Mais de 2/3 dos municípios incluídos no projeto da região metropolitana sequer chegam a 5% da população com carteira assinada
Ideia antiga que pode se tornar realidade nos próximos meses, tramita na Assembleia Legislativa um projeto criando a Região Metropolitana do Sudoeste da Bahia (RMSB), de autoria do deputado Vítor Azevedo, por iniciativa do presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, Ivan Cordeiro, do PL, mesmo partido do deputado. Um dos benefícios da RMSB apontados pelos defensores da proposta é estimular o desenvolvimento da região.
O BLOG fará algumas reportagens acerca das condições dos 37 municípios incluídos no projeto, tendo Vitória da Conquista à frente. Nesta primeira matéria, abordamos dois fatores que ajudam a interpretar as condições socioeconômicas de cada lugar:
- O quadro de empregos de carteira assinada, por indicar o potencial das atividades produtivas;
- O Bolsa Família, que sinaliza o quanto há de dependência dos municípios ao programa de distribuição de renda do governo federal.
Os dois, sinais inequívocos da pouca força das atividades econômicas.
Mais da metade dos 37 municípios parte do projeto da região metropolitana tem mais 50% da população no Bolsa Família. Desses 18, Caetanos tem a maior dependência do programa, 67%, dos moradores estão no PBF. Próximos da situação de Caetanos vêm Bom Jesus da Serra (57,34%) e Maetinga (56,84%).
Os municípios com menos dependência são Brumado (24,85%), Vitória da Conquista (32,80%) e Itapetinga (34,77%). Ainda na faixa abaixo dos 40% da população inserida no Bolsa Família estão: Macarani (36,62%), Guajeru (38,89%), Jacaraci (38,96%) e Mortugaba (39,82%).
Quanto aos empregos formais, os números ensejam pouca comemoração. Mais de dois terços dos municípios têm menos de 5% da população trabalhando de carteira assinada e sobe para 86% com menos de 10% dos moradores em empregos formais.
Há nove municípios com menos de 2% dos moradores trabalhando formalmente, segundo dados de janeiro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego: Caetanos, com 1,77%, Mirante, 1,76%, Bom Jesus da Serra,1,52%, Jacaraci, com 1,46%,
Presidente Jânio Quadros, 1,39%, Tremedal 1,34%, Maetinga, 1,33%, Guajeru, 1,07%, e Piripá também com 1,07%.
Neste ponto, cabe ressaltar que a proporção usada é apenas um parâmetro, pois não é possível que todos os moradores de uma cidade estejam ocupados, dado que cerca de 25% da população do Nordeste tem até 14 anos, percentual muito próximo da realidade da região da RMSB. Contudo, cidade com índices abaixo de 10% da população empregada significam que a imensa maioria dos adultos está na informalidade ou é dona do seu próprio negócio, uma hipótese improvável.
Entre os municípios com a menor proporção de empregos formais por população, cinco também estão no grupo dos que têm maior dependência do Bolsa Família: Presidente Jânio Quadros, com 1,39% da população em emprego formal e 53,53% no PBF; Tremedal, 1,34% no Bolsa Família e 54,82%com carteira assinada; Maetinga, 1,33% e 56,85%; Bom Jesus da Serra, com 1,52% e 57,35%; Caetanos, com a maior proporção de pessoas no PBF entre todos (67,79%) e 28º na relação população x emprego (1,77%).

Na próxima reportagem, o BLOG vai destacar mais dados sobre emprego nos 37 municípios da projetada Região Metropolitana do Sudoeste da Bahia, a exemplo dos setores econômicos que mais empregam em cada um, quantas famílias recebem o Bolsa Família e como é a composição de cada família.
A tabela acima está em ordem populacional, para ver as tabelas com os dados relativos ao Programa Bolsa Família e aos empregos formais, separadamente, na ordem dos melhores números para os piores, clique aqui.
FOTO DESTAQUE: REPRODUÇÃO DO PORTAL FDR (FINANÇAS, DIREITO E RENDA)


