Waldenor e Lúcia terão que achar seus vices | Impasse na base governista indica duas candidaturas. Não será primeira vez

Waldenor e Lúcia terão que achar seus vices | Impasse na base governista indica duas candidaturas. Não será primeira vez

Dão uma noção da tensão porque passa o partido que foi detentor do poder municipal durante 20 anos, os malabarismos verbais do governador Jerônimo Rodrigues para explicar a sua posição diante do impasse vivido pela base governista em Vitória da Conquista, onde tem, por um lado, o deputado federal Waldenor Pereira (Nonô), como pré-candidato declarado e lançado pelo diretório municipal do PT, e pelo outro, a vereadora Lúcia Rocha, do MDB, que, segundo se diz, lidera as pesquisas de intenção de voto.

Lá de Salvador, onde é o cérebro do ressurgimento do MDB na política estadual, o presidente de honra do partido, Lúcio Vieira Lima, diz que a xará não abre nem para o trem e argumenta que ela é um avião em velocidade de cruzeiro, em céu de brigadeiro, e não justifica, a essa altura, pensar em arremeter. O PT de Vitória da Conquista tem discurso parecido, ainda que seja obrigado a admitir que o pré-candidato do partido ainda voa baixo e, embora o avião dele esteja lotado, enquanto o de Lúcia voa vazio, o destino, a depender das falas do controlador Jerônimo, do alto da torre, ainda não está certo.

Essa tensão tende a se aliviar neste sábado (20), quando não apenas Jerônimo, mas também o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, serão instados por militantes e pela imprensa a dizer se vão assegurar a candidatura de Waldenor até depois da eleição de 6 de outubro, ou se vão deixar prosseguir o suspense.

O governador disse esta semana que a base governista estadual tem dois nomes na pré-disputa, Lúcia e Nonô, e que a definição sobre quem representará o PT e aliados ficará para depois, quando ele e o conselho político que lidera verificarem quem se deu melhor na corrida das pesquisas, que, para Lúcia, tem sido uma corrida de fundo, que ela vem fazendo há mais tempo, tendo saído na frente, enquanto para Waldenor é um sprint, em que ele tem que dar o máximo esforço para alcançar a linha de chegada.

Se convencido a deixar a função de operador da torre de controle e assumir os manches do avião petista que sobrevoa a eleição conquistense, o governador verá que, sim, por aqui não tem essa história de candidato único da base há muito tempo. Se for pessimista e olhar apenas para as duas últimas derrotas, neste sábado Jerônimo não vai falar nada diferente do que vem dizendo, mas deve se lembrar que no primeiro turno de 2020 Zé Raimundo ficou à frente de Herzem, que foi reeleito no segundo, mesmo com todos os partidos e lideranças da base tendo apoiado o petista naquela fase da eleição.

A confirmação das presenças do ministro Rui Costa, da Casa Civil, e do senador Jaques Wagner, que, ao lado de Jerônimo Rodrigues, dirão o que deve acontecer com a posição petista em Vitória da Conquista, é um indicativo fortíssimo de que, apesar do abalo e das interpretações pela fala do governador, o PT deve mesmo seguir com o nome de Waldenor para disputar a eleição de outubro.

Por sua vez, Lúcia Rocha mantém sua caminhada, abraçando aqui, recebendo beijos ali, ouvindo seu nome nos bairros e na zona rural, ganhando força, mas em silêncio para quem não está na sua marcha. Confia no MDB, na relação com a população mais vulnerável, construída em 32 anos de permanente campanha.

Para Jerônimo, Lúcia e Nonô são os pré-candidatos da base governista, mas Vitória da Conquista, o PT e o MDB incluídos, já está preparada para ter os dois na disputa

Assim, voltando à paródia dos aviões, os dois devem fazer uma escala nos próximos dias, para a entrada de um passageiro ou uma passageira, ainda sem nome e rosto para se sentar na poltrona ao lado*, já que nenhum dos dois quer sair da janela.

* Leia-se: vice.

Foto interna: Mateus Pereira/GOVBA | Foto do destaque: Nei Ferraz/Casa do Vídeo

7 comentários sobre “Waldenor e Lúcia terão que achar seus vices | Impasse na base governista indica duas candidaturas. Não será primeira vez

  1. Ainda creio em uma composição PT/MDB até o período de convenções dos partidos. Claro que as alianças também passarão pelo crivo dos caciques estaduais, mas creio que politicamente, para Lúcia, estar na majoritária em uma chapa com reais chances de vitória podem ser um bom trampolim para ela em 2026.
    De qualquer maneira, esses próximos dias ainda teremos muitas conjecturas a analisar. O cenário segue aberto.

  2. Não acho que Lúcia tenha chances de vitória, mas como dito no comentário anterior, ela pode pensar em 2026. O voo dela pode atrasar ou ser remarcado. De qualquer forma, politicamente, aconteça o que acontecer até as convenções, ela já é vitoriosa. Em caso de manutenção de candidaturas que venham a “quebrar” alianças estabelecidas anteriormente, tanto pelo lado petista, quanto pelo lado da prefeita, a dinâmica eleitoral pode ficar ainda mais incerta.

  3. Lúcia com apoio do PT e Governo Estadual tem reais chances de vitória. Do contrário apesar de entender em Waldenor melhor nome do PT conquistense, eleitoralmente é mais fraco que Sheila e a própria Lúcia Rocha no cenário conquistense. Mas é importante frisar que o PT nunca costuma ceder espaço, sempre se faz política para o seu grupo.

    1. Justamente, não creio que o PT abriria mão de encabeçar a candidatura. Mas sim, Lúcia é muito mais palatável do que Waldenor. Agora, ela se aventurar só, aí dificilmente vai conseguir êxito, mas caso a candidatura se mantenha, ela seria o “fiel da balança” em um eventual segundo turno.
      Seja qual for sua escolha, politicamente ela sai fortalecida.

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