Jair Bolsonaro em Vitória da Conquista e a polêmica da inauguração do Aeroporto Glauber Rocha, há seis anos. Relembre

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Ganhos e polêmicas. No ano de 2019, Vitória da Conquista e região ganharam dois de seus mais importantes equipamentos públicos: o Aeroporto Glauber Andrade Rocha um dos maiores do Nordeste e um dos mais bonitos do Brasil, inaugurado no dia 23 de julho, e a Policlínica Regional, entregue no dia 1º e agosto. Os dois com dinheiro federal e estadual e os dois envolvidos em longas polêmicas políticas.
Depois, destacaremos a polêmica da policlínica(se algum oportunista não aproveitar a ideia antes), neste artigo vamos relembrar os barulhos do aeroporto, antes que o som das turbinas dos aviões tomassem o espaço.
A construção do novo aeroporto começou em 2014 e o investimento foi de R$ 101 milhões, dos quais R$ 31 milhões do governo do estado e R$ 74 milhões do governo federal. No início de tudo, a presidente era Dilma Rousseff, o governador era Jaques Wagner e o prefeito de Vitória da Conquista Guilherme Menezes. A obra continuou com Michel Temer – que pagou a última parcela, em novembro de 2018 -, Rui Costa e Herzem Gusmão. E foi concluída em 2019 com os mesmos governador e prefeito, mas um terceiro presidente da República, Jair Bolsonaro.
Ainda não havia começado a pandemia, mas o conflito político e ideológico da eleição de 2018 permanecia e ganhava intensidade. A vinda de Bolsonaro a Vitória da Conquista foi precedida de uma frase pejorativa do então presidente ao se referir aos nordestinos.
“Daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão; tem que ter nada com esse cara”, disse ele em conversa informal com Onyx Lorenzoni, então ministro da Casa Civil, antes de um café da manhã com jornalistas estrangeiros no Palácio do Planalto, em Brasília.
A fala provocou reações dos governadores nordestinos e, repercutida na mídia, de grande parte da população. O termo, utilizado pelo presidente, é comumente empregado em estados do Sudeste, principalmente no Rio de Janeiro, para referências a migrantes nordestinos.
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Mas, isso só foi uma parte do bafafá. Na outra parte, uma guerra pela paternidade da obra. O governo federal, com Bolsonaro à frente, queria que a obra tivesse sua assinatura. O governo do estado, alegando ter sido o responsável pelo projeto e pela construção, queria o protagonismo da inauguração.
Foram dias de farpas trocadas. Mas, a data da inauguração estava marcada e era preciso definir como o evento se daria. Para o governo municipal, por sua voz mais potente, a do prefeito Herzem Gusmão, a torcida e as articulações eram para que Rui nem saísse do Palácio de Ondina. O desejo era fazer uma festa bolsonarista.
E foi.
O governador não compareceu. Sem ele, a Policia Militar também não. Mais pimenta no molho. Bolsonaro, Herzem e seus aliados trilaram, reclamaram até na Rede Globo. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) fez as vezes da PM.
Para Rui Costa, a Presidência da República foi descortês com o povo, que ficaria em uma área externa, e com ele, que só poderia convidar 100 das 600 pessoas para a solenidade. Na opinião do governador, o evento se transformou em uma convenção político-partidária.
“Convidei o Governo Federal a se fazer presente no ato de inauguração, nesta grande festa. Infelizmente, confundiram a boa educação com covardia, e desde então, temos presenciado agressões ao povo do Nordeste e ao povo da Bahia“, disse o governador baiano em um vídeo postado nas redes sociais.
Foi a primeira visita de Bolsonaro à Bahia depois de eleito e ele chegou no horário, reuniu os correligionários no espaço que se tornaria a sala de embarque, elogiou o seu governo por ter dado continuidade à obra do aeroporto e, com um chapéu de vaqueiro nordestino, brincou com a frase contestada dias antes.



No discurso, Jair Bolsonaro disse amar o Nordeste e afirmou que “somos todos paraíbas”. “Eu amo o Nordeste, afinal de contas a minha filha tem em suas veias sangue de cabra da peste”, enfatizou, se referindo às origens nordestinas da família da primeira-dama Michelle Bolsonaro, mãe da única filha do então presidente.
Depois da solenidade para os privilegiados políticos no salão nobre, o ex-presidente foi ao pátio cumprimentar as pessoas que lotavam o local. Ele chegou perto da grande que separava o público do terminal do aeroporto, para falar e apertar a mão das pessoas que acompanharam o ato oficial por um telão na parte externa e foi recebido de gritos de mito, mito e de “a nossa bandeira será vermelha”.
Da celeuma toda, vale destacar fala do então ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. “Trata-se da maior obra da aviação regional do Brasil. E o governo federal deu continuidade a esse trabalho, mostrando que a infraestrutura para nós é uma questão de Estado. É resultado de um esforço coletivo, o que faz com que esse equipamento importante seja entregue agora à sociedade baiana”, afirmou, embora no dia seguinte à inauguração.
Mas, nem todo mundo entendeu como o atual governador de São Paulo. Tanto é que o Aeroporto Glauber Rocha é uma das poucas obras nacionais com duas placas de inauguração. Na primeira, produzida pelo governo do estado, faz homenagem a Glauber Rocha, cineasta de fama mundial, nascido em Vitória da Conquista e menciona as autoridades federais e estaduais. A outra, mais “seca”, traz quase os mesmos nomes, mas tira o do então secretário estadual de Infraestrutura, Marcus Cavalcanti, e coloca o do prefeito Herzem Gusmão.
Como o equipamento é estadual, venceu a primeira placa.




