Mas, a nossa posição, alinhada a uma gestão responsável e ao pacto federativo do SUS, fundamenta-se na priorização do fortalecimento da Atenção Básica, competência primordial do município, como estratégia mais eficaz de promoção da saúde e prevenção de doenças”, declarou Sheila Lemos.
De acordo com ela, Vitória da Conquista, com sua extensão territorial e população em crescimento constante, registra aumento contínuo no número de atendimentos iniciais na rede pública e, neste contexto, a manutenção de um hospital municipal impactaria diretamente as finanças, porque exigiria o uso de recursos essenciais que garantem o pleno funcionamento da Atenção Primária, que é a porta de entrada do SUS e que não pode ser fragilizada.
“Esse desafio é agravado pelas tabelas de financiamento congeladas e pelas contrapartidas municipais, que ao longo do tempo vêm se tornando crescentes para a manutenção dos serviços”, complementou a prefeita de Vitória da Conquista.
Sheila destacou, na resposta enviada ao BLOG, que para garantir o acesso da população aos serviços de urgência e emergência, o Município já mantém uma rede de atendimento, incluindo a Maternidade Municipal Esaú Matos, referência regional em alta complexidade obstétrica, e mais duas portas de entrada de emergência contratualizadas com dois hospitais da cidade, assegurando cobertura assistencial à população.
Mas, segundo ela, a prestação de serviço como a população demanda exige um financiamento alto, que o Município tem tido dificuldade de arcar. “Mesmo com repasses federais e financiamento municipal, os recursos mostram-se insuficientes para a sustentação adequada desses equipamentos de altíssima importância’.’, observou.
Para Sheila Lemos, diante desse cenário, é fundamental reforçar a corresponsabilidade efetiva: “É imprescindível que Estado e União ampliem o apoio financeiro e operacional à rede de saúde como um todo, tal como já ocorre em outros municípios de menor porte, para que possamos melhorar continuamente o atendimento à população de Vitória da Conquista e região, honrando assim o verdadeiro espírito do pacto federativo do SUS”.


