Sheila Lemos diz que passadas as eleições vai buscar diálogo com PSDB e Republicanos e acredita que, mais uma vez, o adversário será um nome do PT


Depois de enfrentar uma eleição em que teve que responder a críticas sobre cisões no seu grupo político, que teriam sido provocadas pela candidatura de seu marido, Wagner Alves, a deputado estadual, a prefeita Sheila Lemos (União) diz que passado o segundo turno pretende buscar o diálogo com o PSDB e o Republicanos
Em entrevista ao BLOG DE GIORLANDO LIMA, na quinta-feira (15), ela afirmou acreditar na reunificação dos partidos que estiveram juntos na campanha de sua eleição e na recomposição de seu grupo político visando a disputa para prefeito de 2028, apesar das divergências surgidas nos últimos meses.
“Sim, claro. Nós ainda estamos no período eleitoral, temos o segundo turno agora, no dia 25, e depois desse período vamos conversar com todos os partidos”, respondeu Sheila, ao ser questionada especificamente sobre a possibilidade de reaproximação com as duas legendas.
Ela lembrou que as diferenças políticas não impediram que os partidos mantivessem objetivos eleitorais comuns, como a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. E citou o encontro realizado na terça-feira (13), em Vitória da Conquista, com a presença de ACM Neto (União), que reuniu lideranças dos partidos que a apoiaram em 2024.
Entre os participantes estavam os vereadores Edivaldo Ferreira Júnior e Nelson de Vivi, do PSDB, que se afastaram do grupo de Sheila durante a campanha eleitoral, e o vice-prefeito Dr. Alan (Republicanos), presidente municipal do partido, que esteve no palco principal e discursou em defesa de Flávio Bolsonaro. Doutora Lara (Republicanos), esposa do vice-prefeito e candidata a deputada estadual, também compareceu, mas permaneceu fora do palco principal e não discursou. A vereadora havia se afastado politicamente da prefeita durante a disputa eleitoral.
Sheila destacou a presença dos representantes do PSDB e informou que todos os vereadores de sua base foram convidados por meio do Subtenente Muniz (PDT), responsável pela articulação com parlamentares da região Sudoeste durante a campanha de ACM Neto. O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro (PL), não compareceu porque estava viajando, segundo a prefeita.
2028
Para Sheila, a disputa municipal deverá repetir o confronto entre o grupo que governa Vitória da Conquista desde a vitória de Herzem Gusmão, em 2016, e o PT, que esteve à frente da Prefeitura durante 20 anos, independentemente de quem seja escolhido do grupo governista para disputar sua sucessão.
Ela afirmou acreditar na recomposição e admitiu que seu sucessor poderá pertencer a outra legenda. Na avaliação da gestora conquistense, a possibilidade de entendimento entre os partidos de seu campo político está relacionada à manutenção do projeto iniciado com a eleição de Herzem Gusmão. “Não necessariamente o candidato precisa estar no União Brasil, pode estar em qualquer outro partido da nossa base”, afirmou.
Sheila prevê que o adversário em 2028 continuará sendo um nome do PT, ao qual critica pelo comportamento em relação aos partidos aliados. Na sua avaliação a legenda não abre espaço para outras candidaturas à Prefeitura. “Há quantos anos o PT governou Conquista tendo os mesmos aliados, PCdoB, PV, PSD, PSB, e nunca deu chance para ninguém? São sempre eles”, declarou.
O resultado eleitoral
Sheila também fez uma avaliação positiva da eleição de 2026, embora seu marido, Wagner Alves (União), não tenha conseguido uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia. Com 33.397 votos em Vitória da Conquista, ele superou Zé Raimundo (PT), que obteve 27.715, e foi o candidato a deputado estadual mais votado na cidade. No estado, Wagner recebeu 53.451 votos.
A prefeita atribuiu a derrota à redução das cadeiras conquistadas pela Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP. Segundo ela, era esperado eleger de dez a 12 deputados estaduais e só oito foram eleitos. Sheila afirmou que o resultado individual de Wagner correspondeu às expectativas e sustentou que ele teria sido eleito caso estivesse em outro partido da base de ACM Neto.
“Foi uma campanha bonita, leve, propositiva, com muita gente na rua, com uma receptividade muito boa da população”, disse a prefeita, que destacou a votação recebida por Wagner na cidade e sua presença em mais de 50 municípios durante a campanha.
Para Sheila, os resultados locais demonstram a força e a capacidade de mobilização de seu grupo político. Ela citou os resultados de ACM Neto que recebeu 101.035 votos em Vitória da Conquista, superando por uma diferença de 6.980 votos a votação de Jerônimo Rodrigues (PT), que teve 94.055. Na disputa pelo Senado, João Roma (PL) foi o mais votado na cidade, à frente de Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT). Ângelo Coronel (Republicanos), também superou Jaques Wagner, mas ficou atrás de Rui Costa.
Ao analisar o resultado de Waldenor (PT), que perdeu o mandato de deputado federal, a prefeita afirmou que seu principal adversário na eleição municipal de 2024 saiu enfraquecido. O petista recebeu 33.269 votos em Vitória da Conquista, contra 32.071 em 2022, mas sua votação no estado caiu de 113.110 para 96.378 votos, insuficientes para garantir a reeleição.
“Nosso adversário na eleição passada foi o deputado Waldenor”, lembrou Sheila, que relacionou o resultado às derrotas do PT nas três últimas eleições municipais e considera que seu grupo chega fortalecido ao debate sobre 2028.
Apesar da crítica ao adversário, a prefeita lamentou a perda da representação de Vitória da Conquista na Câmara dos Deputados. “Infelizmente, Vitória da Conquista perde uma representatividade. Eu falo não pelo governo municipal, porque ele não manda emenda para o governo municipal, mas é por Vitória da Conquista”, afirmou.
Para Sheila, a ausência de um deputado federal residente na cidade a partir de janeiro representa uma perda política, mas não altera sua avaliação do resultado eleitoral para o grupo que governa Vitória da Conquista.
“O grupo de Waldenor, o PT, perdeu para Herzem duas vezes, perdeu para mim e agora perde a cadeira. Então, ele sai, sim, enfraquecido dessa eleição de 2026”, concluiu.



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