Itabuna tem novo salto de desenvolvimento com acertos da gestão, que incluem articulação política e empréstimos bancários
É visível a velocidade da retomada do desenvolvimento em Itabuna, a partir do governo do prefeito Augusto Castro, iniciado em janeiro de 2021. Deputado estadual de oposição ao governo do PT por dois mandatos (2011-2019), Castro tornou-se prefeito depois de sair do PSDB e mudar de lado. Filiado ao PSD de Otto Alencar, que caiu nas graças de Rui Costa, governador quando foi eleito, em 2020, e depois de Jerônimo Rodrigues, o ex-tucano soube administrar as novas relações e o resultado está nos bairros, nos programas sociais e nos avanços da saúde. Em consequência, rendeu a primeira reeleição consecutiva da história da Itabuna.
Mas, não foi só política, é necessário admitir. Augusto deu uma prova de que aprendeu com a experiência das assessorias que prestou a prefeitos por muitos anos. Quando assumiu, Itabuna não tinha dinheiro para grandes investimentos, apesar de poder ser considerado um município mais barato de administrar, em razão de sua reduzida extensão territorial, são apenas 401 km², praticamente apenas a cidade. Vitória da Conquista, por exemplo, tem 3.743 km², mais de nove vezes maior. Os problemas, contudo, eram incontáveis, acumulados desde a grande crise da vassoura de bruxa, no início dos anos 1990.
Como quase todos os municípios, governo municipal de Itabuna atravessou a pandemia preso à prioridade do atendimento aos pacientes de Covid-19. Enfrentou enchentes. E na soma das insatisfações alimentadas pela oposição, sofreu críticas justamente pelas reações aos dois momentos. Passadas as duas crises, era preciso dar respostas consistentes às cobranças na saúde e na infraestrutura.
Do lado da saúde, Augusto ganhou a parceria sólida do governo estadual. Para a infraestrutura e outros investimentos recorreu a empréstimos. Dois. Por muitos anos, isso seria impossível, pois o Itabuna não conseguia sair do “spc governamental”, apelido que se dava ao Cauc, antigo Cadastro Único de Convênios e hoje Sistema de Informações sobre Requisitos Fiscais, onde são registradas as informações sobre adimplência dos entes nacionais, consultadas por órgãos federais para saber, por exemplo, se o Município está com o “nome limpo”, ou seja, não tem pendências financeiras, contábeis e fiscais com a União.
Mas, com a bagagem de conhecimentos que adquiriu prestando assessoria a gestões municipais da Bahia e que levou para a administração, Augusto sabia que não poderia criar para si mesmo uma crise financeira maior que a encontrada, por isso não tomou os empréstimos bancários com o comprometimento da arrecadação, como fez, por exemplo, Vitória da Conquista. Ele buscou financiamentos com garantia da União, que tem juros muito mais baixos e carência mais longa.
Foram R$ 115 milhões do Banco do Brasil e US$ 30 milhões do Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata). Pelos R$ 115 milhões, a Prefeitura de Itabuna pagará R$ 182.258.387,49 em dez anos, um acréscimo de 58,48%. Já pelo empréstimo internacional de 30 milhões de dólares (R$ 169.898.899,00 na cotação de sexta-feira (16 de abril) pagará US$ 48.302.674 (na cotação atual, R$ 273.552.371,00), ou seja 61,00% acima do principal. Total da dívida contraída, em reais, 284.898.899,00, valor a pagar: R$ 455.810.758,49, aumento de 59,99%.
Para comparar, apenas, no caso de Vitória da Conquista foram R$ 160 milhões financiados junto à Caixa em 2023, para pagar R$ 333.308.414,96, diferença de 108,32%, em dez anos.
Os acertos da gestão, que casa bem a articulação política com financiamentos que não comprometem finanças municipais, geram resultados já percebidos na economia e até na segurança pública. Depois de anos figurando entre as cidades mais violentas do Brasil, Itabuna terminou o ano passado como o mais seguro entre os 18 mais populosos do estado, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). E os dados de emprego formal, com carteira, assinada, negativos por anos seguidos, fechou 2024 com 1.496 empregos criados, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.



