O BLOG seguirá – falando de política, inclusive

O BLOG seguirá – falando de política, inclusive

Como jornalista, tenho perdido ‘amigos’ porque neste BLOG não tenho lado quando trato de política. Não ter lado significa elogiar sempre que meu entendimento pessoal indicar que a pessoa mereça ser elogiada, mesmo que uma multidão prefira criticar. Ou, ao contrário, criticar alguém que alguns só elogiariam.

Mas, a verdade é que na política todos são iguais mesmo sendo diferentes. Como os ingredientes de um grande cozido. Na panela não importa se é carne ou banana, estão ali pelo mesmo motivo e para o mesmo fim. Se não se misturarem não existirão como iguaria.

É como a sobrevivência na política.

Claro que nenhum jornalista é superior a qualquer político em termos de direitos, e ainda mais em termos humanos, mas suas obrigações não se igualam. E não haverá jornalismo de verdade se não houver a independência de agir, escrever e falar em relação à política.

Na política, a verdade, na imensa maioria da vezes, é uma circunstância associada à conveniência. No jornalismo, contudo, deve ser lema e profissão de fé. Por isso, jornalistas questionam tanto, enquanto a política, via de regra, busca as loas, quer as notícias favoráveis e, se não esconde os fatos, opta, via de regra, por omitir suas causas e/ou consequências.

Porém, mesmo pensando assim, entendo que nenhuma rigidez pode subtrair eventuais qualidades dos políticos, desconhecer-lhes o que praticam de valor. Tampouco pode não reconhecer a humanidade dos políticos e o seu pétreo e irremovível direito à presunção de inocência.

Por isso, também cabem elogios da imprensa a políticos.

Este BLOG mesmo já criticou e elogiou, por exemplo, Guilherme Menezes e Herzem Gusmão; Sheila Lemos e Waldenor Pereira, para citar os opostos mais recentes. É possível que uma crítica seja mais contundente e algum elogio tenha sido mais rasgado.

Só não é possível evitar que correligionários, amigos, seguidores, fãs, séquitos e puxa-sacos nos condenem ao fogo eterno por isso.

É o preço e o bônus, ao mesmo tempo. O jornalismo e a independência incomodam. Por isso jornalistas costumam não ter multidões de amigos e bem poucos morrem ricos.

Jornalistas de verdade erram. E não é pouco. Apóstolos de Jesus erraram, lembra? Eu erro muito, mas é difícil que possam me condenar por dolo. Intensidade, direção, forma são falhas possíveis. O lado técnico pode errar e procura fazer o reparo, o lado humano se desculpa e procura fazer melhor.

Isso é profissão de fé, uma permanente busca pelo aprendizado para não perder o rumo e a métrica. A ética.

Por isso, lamento quando alguns se ofendem porque eu não sou como eles na política. há os que dizem que ninguém pode ser como eu digo que sou, pois, categorizam: ou se é direita ou esquerda. Talvez seja isso mesmo. Mas, por enquanto, sou uma pessoa que avalia por ângulos mais próximos de mim mesmo do que de terceiros.

E assim, impregnado do meu pensamento e dos meus trilhos éticos, o BLOG seguirá. Apesar da enorme dificuldade de se manter de pé.

Tenho consciência de que nunca estarei sozinho.

Aproveito para agradecer aos exatos 14 leitores que contribuíram financeiramente com o BLOG nos últimos seis meses. Não os menciono porque não me autorizaram, mas eles sabem que sou grato e que os valores enviados foram importantes para me estimular a continuar escrevendo sobre nossa cidade – sobre política, inclusive.

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