Quase tragédia causada por enxurrada no fim de semana indica emergência na ampliação da macrodrenagem em Vitória da Conquista

Quase tragédia causada por enxurrada no fim de semana indica emergência na ampliação da macrodrenagem em Vitória da Conquista

As imagens ganharam o mundo e deixaram as pessoas comovidas. Um homem estava sobre um carro, no meio de um lago formado pela enxurrada, em uma das margens da Avenida Juracy Magalhães, de repente, como se fosse sugado, o carro começa a desaparecer, o homem se mexe e tenta se salvar, mas o carro e ele desaparecem. Comoção imediata em Vitória da Conquista, mas alguns minutos depois, como em um milagre, o homem, identificado como o enfermeiro Gerald Saraiva Silva de Sordi, reapareceu para alívio geral.

Felizmente, ele conseguiu voltar à superfície e foi resgatado por um motorista que passava perto, viu Gerald se debatendo, arrancou os arames de uma cerca que separa a via da parte onde o enfermeiro estava e o ajudou a sair com vida do local, para em seguida ser socorrido pelos Bombeiros e pelo Samu 192. Seria a primeira perda humana causada pelas chuvas em Vitória da Conquista, depois de 13 anos, quando duas irmãs, de 11 e de sete anos, foram levadas pela enxurrada e encontradas sem vida no córrego de Verruga a cerca de cinco quilômetros de casa.

Em 1986, as chuvas fortes provocavam inundações de quase toda parte baixa da cidade. A água descia da Serra do Periperi e causava destruição no caminho. Naquele ano, a enxurrada atingiu um carro que passava pela Pracinha do Gil, onde havia um grande volume de água acumulada e uma das cinco pessoas que estavam no veículo morreu afogada.

Dois anos depois, justamente quando estavam em andamento a implantação do canal de drenagem hoje conhecido como Santa Cecília mas foi denominado, à época, de Canal da Normal, dois adolescentes brincavam na chuva, nas proximidades das manilhas que estava sendo instaladas para escoamento das aguas e uma delas acabou sendo projetada pela enxurrada dentro do canal e seu corpo foi encontrado no final do córrego, próxima à Conquistinha.

Antes dos anos 1988, eram comuns os incidentes em vários pontos de Vitória da Conquista, especialmente na baixada do Jurema e na região que recebia as águas que desciam do Alto Maron. Os problemas só diminuíram com investimento em macrodrenagem na administração de José Pedral e Hélio Ribeiro. Desde então, não tem havido obras de macrodrenagem na cidade visando reduzir o volume de água que chega a áreas como a Avenida Ascendino Melo e causam estragos na São Geraldo e Otávio Santos, por exemplo.

EMPRÉSTIMO

Mais recentemente, o acúmulo de água tem se tornado um grande problema nas avenidas Juracy Magalhães e no Bartolomeu de Gusmão. Na gestão de Herzem Gusmão, projeto específicos como a requalificação da Avenida Olívia Flores e a construção do novo terminal de ônibus (Estação Herzem Gusmão) incluíram serviços de macrodrenagem nas duas áreas, que eram pontos de acúmulo de águas pluviais, enxurradas e inundações.

A atual administração fez a grande drenagem do Alto do Panorama, que mitigou o problema da descida da água da chuva, e levou o serviço a outros bairros, mas o problema ainda requer ampliação ou recuperação de vários pontos da macrodrenagem da bacia central da cidade.

As imagens de vários pontos tomados pela água da chuva forte do fim de semana mostram que os problemas da macrodrenagem de Vitória da Conquista não autorizam mais adiamento sob pena de voltar a provocar tragédias.

A sorte ou o milagre da salvação do enfermeiro Gerald Saraiva pode não acontecer outras vezes e perdas de conquistenses e conquistados – como o governo municipal está acostumando a pessoas a se referirem a quem chegou de fora – podem acontecer.

A Prefeitura enviou à Câmara Municipal e os vereadores estão analisando a possibilidade de autorizar mais um empréstimo junto a instituições financeiras, no valor limite de R$ 400 milhões. Nessas horas, um debate nem sempre sincero se instala e a avaliação se afasta do critério da necessidade coletiva para a discussão política, partidária e ideológica, como se financiamentos externos não fizessem parte da história de todas as administrações conquistenses ao longo dos anos, assim como ocorre em quase todos os municípios e do estado da Bahia.

Por outro lado, é preciso mais consciência pública, noção de prioridade e relevância da parte do governo municipal para definir a destinação dos recursos, para além pedaços de bairros asfaltados e “requalificações de praças e avenidas” já existentes para passarem de funcionais a apenas mais bonitas. A macrodrenagem antiga, com dimensões superadas, corroídas, frágil se torna, com o passar do tempo, a cada período chuvoso, uma ameaça à estrutura da cidade, à segurança de moradias, estabelecimentos comerciais, repartições públicas e pessoas e até ameaça a vidas.

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