Vitória da Conquista | Alguns eventos marcantes em 2025, um ano muito movimentado na política local, e o que indicam para o futuro

Vitória da Conquista | Alguns eventos marcantes em 2025, um ano muito movimentado na política local, e o que indicam para o futuro

O ano político ainda pode estar longe de terminar, prova disso foi o episódio da confirmação da pré-candidatura da vereadora Dra. Lara Fernandes, ideia que quase todo mundo pensava ter sido sepultada – menos ela e o deputado federal Márcio Marinho, líder do partido de ambos, o Republicanos. A qualquer momento pode surgir uma novidade, de um traque a uma bomba. Mas, já dá para listar alguns acontecimentos que marcaram 2025, provavelmente um dos anos mais movimentados da política local recente.

A memória política de 2025 certamente vai registrar que o pedido de autorização para tomar um empréstimo de R$ 400 milhões gerou uma grande discussão anterior à tramitação do projeto, com vereadores pedindo cautela, discursando sobre a provável dificuldade de pagar, o que indicaria uma tramitação difícil para a solicitação da prefeita Sheila Lemos. Mas, a montanha acabou parindo um rato. A tensão vendida por uma boa parte dos parlamentares terminou em uma tramitação suave, com quase toda a Câmara Municipal autorizando o empréstimo, sendo apenas dois votos contra, da vereadora Viviane Sampaio e do vereador Alexandre Xandó, os dois do PT.

E o rato ainda tenta parir um mamute, por meio de uma ação civil de autoria de Xandó e Viviane contra a aprovação do projeto de lei, até agora sem resultado. Enquanto isso, a prefeita junta a documentação para pegar na Caixa metade dos R$ 400 milhões, já que a lei aprovada permite que ela tome emprestado até esse valor, mas sem necessidade de ser tudo de uma vez, com prazo até maio de 2028. Assim, nos próximos dois anos eleitorais, Sheila poderá ter recurso para muitas obras. E esse é o principal indicador do futuro político local.

O ano de 2025 também foi o ano em que a prefeita repetiu (ou se aproximou) os altos índices de aprovação de ex-prefeitos como Guilherme Menezes, nos anos 2000 a 2002, e José Pedral, entre 1986 e 1988. Com o prestígio daquele momento, o petista saiu da prefeitura para uma candidatura a deputado federal em que teve 50.293 votos em 2002, 42,33% dos votos válidos. Para dimensionar esse fenômeno use a “inflação” eleitoral: tomando os percentuais de abstenção e de votos nulos e brancos da eleição de 2024 (18,18% e 6,13%) e aplicando-os ao eleitorado atual (255.341 eleitores) teríamos 196.113 votos válidos, assim, uma votação de 42,33% dos votos válidos, hoje, passaria de 83 mil votos.

Já Pedral, que tinha uma gestão muito bem avaliada, ficou ainda mais prestigiado pela população ao ter coordenado a campanha vitoriosa de Waldir Pires a governador, em 1986, e se tornado secretário de Estado, de onde saiu, em 1988, para chegar ao auge e reverter uma eleição considerada vencida por Sebastião Castro, elegendo Murilo Mármore prefeito.

Nos tempos atuais, Sheila Lemos abriu mão de uma candidatura própria a deputada federal, para a qual nove entre dez analistas previam êxito, optando por lançar o marido, o advogado Wagner Alves, praticamente desconhecido da cidade, mas que, com a propulsão do motor de popularidade da gestora, já passa de dois dígitos nas pesquisas de intenção de votos.

Esses dois eventos – o pedido de empréstimo e a pré-candidatura de Wagner de Sheila – foram os fatos mais impactantes na política conquistense em 2025, principalmente pelo ponto de conexão entre os dois, pois não há como negar que se a prefeita tiver tempo de usar os recursos do empréstimo já no primeiro semestre do ano que vem, sua lua de mel com a população continuará nas nuvens, com efeitos estendidos ao consorte (há quem diga: muita sorte).

Na longa relação de fatos políticos do ano, entram: os polêmicos projetos da loteria municipal, contestado na Câmara de Vereadores e retirado pelo governo municipal; da alteração da cobrança da iluminação pública, Cosip, que precisou ser alterado e votado em duas partes, devido à pressão externa e da oposição; as mudanças na forma de cobrança da Zona Azul, que também provocaram reações e levaram a Prefeitura a fazer ajustes posteriores à aprovação da lei; a cobrança de IPTU de imóveis da zona da zona rural, que teria uma isenção limitada a apenas um ano (2026), que foi derrubada pelos vereadores, ao estabelecerem que a isenção será por tempo indeterminado (até outra lei mudar isso) e foi sancionada pela prefeita Sheila Lemos sem vetos.

O ano de 2025 teve até aumento de passagem de ônibus urbano em julho e autorização para mais um reajuste em janeiro de 2026. E teve o silêncio de Zé Raimundo e Waldenor Pereira, deputados estadual e federal do PT, respectivamente, em relação ao governo da prefeita Sheila Lemos que, sem a pressão deles dois, viu grande parte das polêmicas em torno de seus projetos na Câmara de Vereadores e em ações da gestão, questionadas fortemente – e quase isoladamente – por Xandó e Viviane. Caso, por exemplo, das denúncias sobre péssimas condições nas unidades de acolhimento municipais, onde teriam ocorrido maus tratos a crianças e adolescentes, incluindo assédio e abuso sexual. O assunto, aliás, com o mesmo vigor que surgiu, tombou, e ninguém falou mais dele.

E ainda merecem registro dois grandes feitos de articulação, visando campanhas de deputado estadual e federal, com as participações intensas dos vereadores Luís Carlos Dudé e Ivan Cordeiro, um ex e um atual presidente da Câmara Municipal.

Dudé foi um dos que se integraram ao grupo de seis parlamentares que apoiam a reeleição do deputado Fabrício Falcão (PCdoB), sendo quatro vereadores que não são do partido dele: Cris Rocha (MDB), Paulinho Oliveira (PSDB), Luís Carlos Dudé (União) e Ricardo Gordo (PSB), além de Luciano Gomes e, Ricardo Babão, do PCdoB.

E Ivan teve papel preponderante no movimento em direção à pré-candidatura a deputado federal do jovem Carlos Muniz Filho (PSDB), filho do presidente da Câmara Municipal de Salvador. Com Ivan, estão Edjaime Bibia e Luís Carlos Dudé, do União Brasil; Paulinho Oliveira e Nelson de Vivi e Edivaldo Ferreira Júnior, do PSDB, mesmo partido de Muniz Filho.

Não é preciso ser especialista em política para prever a força que esses dois grupos terão, não apenas em 2026, mas para 2028, quando o time que não é ligado ao governador Jerônimo Rodrigues e ao deputado Waldenor Pereira (que ainda é o nome mais forte do PT para concorrer a prefeito) vai ter que organizar a corrida das cadeiras e definir quem vai poder disputar a que hoje é ocupada pela prefeita Sheila Lemos.

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