Registros de ataques de cães fazem voltar debate sobre uso da focinheira

Registros de ataques de cães fazem voltar debate sobre uso da focinheira


Os registros de recentes ataques de cães da raça pitbull começaram a estimular debates sobre os riscos da presença desses animais em locais público e de trânsito de pessoas. O caso do menino de cinco anos que foi atacado no Rio de Janeiro e salvo por um vizinho (que acabou sendo mordido), na quinta-feira passada (19), ganhou notoriedade, mas não foi o único este ano e nem este mês. No Rio, o jovem Patrick Ruas, que salvou a criança, disse que o pitbull já tinha sinais de ferimentos, que poderiam ser de maus tratos, e eximiu o animal de qualquer culpa.

Entre os registros, em Caxias do Sul, outro menino da mesma idade, sofreu mordidas na cabeça e no braço direito, dois dias antes. O ataque ocorreu dentro casa. A criança foi hospitalizada e ficou bem. O cão foi sacrificado.

No mês de novembro, clientes do Shopping Paralela ficaram revoltados porque uma mulher levou seu pitbull para passear no estabelecimento sem estar com focinheira. Quem vou a cena se assustou e reclamou com a direção do shopping. Segundo o site Varela Notícias, “a situação gerou ‘mal-estar’ e medo entre adultos e crianças”.

Em Vitória da Conquista, onde existe uma lei municipal determinando que os cães de raças como pitbull, rottweiler, doberman ou fila, devem ser levados por corrente e fazendo uso da focinheira, a preocupação passou a ser maior porque mais gente está levado cães para passear na reformada Avenida Olívia Flores. Muita gente teme uma reação inesperada dos animais.

Isso, apesar de especialistas e treinadores de cães de guarda dizerem que os bichos só reagem quando se sentem ameaçados ou sofrem agressões. A questão é que qualquer gesto brusco, um levantar de braços, pode ser entendido pelo cão como uma ameaça. Por isso, vários municípios adotaram regras para a circulação de cães por lugares públicos, como dos bichos serem levados por corrente presa à coleira e o uso de focinheira.

Em São Paulo há lei estadual determinando as condições para que algumas raças possam circular por vias públicas. O texto da lei 11.531/2003 diz que “a condução em vias públicas, logradouros ou locais de acesso público de cães das raças ‘pit bull’, ‘rottweiller’ e ‘mastim napolitano’, além de outras especificadas em regulamento [‘american stafforshire terrier e raças derivadas ou variações de qualquer das raças indicadas’], deverá ser feita sempre com a utilização de coleira e guia de condução” e alguma raças, além da guia curta de condução, devem usar enforcador e focinheira.

Quando a lei conquistense, de autoria do ex-vereador Miguel Felício (PCdoB), estava sendo debatida, no final dos anos 1990, o então radialista Herzem Gusmão dizia no programa Resenha Geral do Meio-Dia que considerava um crime as pessoas andarem na Olívia Flores levando cães para passear sem focinheira. Herzem alegava que havia riscos à integridade física e até à vida de quem passava pelo local. Hoje, prefeito de Vitória da Conquista, o que ele fará para que a lei seja cumprida?

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