Crise no financiamento do Esaú Matos: prefeita de Vitória da Conquista busca mais apoio do governador da Bahia e conversa até com governador de Minas
Cerca de 38 anos depois do nascimento do projeto do hospital municipal e 24 anos após a sua municipalização de direito, o Esaú Matos transformou-se em referência regional em saúde materno-infantil e em um problema municipal. Pode-se ainda dizer que tem mais qualidade no serviço prestado do que dificuldades, mas essas dificuldades se avolumam ano a ano e já chegaram a colocar a unidade em risco de colapso.
Falta dinheiro para manter o Esaú Matos, que já foi o principal hospital materno-infantil do interior da Bahia mantido com recursos municipais, e o único com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal – não é mais.
Mesmo com as agruras financeiras conhecidas, o hospital atende não apenas à população conquistense, mas a 76 municípios pactuados da região Sudoeste e a quase 30 do estado de Minas Gerais, com UTI semi-intensiva, pronto socorro pediátrico, pronto atendimento em obstetrícia, centro de diagnóstico por imagem (CDI), centro obstétrico, centro cirúrgico, ambulatório, banco de leite humano, e alojamento Família Canguru. E tudo isso praticamente apenas com dinheiro do Município.
A situação financeira crítica da Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista (FPSVC), mantenedora do Esaú Matos, é de conhecimento geral e tem gerado preocupação na população, que se assusta com notícias como redução de serviços, suspensão de atendimento e até fechamento do hospital. O governo municipal, além de negar essas possibilidades, vem buscando soluções. O principal esforço tem sido por uma parceria mais efetiva do governo baiano.
No dia 22 do mês passado, a prefeita Sheila Lemos (União), foi recebida pelo governador Jerônimo Rodrigues a quem reportou as dificuldades decorrentes do subfinanciamento e reivindicou do gestor estadual a possibilidade de uma maior cooperação na manutenção do hospital municipal.
Como consequência das tratativas com o governador, a secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, esteve no Esaú Matos na semana passada, para conhecer pessoalmente o serviço prestado e avaliar com a direção da FPSVC alternativas de apoio ao hospital. Até agora, nem a secretária nem a direção da Fundação Pública de Saúde disseram quais as possibilidades avaliadas para ajuda no financiamento do Esaú.

O que o governo municipal deixa claro é que como está não pode ficar, por isso a prefeita Sheila Lemos entendeu que não apenas o governo a Bahia pode ser mais partícipe, como o governo da vizinha Minas Gerais, que tem pelo menos 27 de seus municípios mais próximos utilizando a rede de saúde de Vitória da Conquista, inclusive o Hospital Municipal Esaú Matos, pode assumir uma parte no financiamento desse atendimento de saúde.
Neste sentido, a gestora articulou para que o governador mineiro, Romeu Zema (Novo), se reunisse com ela, ontem (14), durante passagem dele por Vitória da Conquista com destino ao Vale do Jequitinhonha, onde teria agendas governamentais, nesta quinta-feira (15), em Divisa Alegre, Águas Vermelhas, Pedra Azul, Cachoeira de Pajeú e Curral de Dentro.

De Sheila, Zema ouviu que “nós recebemos muitas pessoas do norte de Minas Gerais e atendemos com o coração alegre, mas preocupados com a questão do financiamento”, ao propor ao governador que avalie parceria financeira voltada ao Esaú Matos, entre o estado mineiro e o Município de Vitória da Conquista. Romeu Zema reconheceu que um número significativa de pacientes mineiros usa a estrutura de saúde conquistense e reforçou a necessidade de ações conjuntas entre os estados para avançar nos serviços à população.
O governador também salientou ter sido Vitória da Conquista a primeira prefeitura fora de Minas Gerais que ele visitou oficialmente, reforçando o simbolismo do encontro e o compromisso com o fortalecimento das relações entre os dois estados, abrindo caminho para futuras parcerias para beneficiar a população de Minas Gerais e da Bahia.
A HISTÓRIA DO ESAÚ
O Hospital Municipal Esaú Matos existe desde 1993. Anteriormente, a sua existência foi programada e providenciada pelo ex-prefeito José Pedral Sampaio, em 1987. A construção começou em 1988, quando Hélio Ribeiro estava à frente da gestão municipal e Pedral na secretaria estadual de Transportes e Comunicações. Seria o Hospital Municipal do Kadija.
A estrutura de paredes e cobertura foi adquirida na Fábrica de Cidades, projeto da Prefeitura de Salvador, sendo Mário Kertesz prefeito, sob a condução do arquiteto João da Gama Filgueiras Lima, o Lelé. As fundações e montagem ficaram a cargo da construtora Góes Cohabita.
Quando o hospital foi concluído, já na gestão de Murilo Mármore (1889-1993), o Município não contava com recursos para seu funcionamento e depois de longo período, já com Pedral prefeito outra vez, a Santa Casa de Misericórdia assumiu a unidade, como maternidade e hospital pediátrico.
E assim permaneceu até dezembro de 2001, quando foi municipalizado na administração de Guilherme Menezes, já como Hospital Esaú Matos. Em 2013, Guilherme criou a Fundação Pública de Saúde Vitória da Conquista (FPSVC), que passou a gerir o Esaú e o Laboratório Central. A estrutura de mantém, mesmo com eventuais boatos de encerramento da fundação, com privatização dos serviços ou mesmo fechamento do hospital, o que o governo municipal nega.
NA PRIMEIRA PARTE DA MATÉRIAO BLOG USA ALGUMAS INFORMAÇÕES DA SECOM/PMCV E DA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DO GOVERNO DE MINAS (AGENCIA MINAS)

