No passado, a representação parlamentar de Conquista era bem maior. Mito ou verdade? Veja os estaduais eleitos pela cidade em 60 anos – II


Na primeira parte do levantamento sobre eleições de deputados de Vitória da Conquista ao longo de 63 anos, a começar da eleição 1962, o BLOG mostra que há um certo exagero quando se fala na força política que o município tinha no passado nos parlamentos estadual e nacional. O equívoco é afirmar que Conquista elegeu bancadas grandes com menos eleitores. Para tornar ainda mais contundente essa desilusão, houve eleição em que nenhum candidato local teve sucesso e Vitória da Conquista ficou sem cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
Em relação à Câmara dos Deputados, o levantamento demonstra que nunca foram eleitos mais do que dois parlamentares conquistenses (considerando o município como sua base eleitoral) em uma eleição. Na Assembleia o máximo foram três deputados, pelo período de 16 anos, entre 1982 e 1994, com alterações de nomes a cada na eleição. Mas, antes e depois a bancada conquistense na Assembleia Legislativa sempre foi minguada. Nada como hoje, porém, quando o eleitorado local passa de 250 mil votantes.
Vitória da Conquista nunca teve mais que dois deputados federais em um único mandato, mas já teve três estaduais – e por um longo período. Aconteceu a partir da eleição de 1982, que levou para a Assembleia Legislativa Coriolano Sales e Iran Gusmão, pelo PMDB, e Leônidas Cardoso, pelo PDS. Coincidentemente, foi a eleição em que o conquistense Edvaldo Flores foi eleito vice-governador, na chapa de João Durval.
Vale registrar que, suplente em 1978, Leônidas foi efetivado em julho de 1982, no lugar de Orlando Spínola, que renunciou ao mandato para exercer o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), mantendo-se a bancada conquistense com dois deputados.
O feito da eleição de três representantes do município para a Assembleia se repetiu em 1986, com Sebastião Castro no lugar de Iran Gusmão. Quatro anos depois, Lêonidas não conseguiu a reeleição e o PFL elegeu Margarida Oliveira. Em 1994, a bancada conquistense manteve-se em três deputados estaduais, mas foi complemente renovada, com as entradas de Clóvis Flores, Guilherme Menezes e Vonca Gonçalves.
Depois de quatro mandatos seguidos com tripla representação, na eleição de 1998, Vitória da Conquista passou em branco, nenhum candidato com atividade política e partidária baseada no município conseguiu chegar ao parlamento estadual. Como registro, houve um conquistense entre os eleitos no estado, o oftalmologista Vespasiano Santos, casado com Kátia Rebouças, dona da Band FM, filha de Renato Rebouças, fundador da rádio e forte empresário da cidade nos anos 1970 e 1980.
Clóvis Ferraz, que era de Tremedal e sonhava com o carimbo eleitoral de Conquista, também foi eleito, mas os principais nomes da cidade ficaram pelo caminho: José William Nunes, votado por 13.326 dos conquistenses, Clóvis Flores, 9.990 votos, Wilton Cunha, com 9.530, e Margarida Oliveira 5.369.
Em 2002, a votação de Guilherme para deputado federal puxou Waldenor Pereira que teve 24.304 votos no município e foi eleito pela primeira vez deputado estadual. Quem chegou mais perto foi Paulo Brito, com 10.280, seguido de Gilzete Moreira, 9.505, e Clóvis Flores, 9.729. Aquela foi a eleição que marcou o fim da trajetória eleitoral de José Pedral, que este mês completaria 100 anos de nascido. Prefeito de Vitória da Conquista por três vezes, recebeu votos de apenas 6.300 conquistenses, ficando acima somente de Wilton Cunha, 5.749, e Edivaldo Ferreira, 5.193.
Em 2006, ano da eleição do primeiro governador petista da Bahia, Waldenor Pereira foi o único parlamentar eleito para falar em nome de Vitória da Conquista na Assembleia Legislativa, tendo sido votado por 23.759 conquistenses, mais do que Lúcia Rocha, 19.352, e do que Clóvis Ferraz, finalmente alçado a candidato de Vitória da Conquista, com 18.019 votos, quase um quarto da votação que o elegeu.
De 2010 em diante, todos conhecemos. São quatro mandatos, quase 16 anos, com dois deputados apenas na Assembleia e, por mérito deles, os mesmos. Naquele ano, Waldenor foi para federal e lançou Zé Raimundo para estadual, que teve 70.322 no geral e 28.453 em Vitória da Conquista. Também foi a primeira eleição de Fabrício Falcão para a Assembleia, votado por 18.379 eleitores de Conquista e 52.057 no estado. Ficaram para trás: Lúcia Rocha, 16.989 votos locais e 20.922 no geral; Joás Meira, que teve 10.109 em Vitória da Conquista e 16.294 no estado; e Clóvis Ferraz, que voltou ao patamar de 2002 e acabou não se elegendo.
Em 2014, Herzem Gusmão foi o candidato a deputado estadual conquistense mais votado no município, onde teve 32.454 votos no município e 40.876 no estado, ficando na primeira suplência. Entre 3 de março de 2015 e 1º de fevereiro de 2016 assumiu provisoriamente o lugar de Bruno Reis, que estava secretário na gestão de ACM Neto em Salvador. Pelo mandato inteiro, Conquista teve na Alba, Zé Raimundo e Fabrício, o que se repetiu com as eleições de 2018 e 2022.
Nesta última, Lúcia Rocha também chegou bem perto, teve 25.161 votos em Conquista e 31.243 no estado, ficando na primeira suplência. Naquela eleição, Tiago Correia, nascido em Vitória da Conquista, mas até então com pequena projeção política na cidade, apareceu com força, teve 10.793 votos com apoio da prefeita Sheila Lemos e se dispôs a defender a cidade na Alba.
Visualizando as eleições do ano próximo ano, para deputado estadual, há nomes que desfrutam de grande respeito politico, social e profissional já em plena pré-campanha e, a princípio, todos têm chance. Nessa parte, os sinais acendem mais vivos do que para a disputa federal, e é muito possível que em 2026 Vitória da Conquista consiga quebrar o recorde de eleitos, aumentando a bancada para quatro representantes, com o potencial de Xandó já demonstrado em 2022 (18.230 votos no município e 29.801 no estado) e a inquestionável força da prefeita Sheila Lemos em favor de Wagner Alves, ele mesmo preparado para a tarefa a que se dispõe.
As apostas já estão abertas.

FOTO DESTAQUE: MONTAGEM COM FOTOS DE ÉPOCA DOS DEPUTADOS ORLANDO SPÍNOLA, WILDE OLIVEIRA LIMA, IRAN GUSMÃO, LEÔNIDAS CARDOSO, SEBASTIÃO CASTRO, MARGARIDA OLIVEIRA, CLÓVIS FLORES, VESPASIANO SANTOS, FABRÍCIO FALCÃO E ZÉ RAIMUNDO.
Clique no link abaixo para ler a primeira parte, sobre os deputados federais.



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