Conquista tinha mais representação parlamentar no passado. Mito ou verdade? Veja quantos foram eleitos pela cidade nos últimos 60 anos – I


A cada eleição para deputado que se aproxima, o assunto ganha as conversas políticas, quase sempre em tom de queixa: Vitória da Conquista é o terceiro maior colégio eleitoral da Bahia, mas não consegue ter a representação de antigamente, quando a cidade era menor e menos populosa.
Trata-se de não aceitar que, do alto de seus mais de 253 mil votos, Vitória da Conquista não consiga eleger mais do que um deputado federal ou dois estaduais locais, como acontece desde 2010, ano, aliás, em que adentrou o seleto grupo que tem dois turnos eleitorais nas eleições municipais (em março de 2010 chegava aos 200 eleitores).
Na retrospectiva dos analistas, Vitória da Conquista já teve períodos em que muitos parlamentares falavam em nome de sua população na Assembleia Legislativa e, principalmente, na Câmara dos Deputados. Mas essa é uma nostalgia de falsa memória.
Vitória da Conquista nunca teve mais que dois deputados federais em um único mandato, e em 11 das 16 legislaturas (período de quatro anos do exercício do mandato) contadas desde 1962 só teve um representante na Câmara dos Deputados. Foram 11 a exercer o mandato, sendo que dez de forma definitiva e um, Mão Branca, por um período, como substituto.
PARTE I – DE RÉGIS A WALDENOR
Há 63 anos, na campanha eleitoral de 1962, a grande liderança política de Vitória da Conquista era Regis Pacheco, ex-vereador e ex-prefeito que tinha sido deputado constituinte eleito em 1945, governador do estado entre 1951 e 1955, e voltado à Câmara dos Deputados em 1959. Naquele ano, o médico que chegara à cidade quando ela ainda se chamava Conquista para trabalhar na erradicação da varíola, foi mais uma vez eleito como o representante no parlamento federal.
Na mesma eleição os conquistenses elegeram Wilde de Oliveira Lima e o médico Orlando Ferreira Spínola para a Assembleia Legislativa.
Quatro anos depois, Régis Pacheco ganhou a companhia de Edvaldo Flores no Congresso Nacional, cada um representando uma corrente da política conquistense. Régis encerraria sua carreira parlamentar em 1970. Conquista elegeria apenas Edvaldo Flores para a Câmara dos Deputados naquele ano e voltou a mandar Orlando Spínola para a Assembleia, sozinho dessa vez.
Na eleição de 1974, em pleno regime militar, o deputado federal eleito por Vitória da Conquista era do MDB. Antônio Nascimento teve apenas um mandato, solitário como o de Edvaldo Flores iniciado em 1971. Já no parlamento estadual, continuava Orlando Spínola e surgia a liderança de Elquisson Soares.
Conhecido como um catingueiro corajoso, Elquisson se tornaria deputado federal já na eleição de 1978, cabendo, a partir dali, a representação do município na Assembleia Estadual – além de Orlando Spínola, o mais longevo dos políticos eleitos por Vitória da Conquista – ao ex-prefeito Jadiel Matos.
Em 1982, Raul Ferraz, que fora prefeito até aquele ano, foi se somar a Elquisson na Câmara dos Deputados. Em 1983, tomando Maria José Dupré por inspiração, éramos cinco, com os três deputados estaduais que iniciavam o período de 16 anos em que Conquista teve representação tripla na Casa Legislativa baiana.
Na Câmara de Deputados, durou pouco a dobradinha. A eleição de 1986, garantiu novo o mandato a Raul, mas foi ruim para Elquisson e para Vitória da Conquista, no sentido de que o município voltou a ter somente um deputado federal. Com sua reeleição, Raul se tornou o segundo constituinte federal da história conquistense o primeiro foi Régis Pacheco.
Na eleição seguinte, contudo, Vitória da Conquista teve um federal eleito por pura sorte. Clóvis Assis conseguiu pouco mais de cinco mil votos nas urnas municipais em 1990 e apenas 7.246 no estado, mas foi beneficiado com a votação do ex-governador Waldir Pires que, com 147.689 votos, elegeu Assis e Beraldo Boaventura, com menos ainda: 6.486.
Em 1994, foi a vez de Coriolano Sales se tornar o deputado federal de Vitória da Conquista. Foi para o Congresso sozinho, como voltaria a acontecer em 1998, quando ele foi de novo o único eleito. Mas, Vonca, que havia ficado na suplência, herdou o mandato de Manoel Castro – que foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia -, e assumiu em 23 de outubro de 2000.
A representação conquistense voltou a ter dois deputados federais com a eleição de 2002, ano em que Guilherme Menezes deixou a prefeitura para disputar sua segunda eleição parlamentar (a primeira foi a de deputado estadual em 1994) e se juntou a Coriolano Sales.
Naquela eleição, Guilherme quase tomou conta dos votos da esquerda no município, com 50.293, 50,3% da votação estadual que o elegeu. O segundo mais votado do PT na cidade foi Walter Pinheiro, com apenas 714. Coriolano teve 28.701 dos 56.041 que o elegeram.
Em 2006, Guilherme Menezes foi o único candidato local eleito e assumiu sozinho no início da legislatura, mas a partir do dia 20 de março de de 2007 até 5 de abril de 2010, Edigar Mão Branca lhe fez companhia. O artista, um dos mais conhecidos forrozeiros da Bahia, teve sorte parecida com a Clóvis Assis, em 1990: com apenas 7.023 votos no geral, ganhou mais de três anos de mandato, como suplente de Gedel Vieira Lima, que foi ser ministro no primeiro governo Lula.
Na eleição de 2010 o candidato mais votado em Vitória da Conquista para deputado federal não conseguiu o mandato. Herzem Gusmão foi o escolhido de 31.650 eleitores conquistenses, mas, os 37.319 votos que conseguiu no geral não foram suficientes para ele se somar a Waldenor, eleito pela segunda vez, com 87.930 votos no geral e 23.910 em Conquista. Mão Branca melhorou em relação à votação anterior, chegou a 15.912 votos, mas não teve a mesma sorte. Já Coriolano Sales ainda tentou mais uma vez, mas só recebeu 3.483 votos no município e 4.945 no geral.
Daí em diante, para deputado federal, só dá Waldenor, assim como para estadual só se elegem Fabrício e Zé Raimundo, em um domínio do campo da esquerda. Sem Herzem, em 2014 Waldenor foi para 31.083 votos dos 114.965 que o reelegeram para o Congresso pela primeira vez. Em 2018, o petista teve 33.881 votos na cidade, quem esteve mais perto foi David Salomão, com o discurso de representação do bolsonarismo e da extrema-direita, conquistando 23.221 eleitores.
Em 2022, Waldenor Pereira chegou a ter a “ameaça” de Alexandre Xandó, que faturou 18.320 votos em Conquista, mas ficou longe no geral. Ivan Cordeiro, pelo PTB, também teve um bom ensaio eleitoral na disputa para deputado federal, com 11.271 votos, mas se limitou a 13.736 no geral, como Xandó ficou em 29.801.
Para o ano que vem os sinais continuam iguais: a eleição de Waldenor é quase certa e ele vai ser o único federal a se eleger a partir de Vitória da Conquista, já que o campo oposto, formado pela centro-direita e pela direita que segue a prefeita Sheila Lemos continua a abdicar da disputa direta e efetiva por um lugar na Câmara dos Deputados, símbolo da força política nacional e de onde vêm as tais da emendas tão choradas.

FOTO DESTAQUE: COLAGEM COM OS DEPUTADOS FEDERAIS QUE ASSUMIRAM MANDATOS DEFINITIVOS NOS ÚLTIMOS 63 ANOS. NO TOTAL, DESDE 1962, VITÓRIA DA CONQUISTA TEVE 11 REPRESENTANTES EM BRASÍLIA, SENDO QUE EDIGAR MÃO BRANCA (ABAIXO) FOI O ÚNICO A CUMPRIR SUBSTITUIÇÃO PROVISÓRIA.




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