Não morri no ano que acaba e estou pronto para os desafios da continuação da vida que chegam com 2026. Crônica do fim de 2025



Hoje é o último dia de 2025 e a primeira coisa que me vem à cabeça ao começar a escrever este texto é que eu não vi minha mãe este ano. Aliás, não a vejo desde 2023, quando meus irmãos a levaram de Petrolina para casa, em Jacobina, com o fim de evitar que ela, ainda na fase intermediária de seu Alzheimer, sentisse falta e perguntasse pela minha irmã que faleceu no começo daquela primavera. Assim, minha primeira meta para 2026 é ver minha mãe dentro de alguns dias.
No último dia de 2025, percebo que venci de novo. No ano passado eu não morri, nesse ano tampouco. Tive câncer, andei com dificuldade, a coluna e os joelhos chiaram, a grana rareou, vi ameaças de tempestade, mas cá estou, a contar vantagem, pelo amor Deus, o querer de uns tantos e a solidariedade de muitos.
Leitores. Amigos. Irmãos. Mulher. Mãe. Filhos. Uma neta afetiva. Tenho tudo isso, razão pela qual sei que – ainda que minha vida acabe – também no novo ano não morrerei, pois a contribuição dessa gente permitiu que eu tivesse mais tempo para construir um legado, ainda que seja apenas esse blog.
Foi neste ano que se despede, que o meu filho ficou mais tempo comigo em minha casa, me apoiando na minha convalescença e doando de sua expressiva generosidade, manifestada na palavra sábia, no sorriso honesto, em um humor inspirador e no abraço amoroso e efetivo como um unguento sagrado.
Foi quando minha filha retornou a Conquista trazendo consigo uma mulher de fé, forjada em uma luta da qual me orgulho, e uma enorme bagagem de afeto, companheirismo, carinho, alegria e coragem, que eu nem sabia que cabia em um coração que um dia foi pequenininho, mas sempre vibrante.
Em 2025, eu recebi o titulo de Cidadão Conquistense, meio por uma brincadeira, mas que meu coração levou a sério. E eu acabei achando justo, por causa da minha conexão com esta cidade, pelo tudo que eu fiz, na minha limitação, para contar sua história e, de alguma forma, construí-la um pouco mais.
Neste ano que termina, torci mais feliz pelo Botafogo, porque comecei 2025 com duas faixas de campeão que ele me deu em 2024 e valeram até agora pouco.
Bebi menos, me alimentei melhor, porém, infelizmente, continuei sedentário (joelho, coluna… lembra?). Não farei promessa de entrar na academia ou andar na avenida. Tampouco há recurso para Mounjaro. Porém, é… aguardem novas imagens.
Falando de política, tema que eu gosto e marca este BLOG, em 2025, estive com Jerónimo Rodrigues, do PT, e ACM Neto, do União Brasil, e sorrimos. Olhei para eles com meu olhar de alma, não condenei ou perdoei, mas conferi a sua humanidade – e ainda mais a minha. Foi parecido com Sheila e Nonô. A política maltrata os brasileiros, eu incluído, vimos maldades perpetradas, inclusive ameaças a vidas de pessoas por desejo de vingança eleitoral e de poder. Repudiei e repudio, mas mantenho minha centralidade, que me permite ouvir os que conheço a voz e interagir sem ódio.
Entrarei em 2026 assim, com esse espírito. Para mim, os cortes chamados de fim de ano e novo ano são meras continuidades da vida, com repetições ou o ineditismo de eventos, como nascimentos, mortes, notícias urgentes ou triviais, Copa do Mundo e eleições. Meu modo de ver não muda muito, mas minha esperança se amplia, minha fé se faz valer. Que venham então, as novas datas e os desafios. Não sei se estou devidamente preparado, mas estou pronto. Tenho amigos, maravilhosos irmãos, Dulcy, Giorlandinho, Alice, uma neta afetiva e vou ver minha mãe. Vocês nem imaginam como voltarei mais forte.



