Pílulas e venenos | Agiotas, um estranho no palco, jacaré liso, vandalismo e outros fatos pitorescos da política de Vitória da Conquista

Pílulas e venenos | Agiotas, um estranho no palco, jacaré liso, vandalismo e outros fatos pitorescos da política de Vitória da Conquista

400 MILHÕES DO AGIOTA

O projeto de lei que solicita autorização da Câmara de Vereadores para que o Município tome mais um empréstimo bancário, desta vez de R$ 400 milhões, foi aprovado na sessão de sexta-feira (5), com apenas dois votos contra, de Alexandre Xandó e de Márcia Viviane. Os dois usaram o máximo de argumentos críticos para explicar seu posicionamento contrário, do alto valor à ausência de um plano de obras. Mas, a fala de Viviane foi a um extremo.

“Nós temos essa preocupação não só pelo valor, do montante dos 400 milhões, que é o maior empréstimo que Vitória da Conquista vem a ser tomadora, mas pelas cláusulas do empréstimo que vem nos artigos, nos incisos do projeto de lei, autorizando a Prefeitura Municipal a contrair empréstimo de qualquer instituição financeira, até um agiota que tenha CNPJ, que tenha condições de emprestar dinheiro à Prefeitura, com juro alto, a Prefeitura pode, assim, ir lá e tomar. Então assim, a gente precisa ter essa preocupação”.

É sério, a vereadora disse isso, falando sério, levando a sério.

PELA FOTO

O pré-candidato a deputado federal Carlos Muniz Filho esteve no palco da Carreta da Cultura, no ato de acendimento das luzes da decoração da Praça Tancredo Neves, abrindo o Natal Conquista de Luz, no dia 28 de novembro. O rapaz chegou lá levado por quatro dos vereadores que o apoiam na cidade, foi cumprimentado pela prefeita Sheila Lemos, mas sua presença não agradou a todos os que estavam no palco.

Diante da queixa de que a presença destoou, já que era um palco de autoridades (vereadores, secretários, o vice-prefeito e a prefeita), um aliado do visitante devolveu: “E Wagner?”. Wagner vem a ser o marido da prefeita, tratado com pompa pelo cerimonial da administração municipal como ‘primeiro cavalheiro’. O BLOG não saberia opinar se a comparação procede, mas não pode deixar de opinar que o pessoal está forçando um pouco para ajudar o jovem pré-candidato, às vezes apenas para fazer uma foto ao lado da prefeita. E ele não tem nem culpa.

JACARÉ OU PEIXE?

As dias últimas votações importantes (e polêmicas) na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista tiveram uma ausência sentida: o vereador Fernando Vasconcelos, popular Jacaré, seis mandatos consecutivos, 21 anos de Câmara, ex-presidente da Mesa Diretora, com trajetória destacada como vereador e inquestionável defensor do desenvolvimento de Vitória da Conquista e dos interesses da população, e proeminente representante da oposição ao governo municipal desde 2017.

Na sexta-feira, quando ocorreu a primeira votação do pedido de autorização feito pela prefeita Sheila Lemos para contrair um financiamento de até R$ 400 milhões, Jacaré não foi votar. Como também foi ausência na votação final do projeto (ainda mais polêmico que o do empréstimo) que mudou a taxa de iluminação pública, chamada agora de Cosip-MU (Contribuição para Custeio dos Serviços de Iluminação Pública e Modernização Urbana). “Liso, esse Jacaré, até parece peixe”, comentou um eleitor quando soube que Fernando estava distribuindo cesta básica no dia da votação do empréstimo.

INÓCUA OU PRESSÃO?

Não há dúvida em Vitória da Conquista sobre a celebrada harmonia entre os poderes executivo e legislativo, a votação do pedido de autorização do empréstimo é uma prova disso: 20 dos 23 vereadores estão a favor do projeto, 18 votaram na sexta-feira, e dois dos ausentes já declararam publicamente seu apoio. Mas, mesmo quando há uma compreensão mútua da importância da propostas, pode aparecer uma rusga, uma pedrinha no sapato, um motivo para murmúrio. Vejam a ideia da Mesa Diretora de uma consulta pública para que os moradores de Vitória da Conquista possam opinar sobre quais obras a Prefeitura deve fazer com os recursos do financiamento.

A questão é: com o projeto de lei praticamente aprovado, sem a lista dos investimentos, segundo os vereadores, o que a Câmara fará com o resultado da consulta popular? Não terá como incorporar à lei, como se sabe. Não terá como determinar à Prefeitura que siga a lista que será gerada, porque a escolha de onde usar o dinheiro é discricionária da chefe do Poder Executivo. Assim, seria inócua a consulta. Sem efeito, a não ser político, alguma coisa como: “a Câmara aferiu o interesse da população e levou ao conhecimento do governo municipal quais são as obras prioritárias apontadas pela população”. Digamos que é uma pressãozinha que pode incomodar, mas não alterar a harmonia.

VANDALISMO E BURRICE

Um outdoor da dupla Waldenor Pereira e Zé Raimundo, deputado federal e deputado estadual, respectivamente, foi pichado por vândalos esta semana. A peça publicitária, instalada na Avenida Brumado, faz parte de uma campanha em que os políticos destacam os investimentos do governo estadual em Vitória da Conquista. Um criminoso jogou tinta no outdoor, cobrindo o rosto de Waldenor e parte da imagem do governador Jerônimo Rodrigues.

O gesto se configura crime (artigo 163 do Código Penal) e é uma grande demonstração de burrice. Para começar, a ação ajudou a potencializar a mensagem, com a repercussão na mídia e o aguçamento do interesse das pessoas que passam perto, mais curiosidade mais visibilidade. Outro ponto é esquecer que Waldenor é o único deputado federal representante de Vitória da Conquista, de reeleição mais que importante, necessária. Sem ele, o município de 400 mil habitantes, terceiro maior em população e a sétima economia da Bahia, ficaria sem representante federal, apenas com os visitantes ilustres que garimpam nosso voto.

FOTO DESTAQUE: IMAGEM CRIADA PELA IA CO-PILOT

Deixe uma resposta

Você não pode copiar conteúdo desta página

Descubra mais sobre BLOG DE GIORLANDO LIMA

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading