Fala de Jerônimo sobre jogar bolsonaristas em vala repercute nacionalmente e Bolsonaro responde; governador se explicou
Discurso feito pelo governador Jerônimo Rodrigues feito na cidade de América Dourada, na última sexta-feira (2), inverteu a direção das polêmicas da política nacional, e ao invés de vir de Brasília foi daqui para lá e para o resto do Brasil.
Em sua fala durante a inauguração da Escola Estadual Nancy da Rocha Cardoso, Jerônimo disse que diante do que fez o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na sua opinião, ele poderia ser levado de enchedeira para uma mesma vala com seus eleitores.
“Tivemos um presidente que sorria daqueles que estavam na pandemia sentindo falta de ar. Ele vai pagar essa conta dele e quem votou nele podia pagar também a conta. Fazia no pacote. Bota uma ‘enchedeira’. Sabe o que é uma ‘enchedeira’? Uma retroescavadeira. Bota e leva tudo para vala”, afirmou o gestor baiano.
As declarações de Jerônimo provocaram reações de seguidores de Jair Bolsonaro, incluindo deputados, que ameaçaram processar o governador e até mesmo uma queixa-crime chegou a ser apresentada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo deputado estadual Diego Castro (PL), que considerou que a fala ultrapassou os limites do discurso político e representa uma ameaça à integridade física de opositores.
“Acabei de entrar com uma queixa-crime no STF para que o governador Jerônimo Rodrigues explique suas declarações antidemocráticas e genocidas contra nós, bolsonaristas baianos, e que o mesmo tratamento no julgamento com os presos do 8 de Janeiro seja dado ao governador”, informou cedo Diego Castro.
O próprio Jair Bolsonaro usou a rede social X (antigo Twitter) para responder a Jerônimo. Para o ex-presidente, a declaração foi um discurso de ódio: “Um discurso carregado de ódio, que em qualquer cenário civilizado deveria gerar repúdio imediato e ações institucionais firmes. Mas nada aconteceu”.
De acordo com Bolsonaro, o discurso do governador da Bahia, “não apenas normaliza o ódio como incentiva o pior: a violência política, o assassinato moral e até físico de quem pensa diferente. É a institucionalização da barbárie com o verniz de ‘liberdade de expressão progressista'”.
Ainda no seu perfil no X, o ex-presidente, disse ver um padrão na fala de Jerônimo. “O padrão é claro: só há crime quando convém ao sistema, só há repressão quando o alvo é a oposição”, afirmou”. Para ele, referindo-se a quem está no poder, “os que gritam por ‘tolerância’ e ‘combate às fake news’ são os mesmos que, na prática, incitam o ódio, mentem descaradamente e permanecem blindados por um sistema que escolheu lado”.
JERÔNIMO SE MANIFESTA
Durante visita que fez às obras de reforma do Teatro Castro Alves, em Salvador, nesta segunda-feira (5), o governador Jerônimo Rodrigues se desculpou pelos termos usados em sua fala, mas explicou que o contexto era de indignação pessoal pela forma que, segundo ele, o país foi tratado.
“Nós criticamos a forma que alguém deseja a morte do outro. Quem me conhece sabe, eu sou uma pessoa religiosa, sou uma pessoa de família, não vou nunca tratar qualquer opositor com um tratamento deste. Foi descontextualizada [a fala]. Eu apresentei minha inconformação de como o País estava sendo tratado e dei o exemplo da pandemia”, explicou.
O governador pediu desculpa pelo uso de palavras que seriam pejorativas. “Se o termo vala e o termo trator foi pejorativo ou foi muito forte, eu peço desculpa. Não foi a minha intenção, eu não tenho problemas em registrar se houve excessos na palavra. Não houve intenção nenhuma de desejar a morte de ninguém”, ressaltou Jerônimo.


