Sheila diz que vinda de governador e ministro foi positiva e destaca cordialidade em ambiente com petistas: “Somos adversários políticos, não inimigos”


Na sexta-feira (28), Vitória da Conquista esteve movimentada com a visita do governador Jerônimo Rodrigues, acompanhado do ministro da Casa Civil, Rui Costa, em uma agenda de entregas de obras, mas também de fortalecimento da relação de ambos com a cidade.
A vinda de Jerônimo e Rui teve caráter institucional, mas valor político com contatos, encontros e conversas para ajustar a articulação, a exemplo do almoço oferecido pelos deputados Waldenor Pereira e Zé Raimundo, do mesmo PT dos dois, e do jantar na casa do ex-prefeito de Belo Campo, José Henrique Tigre, o Quinho, do PSD de Otto Alencar e Ângelo Coronel, que andou fazendo queixas públicas e até se encontrou com ACM Neto, para conversa reservada, longa e focada na composição de chapa para 2026.
Como das outras vezes, no meio político a expectativa girou em torno de como seria a atitude da prefeita Sheila Lemos, do União Brasil de ACM Neto. Na visita anterior dos dois comandantes petistas, no dia 6 de junho, ela não apareceu nos eventos.
Jerônimo, que recebera Sheila na governadoria no dia 22 de abril, ficou chateado, contava com retribuição; Rui Costa reclamou em voz alta, e uma parte da mídia cobrou da gestora, com o entendimento de que seria obrigatório ela ir a pelo menos uma agenda. Para dar ainda mais tom à polêmica, no dia em que o governador veio, a prefeita marcou um evento com ACM Neto.
Mas, apesar das adversidades, a porta não se fechou para a gestora conquistense e ela teve uma audiência de mais de duas horas com o ministro da Casa Civil, em Brasília, no dia 15 de outubro. Agora, tanto Rui Costa como Jerônimo, passaram a ter “crédito” e ficaria difícil para Sheila não aparecer nas atividades institucionais dos dois durante a visita de sexta-feira. E foi o que aconteceu: ela foi, com a maior parte da equipe e ainda com o marido, Wagner Alves, pré-candidato a deputado estadual.
A contrapartida seria uma visita do governador à prefeitura, onde tudo estava pronto para receber a maior autoridade do estado da Bahia que… não apareceu. Mas, não foi um gesto deliberado, Jerônimo não faltou de propósito, a agenda é que se atropelou e entrou pela noite. E ainda teria o jantar de Quinho.
Com a agenda da prefeitura furada, a prefeita pôde fazer a dela quase no horário. Às 18h30, estava subindo no palco montado na Carreta da Cultura, para o ato de abertura do Natal Conquista de Luz. Depois de discursar para uma plateia formada na maioria por pessoas do governo, porque o público começou a chegar depois das 19h00, Sheila acendeu as luzes da Praça Tancredo Neves que, mais uma vez, se transformou em um espetáculo de cores, com motivos natalinos brilhando e iluminando o espaço-símbolo da cidade. O BLOG falou com a prefeita entre fotos com admiradores e um passeio pelo local.
Ela disse que a vinda de Jerônimo Rodrigues foi muito positiva, pelas entregas feitas, em especial o setor de radioterapia do Hospital Geral de Vitória da Conquista, que pôde ser instalado porque a Prefeitura cedeu uma rua, viabilizando a expansão da unidade e sua ligação com o hospital. Sheila também destacou o compromisso assumido pelo ministro Rui Costa de viabilizar, por meio do governo federal, a construção de uma maternidade regional de alta complexidade, com condições de atender a clientela de 170 municípios que hoje recorre ao Hospital Esaú Matos. Com a maternidade, a unidade municipal poderá atender apenas aos munícipes conquistenses, segundo a prefeita.
Mas, nem tudo é institucional. À parte os cargos, Rui e Jerônimo têm uma meta eleitoral, o primeiro será candidato a senador e o governador buscará a reeleição, tendo como principal adversário justamente o ex-prefeito de Salvador, vice-presidente nacional do União Brasil e conhecido líder de Sheila. Mas, de acordo com ela, por ter sido uma agenda institucional, baseada apenas em princípios republicanos e tendo em vista os benefícios para a população, nem conversou com Neto sobre a visita dos dois líderes petistas ou sobre a ida dela às agendas, onde, aliás, disse ter se sentido bem, por encontrar amigos prefeitos e conhecidos tanto do governo federal quanto estadual.
A cordialidade foi registrada até mesmo no eventual contato com seu principal oponente na eleição de 2024, o deputado Waldenor Pereira – adversário, mas não inimigo.


LEIA A ENTREVISTA
BLOG DE GIORLANDO LIMA – Prefeita, por favor, faça uma avaliação da visita do governador do ponto de vista de gestão e, se possível separar, também do ponto de vista da política, a exemplo da sensação que a senhora teve de estar entre adversários. Houve algum tipo de reação? Qual é a avaliação que a senhora tem dessa visita?
SHEILA LEMOS – Eu tenho a visita como muito positiva. Eu fui muito bem recebida tanto pelo governador Jerônimo Rodrigues, na governadoria, por ele e por todos os secretários, como na Casa Civil pelo ministro Rui Costa, e aqui nós tivemos uma agenda institucional, da entrega do serviço de radioterapia do Hospital de Base. Estamos alegres porque o Município contribuiu com a concretização desse benefício para população, quando nós cedemos uma rua para que o serviço de radiologia pudesse ser implantado, porque esse é um serviço que só pode funcionar dentro do próprio espaço do hospital e a Unacon de Vitória da Conquista não era dentro da área do Hospital de Base. Nós cedemos aquela rua para poder fazer essa ligação. Então, nós entregamos um importante equipamento de saúde não só para Vitória da Conquista, mas para toda a região.
Também convidei o ministro Rui Costa para visitar o Hospital Municipal Esaú Matos, pelo qual a gente vem lutando muito, pois apesar de ser um hospital municipal atende mais de 170 municípios da Bahia e do Norte de Minas, e a gente precisa de financiamento dos governos estadual e federal. Conversamos em abril com o governador Jerônimo e ele já liberou um recurso de R$ 890 mil, que estamos recebendo desde maio, mas é claro que é insuficiente para atender toda a macrorregião. Nós levamos o ministro lá e ele se comprometeu a fazer um hospital, uma maternidade regional, que vai atender o alto risco, então, ficaria o Esaú Matos para o atendimento municipal, dos munícipes de Vitória da Conquista, e teríamos uma maternidade para atender ao alto risco. A sugestão é que seja construída na área do antigo aeroporto, que é uma área muito grande, e teria separado um espaço de 30 mil metros, mais ou menos, para fazer essa maternidade regional, que passaria a atender os casos mais complicados, das mães da Bahia inteira, que acabam vindo para Vitória da Conquista ter os seus filhos.
BGL – A senhora diria que uma agenda pode ser considerada mais produtiva do que a outra?
SHEILA LEMOS – Não, as duas vindas, claro, evidente, têm seu peso. O governador veio entregar um equipamento importantíssimo de radiologia. Nós sabemos que o tratamento de câncer, quando é descoberto cedo e pode começar logo o tratamento, a expectativa de vida é muito maior. Então, é um equipamento muitíssimo importante para Conquista. E também foi muito importante a vinda o ministro Rui Costa. Como ele mesmo disse, quando se pisa no solo do lugar é que se sente a realidade na pele, por isso foi importante ele ir ver o Esaú de perto. Quando eu levo a documentação para eles, mas eles não veem a Vitória da Conquista conhecer a realidade, muitas vezes só fica na parte fria da letra do documento, e quando vem, tem a sensibilidade. O ministro andou conosco pelos corredores do hospital e viu como as nossas enfermarias estão superdotadas, viu que o espaço físico do Esaú está precisando de reformas, de reparos, de ampliação. Então isso sensibiliza muito mais do que somente a letra fria de um projeto arquitetônico ou executivo que eu entregasse no ministério.
BGL – Nós estamos há pouco mais de um ano da eleição municipal que, sob alguns pontos de vista, foi dura, criou incômodos de lado a lado. E hoje a senhora esteve pela primeira vez num ambiente praticamente petista, com os deputados petistas, estaduais, federais. Como foi estar nesse ambiente, a senhora se sentiu bem, esse diálogo pode evoluir?
SHEILA LEMOS – Foi muito tranquila, eu fui muito bem recebida, foi um encontro institucional. Lá encontrei vários colegas prefeitos, que apesar de serem de partidos de oposição, nós temos um respeito mútuo; também vários amigos que eu tenho no governo do estado, no governo federal. Foi muito tranquilo, me senti bem, nenhum tipo de desconforto eu tive nesse evento. Mas, já estive em outro evento do governo do estado [mesmo sem o governador], quando foram entregues viaturas, aqui em Vitória da Conquista, e fui muito bem recebida pelo secretário de Segurança Pública e pelos prefeitos que lá estavam. A gente faz parte UPB, faz parte da Policlínica Regional, então, é um encontro de amigos. Apesar de estarmos em pontos opostos na questão política, eu sou adversária política do PT e o PT é meu adversário político, a gente sabe se comportar muito bem.
BGL – A senhora respondeu falando de prefeitos e secretários, mas a minha pergunta estava mais ligada à situação local.
SHEILA LEMOS – Todas as vezes que eu encontro com o deputado Waldenor, o deputado Zé Raimundo, o deputado Jorge Solla, sou muito bem recebida e os recebo também muito bem, cordialmente. Claro, nós somos pessoas civilizadas, nós somos adversários políticos e não inimigos.
BGL – Antes ou depois houve algum contato da senhora com ACM Neto acerca desse encontro?
SHEILA LEMOS – Não. Não estive com Neto. Tenho, inclusive, uma agenda com ele na próxima semana, quando estarei em Salvador para uma agenda pessoal e vamos nos encontrar, mas eu não cheguei a comentar com ele que o governador viria à cidade.
BGL – Ele soube pelas fotos?
SHEILA LEMOS – Acredito que sim, eu nem soube ainda se ele viu.




