Em espécie de 2º turno – sem o eleitor – vereadores de Conquista fazem campanha visando a cadeira de prefeito
No dia 1º de janeiro de 2025, logo após a posse, os vereadores escolherão a mesa diretora da Câmara Municipal, composta de presidente, vice-presidente, primeiro e segundos secretários e segundo vice-presidente. Cabe a eles conduzir os trabalhos e a administração da Casa Legislativa. Mas, a eleição da nova direção terá um componente inédito e importante: o presidente poderá ser prefeito de Vitória da Conquista por um período que pode chegar a 40 dias. Isso por causa da situação jurídica da eleição para prefeito.
Como a prefeita Sheila Lemos, candidata à releição pelo União Brasil foi a mais votada, com 58,82% dos votos, mas concorreu na condição de indeferida por inelegibilidade, definida pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), os votos dela foram anulados, levando-a a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde o processo se encontra sob análise do relator, ministro André Ramos Tavares. Ele vai decidir nos próximos dias, monocraticamente (sem precisar ouvir os demais ministros), se acolhe o recurso ou dá seguimento ao processo, submetendo o pedido da prefeita ao plenário.
A depender da decisão do relator (se acolhe o recurso ou não) ou do resultado do julgamento pelo TSE, uma das possibilidades é ocorrer uma nova eleição. As outras duas são: considerar a prefeita eleita ou, hipótese considerada improvável pela maioria dos advogados ouvidos pelo BLOG, proclamar a vitória do segundo mais votado, que foi Waldenor Pereira, do PT.
Os candidatos que disputaram a eleição de 6 de outubro e os partidos precisam acertar as estratégias para evitar surpresas: definir quem seria o candidato na hipótese de uma nova eleição. E, no caso de Sheila, favorita para fazer o presidente da Câmara de Vereadores, escolher o nome que prefere ter à frente da Prefeitura nos dias que antecederão à nova eleição, no caso de não sair nenhum decisão do TSE este ano. Ou mesmo porque se ela vencer em Brasília precisará ter alguém de sua extrema confiança dirigundo o lesgislativo municipal.
Embora possa apresentar uma chapa, a oposição à prefeita sabe que não tem muita chance de ganhar a disputa para a Mesa Diretora, mesmo assim, o vereador Fernando Jacaré, que já foi presidente duas vezes, colocou a cabeça para fora da água. Ele fala em ter uma composição mista da diretoria, mas quem conhece as nuances dos discursos do político diz que, ao negar interesse, Jacaré só disfarça, e que a oposição pode querer fazer o presidente, afinal, o cargo de prefeito, mesmo que por um ou dois meses, importa muito. “Quem desdenha quer comprar”, diz uma fonte sobre a aparente indiferença da oposição.
Pelo grupo de partidos que elegeram a prefeita, pelo menos cinco nomes circularam como interessados: o atual presidente Hermínio Oliveira, que iria para o terceiro mandato como presidente,em oito de vereador; Luís Carlos Dudé, que foi não apenas presidente, como chegou assumiu o cargo de prefeito interinamente por 12 dias; Ivan Cordeiro, que chega ao segundo mandato com a chancela do PL, partido de Bolsonaro; Edivaldo Ferreira Júnior, que vai ao terceiro período na Câmara e se credencia com a bancada de três vereadores do resuscitado PSDB; e o novato Diogo Azevedo, que ainda não teve tempo para entender o Poder Legislativo Municipal, obrigações e meandros, mas chega com uma bagagem de 6.017 votos, a maior da história conquistense para um vereador.






Estes são os seis nomes anotados nas agendas dos demais vereadores, dos quais oito são imberbes em questões relacionadas à Câmara Municipal, mas que estão estudando o regimento como a um catecismo. Entretanto, o silêncio ou a timidez não afastam a possibilidade de qualquer outro parlamentar sonhar em ser eleito presidente e chegar à cabeceira da grande mesa de reuniões do gabinete da Praça Joaquim Correia, 55. Todo mundo quer.
E a campanha segue até perto do Natal. Com presente e tudo. É como se fosse o segundo turno da eleição, preparatória para o terceiro turno que dá todos os sinais de que chegará um pouco antes da posse dos vereadores, mas não a tempo de decidir quem será o prefeito ou a prefeita que governará até 31 de dezembro de 2026. Até lá, sem que você possa fazer nada, caro eleitor, só rezar para que Deus evite o pior, Vitória da Conquista terá um prefeito tampão com todas as prerrogativas de um prefeito eleito e definitivo, desde acertar ou fazer besteira com a caneta na mão.
A ver.


