Pesquisa Atlas/A Tarde dá motivos para os dois comemorarem, mas expõe desafios de Jerônimo e ACM Neto a um mês da eleição


A mesma pesquisa chegou nesta quinta-feira (3) aos grupos de imprensa das campanhas de Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil) no WhatsApp parecendo contar duas histórias diferentes. Mas não por divergência nos números, é que cada lado escolheu a parte da AtlasIntel/A Tarde que mais lhe interessava.
Por caminhos diferentes, os dois releases, enviados pela manhã, o da campanha de Neto, e início da tarde, pela equipe de Jerônimo, conseguiram encontrar uma boa notícia na AtlasIntel.
ACM Neto destacou a vantagem numérica de 48,8% contra 47,5% (resultado de um dos cenários estimulados) e fez as contas dos votos válidos para dizer que está no patamar de vencer a eleição no primeiro turno. Jerônimo deixou esse placar de fora e apresentou outro retrato: aprovação elevada e vantagem em cidades administradas por aliados do adversário, especialmente Feira de Santana.
Vista por inteiro, a pesquisa é menos generosa com qualquer tentativa de proclamar um vencedor. Ela mostra uma eleição praticamente dividida ao meio, com ativos e dificuldades diferentes para os dois candidatos.
A diferença entre Neto e Jerônimo é de 1,3 ponto percentual, abaixo da margem de erro de dois pontos em cenário com Ariel Capistrano (DC) na disputa. No segundo cenário testado, com José Estêvão (DC), são 49,1% contra 47,9%. E, quando a Atlas simula um segundo turno, a distância cai ainda mais: 49,2% para Neto e 48,6% para Jerônimo.
Nos votos válidos, ACM Neto chega a 50% no primeiro turno. É o número escolhido por sua campanha para sustentar que pode encerrar a disputa no dia 4 de outubro. A estimativa, no entanto, continua submetida à margem de erro da pesquisa.
Jerônimo trabalha com outro dado quase tão importante quanto a intenção de voto. Seu governo é aprovado por 48% e desaprovado por 46%. Quando os entrevistados são perguntados se ele merece ser reeleito, novamente 48% dizem que sim, enquanto 47,7% respondem negativamente.
Os números quase reproduzem o tamanho eleitoral do governador, que aparece com 47,5% das intenções de voto.
A pesquisa aponta também onde Jerônimo pode procurar os votos que lhe faltam. Lula tem 52,8% na Bahia, cerca de cinco pontos acima do governador. Para o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, uma parcela dos eleitores do presidente hoje declara voto em ACM Neto e a capacidade de Lula de orientar parte desse eleitorado pode interferir na disputa estadual.
Para Neto, o desafio é o inverso: preservar a separação entre o voto presidencial e estadual que hoje lhe permite receber apoio de uma parcela do eleitorado lulista.
Outro dado ajuda a mostrar por que a disputa não pode ser reduzida à diferença de 1,3 ponto. No eventual segundo turno, ACM Neto sobe de 48,8% para 49,2%. Jerônimo vai de 47,5% para 48,6%. A distância entre eles cai para apenas 0,6 ponto.
Há ainda um terreno especialmente difícil para quem governa. Para 82% dos entrevistados, a criminalidade está entre os maiores problemas da Bahia. Saúde aparece com 52,3% e educação com 21,8%. A segurança pública tende, por isso, a ocupar espaço importante na tentativa de Neto de transformar o desejo de mudança em votos.
A campanha de Jerônimo preferiu olhar para o mapa. No release distribuído à imprensa, destacou Feira de Santana, onde atribui ao governador 61% de aprovação e 61,3% das intenções de voto, contra 37,1% de ACM Neto. Vitória da Conquista e Barreiras aparecem com 53% de aprovação do petista. As três cidades são administradas por prefeitos do campo oposicionista.
São recortes politicamente relevantes, embora devam ser observados com uma ressalva: a margem de erro de dois pontos divulgada pela Atlas vale para a amostra estadual de 1.804 entrevistados e não pode ser aplicada automaticamente às subamostras de cada cidade.
No conjunto da pesquisa, o campo governista também mostra força fora da disputa pelo Governo. Lula lidera com ampla vantagem a corrida presidencial na Bahia. Rui Costa e Jaques Wagner ocupam as duas primeiras posições para o Senado.
É na escolha para governador que a divisão se torna quase absoluta, o que impediria qualquer prognóstico para qualquer lado.
Se ACM Neto tem o número que permite falar em proximidade de uma vitória no primeiro turno, Jerônimo tem um eleitorado lulista maior do que o seu próprio e indicadores que ainda lhe permitem buscar crescimento. Neto precisa romper com segurança a barreira dos 50%. Jerônimo precisa recuperar eleitores suficientes para eliminar uma diferença que, neste momento, sequer ultrapassa a margem de erro.


