Equívoco e defesa exagerada | O que o senador Jaques Wagner disse da prefeita Sheila diferente do que os blogs disseram que ele disse



O equívoco: o blog de maior audiência da cidade e grande credibilidade entre seus leitores publicou que o senador Jaques Wagner (PT) disse em uma entrevista de rádio que a prefeita Sheila Lemos (União) é um nome pensado para a chapa majoritária com o governador Jerônimo Rodrigues. Logo a chapa da confusão, em que sobra gente.
Relembrando: a Bahia tem três senadores, um do PT e dois do PSD, e em outubro dois deles precisam buscar a reeleição. Cada senador tem oito anos de mandato e Jaques Wagner e Ângelo Coronel concluem os deles em 31 de janeiro de 2027. E os dois desejam continuar no Senado. O problema é que o ministro da Casa Civil e ex-governador Rui Costa também quer uma vaga. Há meses essa confusão está instalada e não sinais de que terminará logo.
Mas não é só isso. Como é quase certeza que Coronel será o cortado na disputa, do lado do PT, outra confusão se instalou na composição da chapa principal, com uma não pouco especulada mudança no lugar de vice, para acomodar um filho do Coronel e acalmar o senador pai.
Como Jerônimo leva no banho-maria, Geraldo Júnior nem dorme e Geddel Vieira Lima vocifera e conversa tentando garantir que o correligionário seja o plano A da chapa de Jerônimo e, se não for o caso, que o MDB tenha o seu próprio plano B.
Conclusão: se Sheila tem o tamanho certo para qualquer lugar na chapa da oposição, com ACM Neto, ela não cabe nessa arrumação do PT, PSD e MDB.
O exagero: outros blogs reagiram na defesa da prefeita Sheila Lemos como soldados legionários na proteção do imperador diante de uma ameaça (que, no caso, não acontecia), e apontaram suas lanças contra o senador petista, como se Jaques Wagner – ao dizer que o grupo político do qual faz parte, e não ele mesmo, conversava com o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, e com a prefeita de Vitória da Conquista, de quem não falou o nome – tivesse dito que falou pessoalmente com Sheila e a convidou para a chapa de Jerônimo.
Nesse ponto, usou-se de uma versão para criar um fato, em um golpe dilacerante da credibilidade.
A própria prefeita colocou tutano no feijão, ao responder aos vigilantes blogueiros que nunca mais falou com Wagner, o senador. A última conversa teria sido há mais de um ano. E institucional.
Sheila nega que de sua parte tenha havido diálogo, mas a gestora, como boa política que é, sabe que os diálogos políticos muitas vezes prescindem de verbalização, pois se dão nos gestos e nas ações. O conversar referido pelo senador do PT parece estar mais para essa dimensão, além de ter havido outras manifestações claras de que não se pode negar a ocorrência.
No fim, a fala do senador e líder petista e a polêmica que o assunto rendeu apontam para a significação política da prefeita de Vitória da Conquista, às vezes hiperbolizada, mas um fato.
Trecho da entrevista de Jaques Wagner em que ele menciona Sheila Lemos (copiado do Instagram do site Classe Política):
“Eu ouvi essa especulação ontem, se Zé Ronaldo vai, se não vai, eu não sei. Nós não temos preconceito. A gente tem conversado com todo mundo, tem conversado com com o prefeito Zé Ronaldo, tem conversado com a prefeita de Vitória da Conquista. Eu aprendi com Lula que você vence na política juntando e não ciscando para fora.”
Só, não mais.


