Campanha, relação com Lúcia Rocha e Waldenor e legado de Herzem, veja o que a prefeita Sheila Lemos falou sobre isso
Nas duas partes publicadas da entrevista que o BLOG fez com a prefeita Sheila Lemos (União), na terça-feira (27), o leitor ficou sabendo o pensamento da gestora sobre o secretariado para o próximo ano e a eleição na Câmara de Vereadores. Mas a entrevista, que durou uma hora, tratou de diversos outros assuntos, como a campanha eleitoral e os adversários.
O BLOG quis saber se o próximo governo terá uma marca diferenciada, por ter sido obtido em uma eleição vencida por ela, diferentemente do atual, em que ela assumiu, na condição de vice, com a morte do prefeito Herzem Gusmão. Isso afastará o legado de Herzem, que ela defendeu nos atuais quatro anos?
Veja o que Sheila Lemos disse sobre cada um desses temas.
BLOG – Vamos falar de campanha. Em que momento a senhora ficou triste e em qual foi mais feliz?
SHEILA LEMOS – A campanha foi alegre, propositiva. Eu fiz com muita vontade, muita vontade mesmo, sem amarras, sem nada. Claro que fiquei triste nos momentos que me via sendo desrespeitada pelos adversários, ninguém gosta. Então, teve alguns dias que eu cheguei a ficar muito desgostosa, mesmo, com o processo eleitoral. Eu disse, ‘minhas filhas não podem mais ligar a televisão, não podem mais sintonizar uma rádio, porque os adversários estão o tempo inteiro falando’, porque ninguém não gosta quando falam mal dos nossos, não é assim?
A parte difícil da campanha foi essa, porque o adversário não jogou o jogo que deve ser jogado, que é a proposição, levar para a população propostas e respeitar os concorrentes. Eu nunca desrespeitei ninguém, eu me defendi. Primeiramente, eu nem estava me defendendo. Fui deixando, mas quando a coisa começou a apertar demais, aí eu tive que me defender. Então, a parte da campanha que vai ser lembrada com a parte ruim são esses ataques dos adversários e eu fui atacada isso desde a pré-campanha.
BLOG – Não teve tem uma coisa específica, algo que alguém disse, em especial?
SHEILA LEMOS – Não, não, foi essa questão, mesmo, de estarem com inverdades, trazendo essas coisas inverídicas e falando da pessoa. Eu acho que em um processo político a gente deve falar do processo político e não das pessoas,
BLOG – Considerando a eleição como já passada, embora os seus adversários usem dos mecanismos legais para continuar questionando, como a prefeita pensa que pode ser a relação futura com os três? Pelo que eu sei, a senhora não tinha nenhum relacionamento com Marcos Adriano, talvez nem o conhecesse pessoalmente, mas já esteve com Lúcia perto, ela já apoio seu governo. Também não é conhecido relação mais próxima com Waldenor, mas não registros de problemas entre os dois antes da eleição. O que diria se alguém lhe perguntasse o que sente em relação a cada um dos três, como pretende se comportar com eles daqui em diante?
SHEILA LEMOS – Vamos lá, você me conhece e sabe que eu não trago isso muito para o pessoal. Fiquei chateada, é claro, fiquei decepcionada com os ataques. Mas fiquei triste, principalmente, com Lúcia, porque ela fazia parte de nossa base, ela me conhece, os outros não me conhecem. Mas ela me conhece, porque foi colega de minha mãe, as duas como vereadoras, e eu trabalhei na Câmara, eu a conheço há 20 anos. Então, talvez, o que mais me magoou foram as ofensas de Lúcia, por ela me conhecer, mas não levo isso, não, não guardo, graças a Deus eu não guardo essas coisas no meu coração. Então assim, não tenho problema nenhum com Lúcia.
Com Waldenor, eu sempre tive uma relação institucional, porque ele é deputado. Quando nos encontrávamos nos locais, cumprimentava-o como deputado; nunca foi uma relação de amizade, sempre uma relação institucional. E o Marcos Adriano sequer o conhecia, fui ficar de frente a Marcos Adriano no debate; eu não o conhecia pessoalmente. Digo que não tenho o que guardar de raiva, essas coisas. Um eu não conheço, o outro eu tenho uma relação institucional que vai continuar, pois eu sou prefeita e ele é deputado. A gente vai continuar se encontrando, se cumprimentando, e se houver causas de Vitória da Conquista que precisarem ser resolvidas, converso com ele, sem problemas; E tenho certeza que ele também vai conversar comigo.
Já a vereadora Lúcia, vou entender como se fosse ali o processo eleitoral, que foi coisa de palanque. e descendo do palanque não tem mais.
BLOG – Resumindo: a prefeita diz que, a apesar de a eleição ter sido desgastante emocionalmente em vários momentos, em razão de ataques dos adversários, passada a disputa a senhora manterá relacionamento normal com Waldenor, Lúcia e Marcos Adriano.
SHEILA LEMOS – Sem problema nenhum. Você sabe que eu não guardo mágoas, este coraçãozinho não cabe.
NOVO GOVERNO E HERZEM
BLOG – A senhora passou o atual mandato mantendo reverência ao chamado legado de Herzem Gusmão, de alguma forma admitindo que sua gestão foi uma continuidade da dele. Vai continuar repartindo os méritos com Herzem?

SHEILA LEMOS – Se tem uma coisa que tem uma coisa dentro de mim é gratidão. Eu serei eternamente grata a Herzem. Por ter me escolhido para estar na chapa com ele, porque foi por essa escolha que eu sou prefeita hoje. Não dá para esquecer. Herzem abriu as portas da política para mim. Eu antes, como disse, era a filha de Irma e tinha sido candidata a deputada federal, mas, ser escolhida para ser a vice, me introduziu de uma forma efetiva na política e eu serei sempre grata por tudo que ele. E tenho um respeito enorme e uma admiração por ele para sempre, não apenas ao legado, mas à pessoa, mesmo.
BLOG – Por falar em legado, o que pode ser destacado, além de obras no legado de Herzem Gusmão?
SHEILA LEMOS – Se a gente for pensar, a cidade vinha de um comodismo, estava acomodada com a forma de governar do PT. A gente tinha se acostumado já. Era só perguntar às pessoas, elas não falavam que era ruim. Aí, Herzem entra para romper com esse paradigma e mostra uma nova forma de administrar. É o que eu falo, de Herzem para cá, nós temos a iniciativa privada como parceira. Na época do PT, iniciativa privada era adversária.
Eles entendiam que o privado é não podia participar de nada que era público, não podia estar junto. Que o empresário só pensava em ganhar dinheiro, só queria tirar da cidade. E, na verdade não é isso. Desde Herzem, a gente vem agindo diferente, a gente vem, desde 2017, trazendo a iniciativa privada para ser parceira do Município. E o município tem crescido muito, muito mesmo. Quem veio a Vitória da Conquista há dez anos e chega aqui hoje, encontra uma outra cidade. As pessoas falam isso. A cidade está linda. A cidade nem parece uma cidade do interior. Tem tudo, até melhor do que as coisas em Salvador. Isso demonstra que nessa parceria com a iniciativa privada a cidade só ganhou, a cidade não perdeu em nada. Então é uma forma diferente de governador e isso quem fez foi Herzem, ninguém vai tirar isso dele. Foi ele que fez, foi ele quem rompeu essa barreira. E eu respeito muito e admiro a pessoa e o prefeito, o saudoso prefeito de Gusmão, por ter feito isso.
BLOG – Se depender de Sheila Lemos, Herzem…
SHEILA LEMOS – …vai ser sempre lembrado.
A SEGUIR
BLOG – E Bolsonaro? Como a prefeita se posiciona em relação ao bolsonarismo e como estará em 2026, quando haverá eleições presidenciais?


