Vai ter mulher no topo da gestão municipal de Conquista em janeiro de 2025. E brancas (os homens também)
Para a eleição de prefeito, que acontece no dia 6 de outubro, quase tudo é incerteza, no caso de Vitória da Conquista. Mas, se o Brasil não entrar em guerra, outra pandemia não começar ou um meteoro não nos der o mesmo fim dos dinossauros, e a eleição se realizar, uma coisa certíssima vai decorrer dela: uma mulher terá um gabinete na prefeitura (isso se a eleita não abrir mão da posse, sabe-se lá…). Pode ser uma prefeita: Sheila Lemos (União) ou Lúcia Rocha (MDB); ou uma vice-prefeita: Luciana Silva ou Ariana Mota, a primeira na chapa com Waldenor Pereira (PT) e a segunda com Marcos Adriano (Avante).
Neste sábado, 6 de julho, Vitória da Conquista chega ao 2.744º dia tendo mulher como vice ou como prefeita titular. Se Margarida Oliveira não tivesse desistido de assumir a vice de José Pedral Sampaio, em 1993, essa conta seria maior. O fato é que Irma Lemos se elegeu em 2016 na chapa de Herzem Gusmão, tendo sua filha Sheila a substituído na eleição de 2020, e assumido definitivamente em março de 2021, com o falecimento de Herzem.

E essa certeza de que haverá presença feminina no topo do governo municipal existe porque os candidatos homens não quiseram virar lobisomem e escolheram fêmeas para suas chapas (e as mulheres não se arriscaram a virar jacarés e optaram por machos como seus vices). É uma das trends do momento da política. Tem sido assim em grande parte do país, tornou-se quase obrigatório ter o sexo oposto (ou outro gênero) de vice; assim como valorizar a questão étnica… Ops! Nessa, parece que Conquista falhou.
Se você leu até aqui, pode estar dizendo que o texto não está lá essas coisas. Reconheço. Mas, é que senti saudade de escrever sobre a política conquistense e sei que embora a questão abordada por mim “todo mundo já sabia”, creio que dei uma luzinha a mais nesse aspecto histórico da nossa política.
E agora, quem sabe essa parte da etnia leve a algum debate?



Eu adorei o texto. Todo mundo saber não necessariamente significa que “todo mundo” consiga refletir sobre como, por que e para que as mulheres agora estão sendo convocadas nessas eleições, muito mais do que em outras.
Por que as mulheres, que sempre foram minoria na política, agora necessariamente têm que fazer parte das chapas do executivo? Quais são as mulheres que compõem essas chapas aqui em Conquista? Por que foram chamadas? O que podem fazer pelas outras mulheres, as que precisam muito do poder público, as mulheres pobres, pretas, trabalhadoras? Por que só as mulheres brancas estão nessas chapas? Nesses anos com uma mulher no comando, como vivenciamos essa diferença?
Gosto muito de constatar que continuaremos a ter mulheres no executivo, porém essas reflexões são necessárias porque são pistas da distância do caminho a ser percorrido.