Projeto de reaproveitamento de águas usadas desenvolvido na UESB é premiado
Projeto de aproveitamento de águas cinzas para produção agroecológica desenvolvido pelo Departamento de Fitotecnia e Zootecnia (DFZ) da Universidade Estadual do Sudoeste ficou em primeiro lugar no prêmio Tecnologia Social Bahia Rural na categoria Produção, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia, por meio da Coordenação Executiva de Ensino, Pesquisa e Extensão Tecnológica (Cepex), em parceria com a Rede Baiana de Pesquisa, Ensino e Extensão em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural.
O prêmio tem o objetivo de certificar tecnologias sociais com resultados aplicáveis à agricultura familiar. O projeto apresentado pela Uesb torna possível o reaproveitamento das águas cinzas, provenientes do uso na pia da cozinha, em lavabos e no banho, na irrigação de canteiros de hortaliças, por exemplo, e consiste em retirar o excesso de sais oriundo da utilização de sabão industrializado. A água cinza difere da água negra porque esta é oriunda de sanitários e esteve em contato com matéria fecal. A matéria fecal é infestada de bactérias nocivas e de agentes patológicos. A água branca, é a água limpa, como a da chuva ou que a chega nas torneiras.
A experiência ganhou o nome de “Reutilização de águas cinzas através de filtro simplificado: possibilidades para a produção agroecológica em regiões semiáridas”, é é vinculada ao projeto de extensão coordenado pelo professor Miro Conceição, do DFZ. “Nossa equipe já desenvolvia diversas atividades na área de Agroecologia há mais de 10 anos, sempre buscando novas alternativas para o semiárido, e aí tomamos conhecimento da existência de técnicas para o uso de águas cinzas. Considerando que algumas famílias de agricultores possui apenas essa água disponível para outro uso na época seca, passamos a buscar uma forma de tornar esse resíduo disponível para a agricultura”, conta o professor.
Para Miro Conceição, projetos como esse fazem com que a universidade participe ativamente da vida da comunidade, contribuindo para o desenvolvimento regional, e o reconhecimento gerado com a premiação ainda é uma motivação aos estudantes. “Estimula outros alunos a buscarem se integrar em pesquisa e extensão, bem como a desenvolverem seus próprios projetos durante a graduação. Na verdade, isso traz o sentimento de que também é possível conquistar aquele resultado, melhorando a autoestima e a confiança em sua opção de graduação”, define.
A ação foi levada a dez comunidades quilombolas de diferentes municípios do Território Sudoeste Baiano, onde a escassez de água é uma das maiores limitações para o desenvolvimento social e econômico. Participaram do projeto, as alunas de Agronomia, Mariane Duarte, e de Engenharia Florestal, Jamily Fernandes, além de estudantes de outros cursos e de professores do Centro Territorial de Educação Profissional (Cetep).
A aluna Mariane Duarte, do curso de Agronomia, explica a dinâmica do projeto que foi apresentado, inicialmente, em visitas a escolas e associações das comunidades: “Quando havia público menor que o esperado, visitávamos de casa em casa, convidando-os a conhecer a tecnologia. Em seguida, ministrávamos as capacitações. Fizemos no mínimo quatro visitas por comunidade atendida, sendo 14 comunidades com dez famílias atendidas em cada uma, o que totaliza um mínimo de 560 atendimentos diretos”.
Para a estudante, a experiência foi gratificante, pois foi possível perceber as comunidades se apropriando e se beneficiando com a iniciativa. É o que conta também a aluna de Engenharia Florestal, Jamily Fernandes. “É estar cumprindo o seu papel perante a sociedade. Além disso, essas atividades extensionistas contribuem muito para a formação profissional, pois nos colocam diante de situações em que temos que pensar e agir como profissionais. Assim, as pessoas nos veem não apenas como estudantes. Isso acrescenta muito”, reflete.



