Principal construtora envolvida na Lava Jato, Odebrecht pede recuperação judicial. Dívida passa de 98 bilhões
Principal empresa envolvida na Operação Lava Jato, a Odebrecht deu entrada nesta segunda-feira na 1ª Vara de Falências de São Paulo com um pedido de recuperação judicial da holding ODB e suas diversas subholdings. A empreiteira declarou um montante de R$ 84 bilhões em débitos, mais R$ 14,5 bilhões de créditos que ficam de fora do processo, conhecidos como extraconcursais, somando uma dívida total de R$ 98,5 bilhões, ensejando na maior recuperação judicial já realizada no Brasil.
De acordo com reportagem da jornalista Graziella Valenti, para o Valor Econômico, “as principais companhias que pediram proteção judicial contra credores foram a Odebrecht S.A. (ODB), suas controladoras Kieppe Participações, na qual a família Odebrecht é sócia com alguns executivos e ex-executivos, e ODBinv. No total, são 21 companhias”.
Além da ODB, Kieppe e OVBinv, foram para a recuperação judicial OSP Investimentos, controladora da Braskem e acionista da Atvos, Odebrecht Serviços e Participações, Atvos Agroindustrial Investimentos (dona da Atvos, em recuperação judicial desde 29 de maio), OPI, Odebrecht Participações e Investimentos, ODB International Corporation, Odebrecht Finance Limited (emissora de US$ 3 bilhões em bônus garantidos pela construtora OEC), Odebrecht Energia Investimentos, Odebrecht Energia, Odebrecht Energia Participações, Odebrecht Energia do Brasil, Odebrecht Participações e Engenharia, Edifício Odebrecht Rio de Janeiro, Odebrecht Properties Investimentos, Odebrecht Properties Parcerias, OP Centro Administrativo, OP Gestão de Propriedades e Mectron.
O Valor noticiou que a Caixa Econômica Federal passou a executar diversas companhias do grupo, em especial consórcios no qual o grupo tenha participação e nos quais o FI-FGTS consta como agente financiador. Na semana passada, uma das execuções chegou às últimas consequências com a citação formal da Odebrecht pela Justiça, referente à construção da Arena Corinthians, no valor de R$ 632 milhões. O caso corria em segredo de Justiça até a citação.
No pedido levado à 1ª Vara, a Odebrecht pede que fiquem protegidas execuções de garantias que incluam as ações da Braskem, Ocyan e Atvos. Todas as três companhias foram dadas em garantias para bancos. As dívidas que possuem esse tipo de garantia são “extraconcursais” e, portanto, os créditos atrelados a elas não votarão na assembleia geral de credores, diz a matéria do Valor.


