Polícia prende suspeitos de matar dirigente do MST em 2013. O assassinato de Márcio Matos, outro líder do movimento, segue sem solução
Depois de um eficiente trabalho de investigação, a Polícia Civil prendeu o fazendeiro Délcio Nunes Santos, o comerciante Márcio Fabiano Cunha Borges e os vaqueiros Arenaldo Novais da Silva e Neuton Muniz da Silva, apontados como mandantes e executores da morte do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Fábio dos Santos Silva, assassinado com 15 tiros, em abril de 2013, em Iguaí, a 110 quilômetros de Vitória da Conquista.

Segundo a polícia, os quatros presos participavam de um grupo de criminosos composto por fazendeiros e pistoleiros da região de Iguaí, Ibicuí e Nova Canaã. Eles foram encaminhados para o Conjunto Penal de Vitória da Conquista. Outros dois acusados de envolvimento com o crime, Welder Leonardo Gusmão Amaral e Ricardo Neves de Oliveira, também tiveram a prisão decretada, mas estão foragidos e continuam sendo procurados pela polícia, de acordo com reportagem publicada no site G1.
SEM SOLUÇÃO
No dia 24 de janeiro deste ano, outro líder do MST foi morto a tiros em um sítio no assentamento Boa Sorte Una, no município de Iramaia. Márcio Matos, filho do ex-prefeito de Conquista, Jadiel Matos, tinha 33 anos e seu assassinato teve grande repercussão e provocou reação imediata nos movimentos que lutam pela reforma agrária e também entre amigos, na imprensa e na política, com manifestação direta do governador Rui Costa nas redes sociais e em eventos dos quais participou.
No dia seguinte ao crime, Rui Costa publicou no Facebook mensagem lamentando o atentado e garantindo “a imediata e rigorosa apuração do crime” por parte da Secretaria de Segurança Pública. Na manhã do dia 26, o governador estava no velório de Márcio Matos, realizado com a presença de centenas de pessoas, na secretaria regional do MST em Vitória da Conquista, quando afirmou que a polícia já sabia que tinha ocorrido um crime de mando: “Porque a gente sabe que foi um crime de mando, até porque não levaram nada, dois homens chegaram com capacetes e efetuaram os disparos”, disse Rui.

Mais tarde, em discurso na inauguração da nova emergência do Hospital Geral, o governador voltou a falar do assunto e mais uma vez disse que a morte de Márcio tinha sido encomendada. “Duas pessoas executaram. Quem mandou?”, questionou, para em seguida informar que determinou a criação de um grupo de investigação especial para apurar o crime. Mas, já se passaram quase seis meses e a polícia ainda não apresentou solução para o caso.


