Com recursos garantidos desde 2015, reforma do terminal de ônibus de Conquista não sai do papel

Com recursos garantidos desde 2015, reforma do terminal de ônibus de Conquista não sai do papel


 

Um novo projeto teria sido elaborado com a participação do arquiteto Eloy Kockanny, da Via 11, que entregou hoje ao prefeito Herzem Gusmão resultado de estudo sobre a circulação viária na cidade, incluindo (espera-se) a Avenida Lauro de Freitas. Aguarda-se que, agora, a prefeitura consiga abrir a licitação para fazer a reforma necessária e esperada há anos.

A reforma do Terminal de Ônibus Urbanos da Avenida Lauro de Freitas é uma promessa que vem desde a administração passada. Construído em 1984, com previsão de atender à cidade por 20 anos, o terminal tornou-se decadente e pouco funcional. Para o jornalista e escritor Jeremias Macário, é a coisa mais feia que existe em Vitória da Conquista. Apesar da sua feiúra e de seus incontestáveis defeitos, o terminal tem um excelente localização geográfica, fruto da visão do engenheiro Pedral. Está perto da principal zona comercial da cidade e do Ceasa, uma das maiores feiras da Bahia e do Nordeste.

Em 1984, Vitória da Conquista tinha 190.245 habitantes, estimava o IBGE, e circulavam pela cidade menos de 20 mil veículos. Hoje são 338.885 habitantes (estimativa 2019) e mais de 120 mil veículos, sem contar os que chegam e saem todos os dias, vindo dos municípios da região. Não ia dar em outra coisa: as vias apertadas em torno do terminal tornam problemático o tráfego no local. Aliás, a Avenida Lauro de Freitas é a menor avenida de Vitória da Conquista, talvez uma das menores do país, não tem mais de 500 metros.

Duas opções estão sempre aparecendo quando se trata do terminal. Reformar o equipamento e modificar trânsito à sua volta ou mudar o mesmo de lugar. Nem uma coisa nem outra foi feita, além da construção de mais um módulo, há 12 anos.

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Em 2015, a Prefeitura conseguiu fazer um remanejamento nos recursos do PAC 2 que haviam sido destinados para obras de requalificação dos corredores do transporte público e garantiu uma verba de R$ 5,1 milhões para fazer a reforma. Em 2016, os projetos executivo e arquitetônico ficaram prontos, mas a obra não foi iniciada pelo ex-prefeito Guilherme Menezes. O sucessor dele, Herzem Gusmão, resolveu adotar o projeto e antes de completar um mês de gestão, no dia 23 de janeiro de 2017, assegurou que faria a reforma. “Gostamos do projeto. É belíssimo, Vitória da Conquista vai aplaudir”, disse Herzem e em seguida autorizou o então chefe de gabinete, Marcos Ferreira, a dar início ao processo licitatório.

Herzem apresenta projeto do novo Terminal da Lauro de Freitas, em janeiro de 2017

QUATRO ANOS

Desde então, já passaram quase dois anos e meio, que, somados ao tempo que a promessa foi feita e os recursos foram liberados, em 2015, são quase quatro anos. Estranhamente, em entrevista ao BATV, da TV Sudoeste, no dia 16 de abril, o secretário de Mobilidade Urbana, Jackson Yoshiura, disse que a prefeitura aguardava liberação dos recursos por parte da Caixa Econômica Federal para execução da obra.

Antes, no dia 13 de fevereiro, o prefeito Herzem Gusmão (MDB) definiu com a diretoria da Câmara de Diretores Lojistas (CDL) que, no dia 26 de fevereiro, um novo projeto para a reforma do Terminal da Lauro de Freitas e, consequentemente, de toda a avenida, seria apresentado para os comerciantes. O novo projeto teria sido feito com a participação do arquiteto Eloy Kockanny, da Via 11 Engenharia, contratada pela Emurc por R$ 760 mil para elaboração do Plano de Circulação Viária, mas, não chegou a ser apresentado.

Nesta quinta-feira (27), Kocknanny entregou ao prefeito o relatório com os estudos feitos sobre a circulação de veículos e pessoas na cidade. Na reportagem divulgada pela Secretaria de Comunicação não foi informado se o material entregue a Herzem contempla o problema da Avenida Lauro de Freitas e do velho terminal de Pedral. Aguarda-se para os próximos dias uma manifestação do prefeito sobre o assunto. Ele explicará se, de fato, abriu mão de projeto que considerou excepcional em 2017, se já há um projeto novo e quando será aberta a licitação para a obra ou se pretende entregar à Emurc.

A reforma do terminal de ônibus urbanos da Avenida Lauro de Freitas deixou der apenas uma questão funcional, urbanístico e prático, do ponto de vista de mobilidade e organização da cidade, para ser também uma demanda política. O que se espera é que o governo aproveite o ritmo dinâmico que passou a imprimir às suas ações e coloque em prática o projeto que já custou tanto tempo e dinheiro.

VEJA VÍDEO DO PROJETO APRESENTADO POR HERZEM EM JANEIRO DE 2017

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