Uma das mais importantes heranças de um pai é a memória honrada, como meu pai deixou

Uma das mais importantes heranças de um pai é a memória honrada, como meu pai deixou

Sempre que há chance repito esse texto.

Meu pai foi um dos homens mais inteligentes e corajosos que conheci. Era um pedreiro que gostava de ler. Construiu de pequenas casas a mansões. Consertou telhados, instalou pisos, fez ligações hidráulicas, assentou azulejos, fez com a ajuda da minha mãe – e pequena participação dos filhos – uma casa para nós na serra de Jacobina.

Com as próprias mãos, meu pai pôs de pé o abrigo em que eu e meus irmãos fomos criados.

Crescemos aprendendo dele a lição do cuidado. Trabalhava como um leão para que não nos faltasse o pão. E trabalhou todos os dias durante a sua curta vida, desde que tinha tenros sete anos de idade. Por nós dedicou a vida. Deixou-nos aos 62 anos, há 27 anos.

Lembro-me dele, do rosto parecido com o meu. Do riso, raro, mas cheio, vibrante. Lembro das broncas, do cascudo e da voz grave quando me dava um conselho.

Meu pai me ensinou a ler. Me ensinou, com a minha mãe, a respeitar os outros e a me respeitar. Me ensinou a amar a família. A defender a minha dignidade e, mais que isso, a mantê-la. Meu pai me ensinou a ser honrado. Sua maior lição foi a honestidade. Um tesouro que ele deixou e que hoje me dá lastro na vida.

Deus me deu a sorte de também virar pai de Giorlandinho e Alice, dois pilares que me sustentam, e razões maiores de minha luta para permanecer neste mundo.

A eles dou o melhor do que aprendi com o meu pai. Deixo-os ver, em minha existência, a importância de manterem-se honestos, respeitosos com os demais, com a vida. De não aceitarem a injustiça e de valorizarem o próprio esforço como ação única para alcançarem suas metas, das quais nunca devem abrir mão, se forem para o bem.

Para ser o pai que eu penso ser, porque me esforço para ser um bom pai, agradeço a Deus o milagre, à mãe dos meus filhos a parceria e a eles o retorno que me dão em forma de imenso carinho e orgulho pelos seres humanos que são.

E ao meu pai, José Ferreira da Silva, agradeço ter me construído “tijolo por tijolo, num desenho sólido”. Não consegui, como ele, erguer com as próprias mãos uma casa para meus filhos, mas guardei a lição de que um abraço sincero e carinhoso também é abrigo.

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