Pílulas e venenos: PDT quer 10%, mulher com mulher dá jacaré, o teto e outros assuntos

Pílulas e venenos: PDT quer 10%, mulher com mulher dá jacaré, o teto e outros assuntos

Ou 10% na pesquisa ou altera os planos

Esta semana, conversei com pessoa importante muito bem informada sobre o PDT estadual, que ligou para comentar da situação do partido em Vitória da Conquista. A fonte confirmou as duas realidades paralelas de conhecimento público: 1. Sim, o PDT tem pré-candidato a prefeito no município; 2. Sim, o PDT conversa com a prefeita Sheila Lemos (União) sobre apoio à sua reeleição. Mas, segundo a pessoa, há um condicionante para que o advogado Marcos Adriano continue com seu plano de ser candidato a prefeito: aparecer em abril com pelo menos 10% nas pesquisas de intenção de voto. Uma missão e tanto, por isso a fonte acredita que o mais provável é o PDT seguir para a base de apoio à reeleição de Sheila Lemos.

Pré-candidato zangado perde chance de esclarecer

Antes de escrever a nota acima, mandei mensagem ao pré-candidato do PDT, Marcos Adriano, para saber se a condicionante partidária é verdade e qual a posição dele diante da informação. Informei que não declinaria a fonte, por pedido feito pela pessoa, mas ressaltei que se trata de pessoa séria, que conhece o que está se dando no PDT. Marcos Adriano não gostou. Falou que só responderia se eu dissesse o nome da pessoa com quem falei e acabou por dizer que eu estava apenas fazendo fofoca. Desconheceu que o procurei antes de publicar, para ter dele um esclarecimento. Ele poderia me convencer de que não há essa condição do PDT para sua pré-candidatura. Mas, zangado, preferiu desqualificar o jornalista. Me resta expor o ocorrido e afirmar que, colocando na balança a seriedade e a credibilidade da minha fonte e a reação indignada e imatura do pré-candidato, não duvido que o PDT tenha mesmo dando um prazo e determinado piso mínimo para Marcos Adriano manter na sua cruzada quixotesca.

Mulher com mulher vira jacaré e homem vira lobisomem

Esse ditado é mais antigo do que as palmeiras da Praça Tancredo Neves, mas, vez por outra, tem gente tentando fazer seu uso como filosofia de costumes. Não vale, porque não vira. Mas, veio à mente aplicar, como humor, na aparente regra que vem sendo imposta nos tempos atuais da política conquistense em relação à formação de chapas de cargos majoritários. Mais de uma vez a gente ouve conversas sobre fulano ou sicrano serem boas opções de vice para beltrano e a resposta, invariavelmente, tem sido que não serve porque é homem também. Quando se trata de pré-candidata a linha de argumentação é similar.

Há duas eleições para prefeito de Vitória da Conquista a presença feminina vem aumentando, embora quase totalmente na condição de candidatas a vice-prefeita. Em 2020, das oito chapas concorrentes, três tinham mulheres como vice: Irma Lemos (PTB) com Herzem Gusmão; Sidélia Porto (PSD) com Zé Raimundo, e Fabiane Santana (PDT), com Roberto Dias. Na eleição seguinte, das sete chapas, quatro tinham mulheres, sendo uma candidata a prefeita, Maris Stella Schiavo (Rede), que teve como vice Leone Gomes, do mesmo partido. Herzem Gusmão saiu com Sheila Lemos (DEM); Zé Raimundo com Luciana Oliveira (PCdoB) e David Salomão teve como vice Luiza Ariana Mota (PRTB).

Para 2024, sem as sinalizações de vice de Marcos Adriano (PDT) e de David Salomão, há indícios de que, se for candidato, Romilson Filho vai ter uma mulher com ele na chapa. Para Waldenor Pereira (PT), até agora só apareceram opções femininas, a começar de Lúcia Rocha (MDB), que era o sonho de vice de 11 entre dez petistas, passando pela delegada Gabriela Garrido até chegar em Luciana Silva, professora de Direito e presidente da OAB regional. As duas pré-candidatas devem vir com homens nas chapas. Lúcia Rocha já apresentou o vereador Delegado Marcus Vinicius, do Podemos, e Sheila convive com uma lista de uma dúzia de nomes masculinos e nenhuma mulher. Nos dois casos, assim como no de Waldenor, o argumento é de estratégia, já que a chapa mista ‘daria equilíbrio e demonstraria uma igualdade intencional’.

Tem farinha no saco e proposta na cachola?

É uma coisa que para falar a gente precisa ter o cuidado de quem anda sobre ovos, porém, mais cedo ou mais tarde, essa discussão tomará a campanha. Mas, a questão é: uma pessoa pode vencer uma eleição em um colégio eleitoral como Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, a 68ª do Brasil, apenas fazendo vídeos e fotos com abraços e sorrisos e, aqui e ali, mostrando um buraco ou um poste sem lâmpada? É possível se manter bem nas pesquisas até a eleição, andando pelos mesmos lugares, fazendo os mesmos gestos, distribuindo iguais acenos e ofertando os mesmos bens de sempre: promessas?

E isso sem dizer nada sobre desenvolvimento do município, sem apresentar uma ideia maior do que levar uma bomba de água a um distrito ou uma cesta básica a um povoado? E as propostas macro, as ideias para transformar os locais e a vida das pessoas, tem condição de apresentar? Está treinando para isso, sabe como dizer, tem quem respalde? Antigamente se dizia que quando o povo queria não adiantava contrariar, mas hoje o pensamento veloz nas redes sociais, a tecnologia que ajuda a pessoa mais simples a interpretar intenções e competências, costuma alterar essa regra antiga. Sem preparo, o povo pode se contrariar e aí, infelizmente, o castelo de areia pode ruir e se perder entre os dedos. É o efeito Russomano, um fantasma que vagueia por aqui.

A palavra é tudo

Políticos há pelo Brasil que têm grande dificuldade de alcançar grandes feitos, como se eleger prefeito ou deputado, porque carregam o peso de estigmas. As coisas até evoluem, crescem rápido, mas quando o ‘polígrafo espontâneo das ruas’ começa a investigar, a cabeça bate no teto e a queda pode ser fatal. Os estigmas são diversos, mas um tem peso excepcional: a falta de palavra, o carimbo de ‘enrolão’. Tem gente na campanha de Conquista que tem consciência disso, mas como não pode mudar tão rápido, age como João Sem Braço e espera que o povo não cobre. Será que vai dar certo?

Foto destaque: o gabinete cobiçado

Esta foto é do gabinete da Prefeitura de Vitória da Conquista, no formato criado pelo ex-prefeito Herzem Gusmão. Antes da reforma que Herzem fez, este espaço servia as reuniões com secretariado e equipe. O prefeito recebia em um gabinete próprio. Hoje, a prefeita Sheila Lemos usa essa mesa para as reuniões de trabalho, audiências e receber autoridades, é, de fato, o gabinete. Uma sala ao lado lhe dá suporte e é onde ela faz as conversas mais amiúdes e que exigem discrição maior. Essa fotografia é velha, hoje há duas fotos de Herzem Gusmão à direita das bandeiras, mas o restante está igual, com todos os prefeitos e intendentes da história de testemunhas do que acontece no gabinete da Praça Joaquim Correia, tão cobiçado.

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